ir para o conteúdo
Busca
Busca por data

Em 1917, a primeira greve geral em São Paulo

Jornalistas do 'Estado' ajudaram na negociação

16 de julho de 2012 | 15h 36
Rose Saconi

 “Morte à repressão! Morte à repressão!”. Era o grito de comando dos operários que em julho de 1917 cruzaram os braços, desafiaram a polícia e tomaram conta da cidade. Foi a primeira greve geral em São Paulo que teve fim há 95 anos.

Estopim. A morte de um operário logo no início do movimento foi o estopim para uma conflagração armada nas ruas de São Paulo. Os grevistas pediam regulamentação do trabalho de menores e mulheres, redução da jornada de trabalho - que se estendia até 12 horas - e garantias trabalhistas.
O Estado fez a cobertura completa da greve, usando a chamada “Agitações Operárias”.

Na edição de 10 de julho, reportagem narrava o conflito em que o sapateiro espanhol José Iñeguez Martinez morreu.



Manifestantes pararam um veículo em frente da fábrica da cervejaria Antarctica, na Mooca, e quebraram barris de cerveja. “Não tardou que para os dispersar surgisse uma foça de cavallaria para os pôr em debandada”, dizia o jornal. Várias pessoas caíram feridas, entre elas o espanhol Martinez, de 21 anos. Baleado no estômago, ele morreu de madrugada.

O Estado de S. Paulo - 14/7/1917


O aviso publicado no anúncios do Estado mostra a dimensão da greve. Não foram só os operários das fábricas que pararam, mas também os proprietários de carroças e caminhões da cidade. Em 1966, Edgard Leuenroth participante do movimento, afirmou que tudo ocorreu de maneira espontânea e as causas foram as péssimas condições em que viviam os operários. Economicamente, os ganhos eram insuficientes para a sobrevivência e qualquer tentativa de organização dos operários era violentamente reprimida pela polícia.


Comício na praça da Sé durante a greve geral. Foto: Arquivo/AE


A paralisação atingiu toda cidade. Alguns bondes da Light tentaram circular, mas foram depredados ou tomados pelos grevistas. “O dia de hontem, em toda a cidade, foi de franca anarchia”, descreveu o Estado na edição de 13 de julho.



A greve  terminou depois de negociações firmadas entre uma comissão formada por jornalistas do Estado, do Fanfulla (órgão da comunidade italiana) e mais sete veículos de comunicação, governo, empresários e grevistas.

No dia 14, jornal publica a convocação do Comitê da Imprensa para a reunião que seria realizada na Redação do Estado.



O fim da greve foi decidido num comício no Brás, em 16 de julho.Todas as reivindicações foram aceitas.

“A Comissão da Imprensa, dando por finda a sua missão, julga cumprir um dever deixando consignado um applauso à boa vontade geralmente manifestada por todos no sentido de dar solução ao conflicto e de preparar o advento de uma nova éra, mais bella, na história das relações entre operarios, patrões e representantes do poder público no Estado de S. Paulo e no Brasil”.


Reclames do Estadão

Não vote em branco

Campanha contra o voto em branco do partido MDB Não vote em branco

14/11/1968

Tópicos
ver todos
  • AP
    1.

    Crash de 1929

    Crise econômica resultante da quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929s

  • Acervo/Estadão
    2.

    Estado Novo

    Ditadura civil brasileira liderada por Getúlio Vargas

  • Acervo/Estadão
    3.

    Bossa Nova

    Movimento musical brasileiro surgido nos anos 50

  • Acervo/Estadão
    4.

    Revolução russa

    Conflito que originou a União Soviética em 1917

  • Edwin Reichert/AP
    5.

    Guerra Fria

    Período de tensão militar, conflitos políticos e competição entre URSS e EUA