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Tancredo Neves

Tancredo de Almeida Neves
4/3/1910, São João del Rei (MG) - 21/4/1985, São Paulo (SP)

Tancredo de Almeida Neves foi um importante político brasileiro, eleito presidente indiretamente em 1985. Nasceu em São João del Rei no dia 4 de março de 1910. O avô de Tancredo, José Juvêncio das Neves, era uma figura importante da política brasileira e ardente defensor da república.

Quando criança frequentou o Colégio Santo Antônio, dos padres franciscanos, tendo concluído o curso de Humanidades em 1927. No ano seguinte, Tancredo foi para Belo Horizonte e se matriculou na Faculdade de Direito. Nessa época, participou das articulações da Aliança Liberal, força oposicionista que lançava a candidatura de Getúlio Vargas contra a do conservador Júlio Prestes.

Em 1932, Tancredo retorna à sua cidade natal, onde se instala como advogado. É nomeado promotor da comarca local no mesmo ano, mas abandona o cargo em 1933. Em junho de 1935, foi eleito vereador em São João del Rei pelo Partido Progressista e, por ter recebido a maior votação dentre os concorrentes, tornou-se presidente do legislativo municipal. Nos anos seguintes, filiou-se ao partido dissidente PRM (Partido Republicano Mineiro) e liderou a campanha eleitoral de 1937, abruptamente interrompida pelo golpe do Estado Novo. Sob a ditadura, Tancredo voltou a exercer a advocacia e se tornou empresário, atuando como diretor-proprietário da Fiação Tecelagem Matozinhos e da Tecelagem São João Ltda.

Em 1947, Tancredo foi eleito deputado estadual pelo PSD com mais de cinco mil votos. Em 1950, Tancredo foi eleito deputado federal. Três anos depois, Tancredo é convocado para ser Ministro da Justiça do governo Vargas. O atentado da rua Toneleiros, contudo, coloca o governo em uma situação difícil, obrigando Tancredo e outros ministros a multiplicar esforços pela manutenção da legalidade. Importantes grupos civis e militares tramavam, ao lado do vice-presidente conservador Café Filho, a queda do governo Vargas. Aconselhando o presidente em todos os momentos da crise, Tancredo defendia a resistência e chegou a propor a prisão dos golpistas no dia 22 de agosto. No dia 24 de agosto, com o suicídio do presidente, Tancredo abandonou o ministério da justiça e, ao lado de Osvaldo Aranha e João Goulart, pronunciou um discurso inflamado contra Café Filho em São Borja. Reassumiu sua cadeira na Câmara dos deputados alguns dias depois.

Apoiou a candidatura de Juscelino Kubitschek, que tomou posse após o movimento militar de novembro de 1955, encabeçado pelo general Lott contra as forças conservadoras que queriam impedir a posse do presidente eleito. Tancredo assumiu a Secretaria de Finanças do governo de Minas Gerais em 1958. Concorreu ao governo mineiro em 1960, mas perdeu para Magalhães Pinto. Neste pleito, defendeu a candidatura de Henrique Lott contra Jânio Quadros, contrariando a posição de seus correligionários. Articulou a solução parlamentarista após a crise de 1961, quando direitistas e militares recusaram-se a aceitar a posse legal de João Goulart como presidente por considerá-lo comunista. Goulart indicou Tancredo Neves para primeiro-ministro, o que o Congresso aprovou por 259 votos contra 22.

Durante seu governo, Tancredo defendeu a reforma agrária, uma política externa independente e uma lei de controle de remessas de lucros, embora bastante moderada. Tancredo considerava a estrutura agrária do país arcaica, motivo pelo qual o governo criou o Conselho Nacional de Reforma Agrária. Tancredo também propôs o Plano de Sindicalização Rural, aprovado pelo conselho de ministros. Com a crescente radicalização política, o governo foi acusado de promover agitação social. O sistema presidencialista, aprovado por plebiscito, devolveu o poder a Goulart, que defendia as reformas de base de maneira ainda mais enfática. Tancredo tentou amenizar os choques do governo com os oposicionistas e inclusive recomendou que não fizesse o discurso de 30 de março no Automóvel Clube. Em 1964, é dado o golpe que depõe Goulart e estabelece a ditadura militar. Tancredo não aprovou o golpe, alegando que o país caminhava “a passos largos para o fascismo”, e ingressou no MDB após a decretação do AI-2.

Foi reeleito deputado federal em 1966. Criticou fortemente a intervenção americana no golpe de 1964 quando foi divulgada a correspondência governo norte-americano com a embaixada brasileira em 1976. No final de 1979, participou da criação do Partido Popular, que defendia a redemocratização. Foi eleito governador de Minas em 1982. Participou das campanhas “diretas já” pela aprovação da emenda Dante de Oliveira, que previa as eleições diretas. Prevaleceu a eleição indireta após sua votação em 1984. Tancredo foi eleito presidente do Brasil no dia 15 de janeiro com apoio de 480 membros do colégio eleitoral. Na véspera da posse, contudo, Tancredo foi acometido por fortes dores abdominais e foi logo internado. Faleceu no dia 21 de abril, diagnosticado com diverticulite. O vice-presidente José Sarney tomou posse em seu lugar.

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