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A primeira abertura do Belas Artes

Comédia inaugurou o maior cinema de arte da América do Sul em 1967

18 de julho de 2014 | 10h 50
Estadão Acervo


Fachada do cinema na época da abertura. Acervo/Estadão

Inaugurado em 1967 pela Companhia Serrador, em parceria com a Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC), o cine Belas Artes que reabre neste sábado surgiu como promessa de "espetáculo, polêmico, cultura", como dizia o anúncio da estreia.
 

O Estado de S. Paulo - 14/7/1967


A polêmica prometida no cartaz aconteceu já um mês antes da abertura do Belas Artes com a escolha da primeira programação do cinema. Na época, com apenas uma grande sala, a proposta era sempre exibir filmes de arte que não encontravam espaço nos cinemas comuns. Seguindo esta linha, os mais cotados para a estreia, como chegou a noticiar o jornal, foram Os Amores de um Loura, de Milus Foman; Julieta dos Espíritos, de Fellini; ou Bravos da Arena, de Francesco Rosi.

O Estado de S. Paulo - 18/6/1967


Comédia. Mas, para surpresa geral, a fita que inaugurou "o maior cinema de arte da América do Sul" foi uma comédia: Os russos estão chegando. Dirigido por Norman Jewison, o filme americano havia disputado vários Oscars e inaugurado o festival de Cannes de 1966.

Em 1970, uma reforma dividiu o prédio em duas salas, que passaram a se chamar Portinari e Villa-Lobos. No subsolo funcionava a sede da Cinemateca. Posteriormente, ela foi desativada e o lugar passou a abrigar a sala Mário de Andrade.

Incêndio. Em 1982, nova reforma, desta vez forçada por um incêndio criminoso, que praticamente destruiu o prédio. Na época, manchete do jornal já dava dimensão da importância do Belas Artes para a cidade: “Duas horas e meia de fogo. Está destruído nosso mais importante cinema de arte”. Portas e cofres arrombados e gavetas reviradas apontavam para uma ação criminosa. A prefeitura relembrou que suas salas estavam em condições irregulares, mas a perícia concluíra que o incêndio não fora acidental. Foram descobertos, no dia seguinte ao desastre, três pontos distintos em que o fogo havia sido originado.

O Estado de S. Paulo -11/5/1982


Um ano depois, o Estadão anunciava: “Das cinzas, o novo cine Belas Artes reabre”, para duas semanas depois, em 15 de junho, divulgar uma nova interdição. Suas seis salas, modernas e sofisticadas, extrapolavam um projeto que originalmente previa apenas cinco. Em junho de 1983, já sob o controle da francesa Gaumont, o Belas Artes reabriu, desta vez com seis salas

O Estado de S. Paulo - 1/6/1983

Em 2011o cinema exibiu sua última sessão, após o dono do imóvel não renovar o contrato de aluguel com o cinema. No dia seguinte, os equipamentos foram desmontados. A fachada do prédio foi tombada em 2012 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).

O Estado de S. Paulo - 17/3/2001
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