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A queda do Muro de Berlim nas páginas do Estadão

Navegue pela cobertura do jornal, conheça fatos e curiosidades sobre o muro

09 de novembro de 2019 | 7h 02
Liz Batista - Acervo Estadão

A História anunciada na capa do jornal. Navegue pela cobertura do Estadão, clicando nas datas para ampliar as páginas, confira nossa lista de curiosidades e relembre fatos que marcaram os dias anteriores e posteriores à derrubada do muro que dividiu a capital da Alemanha por 28 anos.

O Estado de S.Paulo - 11/11/1989

O Estado de S.Paulo - 11/11/1989

Erro de comunicação. Após dias de protestos em massa pedindo por maior liberdade na Alemanha Oriental (RDA), Günter Schabowski, porta-voz da RDA  anunciou em uma entrevista coletiva, ao vivo pela televisão, as novas medidas para concessão de vistos e  permissões de visitas ao lado ocidental. Ao responder sobre quando tais regras entrariam em vigor ele disse "imediatamente" - as medidas deveriam começar a valer no dia seguinte, em 10 de novembro de 1989. 

Mas, ao ouvirem a afirmação na noite daquela quinta-feira, milhares de alemães orientais saíram às ruas em direção aos portões de passagem para a República Federal Alemã (RFA). A Alemanha Ocidental liberou os portões ao longo do Muro de Berlim e milhares de alemães ocidentais participam, em clima de festa, da demolição.

O fato foi manchete no Estado de 11 de novembro de 1989.  Enquanto “multidões emocionadas comemoraram a queda simbólica do Muro de Berlim”, políticos da Alemanha Ocidental falavam sobre a possibilidade de reunificação, contava a reportagem.

O Estado de S.Paulo - 05/11/1989

O Estado de S.Paulo - 05/11/1989

Estadão em Berlim. O jornalista William Waack foi o correspondente do jornal O Estado de S.Paulo que cobriu a queda do Muro de Berlim e os movimentos que derrubaram os governos socialistas da Europa Oriental em 1989 que marcaram o fim da Cortina de Ferro.

O Estado de S.Paulo - 02/11/1989

O Estado de S.Paulo - 02/11/1989

Muro duplo. A barreira física construída para impedir a passagem da Alemanha Oriental para a Alemanha Ocidental em 1961, era composta por duas estruturas de concreto, dois muros, intercalados pelo que era conhecido como “faixa da morte”, um fosso constantemente monitorado pelas torres de vigilância e guardas com permissão para atirara em quem tentassem fazer a travessia e patrulhavam o espaço em veículos militares ou acompanhados de cães treinados.

Com 40 quilômetros de extensão, as barreiras também eram equipadas com redes eletrificadas, alarmes, duas cercas de metal com arame farpado e metralhadoras automáticas.

O Estado de S.Paulo - 05/11/1989

O Estado de S.Paulo - 05/11/1989

Karaokê  e antiguidades. O mais famosos mercado de pulgas de Berlim funciona atualmente no local onde ficava a “faixa da morte”. No parque Mauerpark no distrito de Prenzlauer Berg, turistas e locais encontram, aos finais de semana, tanto antiguidades quanto inovações de designers autônomos. Aos domingos, a atração é o karaokê ao ar livre.

O Estado de S.Paulo - 07/11/1989

O Estado de S.Paulo - 07/11/1989

O galã de mullet e o muro. As palavras sobre liberdade entoadas por um carismático ator americano ficaram gravadas na memória dos alemães como um hino da derrubada do muro. Mas, não foi Ronald Reagan, ex-ator e na época presidente dos Estados Unidos, nem seu discurso pedindo pela queda do muro, os responsáveis pelo feito.

No verão de 1989, David Hasselhoff, protagonista da famosa série Super Máquina, se transformou num fenômeno pop na Alemanha. Seu single Looking for Freedom (Procurando por Liberdade, em tradução livre) estourou nas paradas de sucesso, foi número um na lista de músicas mais tocadas por 8 semanas seguidas.

Na noite de Ano-Novo, usando uma jaqueta com luzes e balançando seu mullet encaracolado, Hasselhoff, num icônico show sobre os restos do muro, cantou para uma multidão o hit que fala sobre a busca por liberdade. Até hoje, o astro, famoso também por sua participação na série Baywatch, desfruta de qualidade de ídolo na Alemanha.

O Estado de S.Paulo - 10/11/1989

O Estado de S.Paulo - 10/11/1989

Redemocratização lá e aqui. Enquanto alemães, húngaros, poloneses e outras populações que viviam do outro lado da Cortina de Ferro viviam a euforia da retomada democrática em seus países, deste lado do Atlântico, brasileiros dividiam as mesmas expectativas.

Em novembro de 1989 aconteceram as primeiras eleições diretas para Presidente da República depois de 21 anos de ditadura militar. Uma das corridas eleitorais mais agitadas da história recente, a campanha de 1989 contou com 22 candidatos e foi vencida em 2º turno pelo candidato do PRN, Fernando Collor de Mello.

Um dos candidatos mais competitivos ficou fora da disputa, o apresentador Silvio Santos teve a candidatura vetada pelo TSE, o Estadão estampou a notícia na sua manchete de 10 de novembro de 1989, a notícia do fim do Muro de Berlim pode ser vista na mesma capa, logo abaixo.

O Estado de S.Paulo - 11/11/1989

O Estado de S.Paulo - 11/11/1989

Muro subterrâneo. A ligação entre as linhas de metrô do lado ocidental e oriental também foram interrompidas com a criação do muro em 1961. As estações que ligavam o lado soviético ao ocidental foram fechadas, algumas tiveram suas entradas muradas, outras que serviam de intersecção passaram a ser guarnecidas por soldados armados que impediam a passagem de viajantes  entre os dois lados de Berlim.

Com a reunificação as linhas foram reativadas. As estações fechadas na década de 1960 mantiveram preservadas em suas paredes as peças publicitárias da época.

O Estado de S.Paulo - 11/11/1989

O Estado de S.Paulo - 11/11/1989

Palácio das lágrimas. A estação de trem e metrô de Friedrichstrasse era um dos principais ponto de entrada e saída usado por quem viajava entre  países da Europa Ocidental e países do outro lado da Cortina de Ferro.

O controle dos viajantes era feito num pavilhão anexo, Tränenpalast. O terminal ficou conhecido por suas despedidas emocionadas e recebeu o apelido de palácio das lágrimas.

O Estado de S.Paulo - 12/11/1989

O Estado de S.Paulo - 12/11/1989

Sprechen Deutsch? Em 1963, o  presidente norte-americano John F. Kennedy pronunciou um histórico discurso em Berlim, onde reafirmou o apoio dos Estados Unidos à Alemanha Ocidental.

JFK, arriscou uma frase em alemão "Ich bin ein Berliner"  Ele buscou dizer "eu sou um berlinense". No entanto, a pronuncia da frase soou duvidosa e alguns linguistas afirmam que ele acabou dizendo "eu sou um sonho de padaria". 

O Estado de S.Paulo - 15/11/1989

O Estado de S.Paulo - 15/11/1989

A esperança de derrubar barreiras. Entre as muitas proibições do regime da RDA, o rock deve figurar entre as contravenções mais populares entre os alemães orientais. Um concerto do cantor Bruce Springsteen em 19 julho de 1988 povoa a memória de alemães dos dois lados até hoje.

Springsteen cantou para cerca de 300 mil espectadores na Alemanha Ocidental. Além de eletrizar o público com seus sucessos, o roqueiro fez um discurso famoso, onde disse: “Eu não sou a favor ou contra nenhum governo. Eu vim para tocar rock and roll para vocês, na esperança de que um dia todas as barreiras sejam derrubadas.

Em uma entrevista recente, a chanceler Angela Merkel confessou que entre seus sonhos quando era uma jovem na Alemanha Oriental estava assistir a um show de Bruce Springsteen.

O Estado de S.Paulo- 18/11/1989

O Estado de S.Paulo- 18/11/1989

Heróis por um dia. Um ano antes de Springsteen, outra lenda do rock escreveu sua história junto ao muro. David Bowie realizou um show na Alemanha Ocidental no verão de 1987.

A apresentação aconteceu ao lado do Reichstag, o parlamento alemão, e próximo ao muro. Do outro lado da barreira uma multidão de fãs da Alemanha Oriental  se aglomerou junto ao muro para ouvir o cantor.

O som estava alto o suficiente para ser ouvido dos dois lados e uma rádio do lado ocidental transmitiu a apresentação que pode ser captada pelo outro lado. Os presentes contam que quando o astro cantou Heroes (1977), música gravada durante o período que Bowie passou em Berlim, do lado ocidental era possível ouvir as vozes juntas do outro lado do muro em coro.

 

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