ir para o conteúdo
Busca
Busca por data

Alguns discos clássicos já nascem grandes

Leia as críticas publicadas sobre os discos que concorrem ao melhor da música brasileira

31 de agosto de 2012 | 15h 02
Edmundo Leite

A notinha de pé de página publicada em agosto começou enfática, mas optou por um aposto cautelar: “A maior revelação de intérpretes masculinos da nossa música popular em 1958 é, até o momento, o cantor João Gilberto”.

 

Se havia alguém que pudesse superar o cantor baiano nos meses que restavam daquele ano de felicidades, ninguém sabe, ninguém viu. “João Gilberto é um dos mais musicais de nossos cantores populares, predicado que compensa amplamente o seu pequeno volume de voz”, escreveu no ano seguinte, já sem receio, o redator anônimo na apresentação do LP Chega de Saudade.

Quase 30 anos depois, acompanhando o aumento de volume das obras, o anúncio das novidades musicais viria em chamada de capa e página inteira no caderno de cultura em junho de 1986. “Cabeça Dinossauro, terceiro LP do grupo Titãs, está chegando às lojas com uma certeza: é grande surpresa do ano. Um disco nervoso, punk, chocante.”


Se nos dois casos a grandeza das obras dos artistas foi percebida logo após o nascimento (veja trechos das críticas abaixo e leia a integra nos links), nem todos dos 30 álbuns que concorrem na votação promovida pelo Caderno2+Música e a Rádio Eldorado FM para escolher o melhor disco brasileiro de todos os tempos tiveram boa recepção quando foram lançados.

Fruto Proibido, de Rita Lee, foi apedrejado sem dó por Maurício Kubrusly, no Jornal da Tarde em 1975. “Rita gravou outro LP. Antes fosse um compacto”, dizia o título. Para o crítico, apenas “Dançar para não Dançar” e “Ovelha Negra” se salvavam. “Porém, ainda é pouco, seria relaxamento demais se contentar com esta bateria escandalosa, com a desordem ruidosa da maioria dos acompanhamentos, com a falta de expressividade das vocalizações”, continuou. Para terminar, o hoje repórter do Fantástico cravou o último prego. “Uma produção adequada para os fãs do gênero hippe de butique, meio louquinha e acreditando que o rock vai ou pode mudar qualquer coisa”. Três anos antes, o disco de estreia de Raul Seixas, Krig-Há-Bandolo, havia sido recebido na mesmo tom.

Já o outro maluco do pedaço, Tim Maia, foi saudado em 1970 num texto de Carlos Vergueiro pela sua interpretação de Primavera, junto com outras nove músicas que considerava as melhores daquele ano. “Bravos aos autores, intérpretes, arranjadores e gravadoras dessas dez músicas, que se fizeram sucesso em 70, vai ficar para sempre em nosso cancioneiro popular.”

Djavan também teve seu Luz, de 1982, exaltado: “Traz o que seu título sugere: um brilho aos ouvidos e aos olhos. Traz o que há, na opinião dos críticos, de mais vanguardista na música brasileira.”

Mas nem sempre os radares estavam ligados para detectar algo de excepcional nos discos. Cinema Transcendental, de Caetano Veloso, foi apresentado sem maiores detalhamentos. Informando que o trabalho homenageava vários artistas, o pequeno texto limitou-se a dizer que se travava de “um trabalho muito simples em seus arranjos, feitos de maneira quase artesanal pelo próprio Caetano e sua banda”.

Roberto Carlos foi outro gigante que não mereceu muitas linhas sobre seu fundamental disco de 1971. Mas pelo menos o que foi dito no balanço do ano era inquestionável: “Roberto Carlos pode ser colocado, sem favor, entre os melhores intérpretes da música brasileira.”

Leia algumas das críticas publicadas na época dos lançamentos:

 CHEGA DE SAUDADE (JOÃO GILBERTO)
“João Gilberto é um dos mais musicais dos nossos cantores populares, predicado que compensa amplamente o seu pequeno volume de voz. A esse respeito, é digna de nota sua interpretação de "Desafinado". Revela, além disso, um bom gosto fora do comum na escolha das melodias gravadas neste primeiro LP e uma sobriedade na interpretação como raras vezes temos observado.” (13/3/1959)

SAMBA ESQUEMA NOVO (JORGE BEN)
“Provavelmente este LP de Jorge Ben vai seguir o mesmo caminho de seus discos de 78 rotações: desaparecerão rápido das prateleiras das lojas.” (28/11/1963)

TROPICÁLIA
“As colagens de ruídos ajudam o clima das músicas. Um dos melhores discos lançados este ano no Brasil.” (20/7/1968)

ELIS E TOM
“LP que, para surpresa do próprio Tom, o trouxe de volta ao ‘hit parade’ ou, como ele prefere dizer, ao ‘hate parade’ (parada de ódio).” (30/1/1974)

FRUTO PROIBIDO (RITA LEE)
“Ensaiaram pouco, não cortaram o suficiente. Por isso, resultou num bom compacto simples.” (1/8/1975)

DOIS (LEGIÃO URBANA)
“Você morde e vê que ali tem carne. Sangrando. O gostinho de Smiths no lado A, com o letrista e vocalista Renato Russo enchendo a boca em Daniel na Cova dos Leões ou Tempo Perdido, na verdade apena prepara o terreno para a paulada do lado B, como em Metrópole e Fábrica." (31/7/1986) 

CABEÇA DINOSSAURO (TITÃS)
“A grande surpresa do ano. Que som é esse? É um disco chocante, punk, nervoso e muito curioso. Um disco de rock-veneno, um grito. Um álbum de surpresas.” (22/6/1986)

MAIS (MARISA MONTE)
“Menos dramática, com a voz ainda mais afinada e cristalina, o que parecia impossível, Marisa chega a comover. E, definitivamente, ingressa no panteão dos titãs, em todos os sentidos.”

Viu essa página?

Alemanha 7 x 1 Brasil

A maior derrota da seleção brasileira Alemanha 7 x 1 Brasil

Veja a edição completa de 09/7/2014

Tópicos
ver todos