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Alta do petróleo fez País viver crise nos anos 1970

Choques de 1973 e 1979 levaram Brasil ao racionamento e prejudicaram balança comercial

06 de dezembro de 2014 | 0h 00
Liz Batista


A cada reajuste do preço da gasolina, longas filas se formavam nos postos. Fernando Pimentel/Estadão

Se hoje a baixa do preço do petróleo e a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) de manter os volumes de produção podem comprometer os resultados da economia brasileira no próximo ano e  preocupam a Petrobrás, que busca recuperar suas perdas após um período de represamento de preços para conter a inflação, nos anos de 1970 o País viveu  um cenário inverso. Foi a alta dos preços e a escassez do produto no mercado mundial, provocadas pelos choques do petróleo de 1973 e de 1979, que golpearam a economia nacional.


O Estado de S. Paulo - 17/11/1973 e 8/12/1973

Nos anos de 1970, o Brasil importava 70% do petróleo que consumia. Durante as crises, o petróleo chegou a subir mais de 40% em um ano. O preço da gasolina acompanhou a alta e o governo a colocou em ação medidas de racionamento. Gasolina não era vendida nos finais de semana e ficava proibido andar a mais de 80 quilômetros por hora nas estradas. As longas filas que se formavam nos postos de gasolina nas vésperas dos aumentos ainda está gravado na memória dos brasileiros que viveram o período, assim como o programa Proálcool e os investimentos feitos nas Usinas Nucleares de Angra dos Reis, soluções propagandeadas pelo governo militar para driblar a dependência do Brasil no setor energético.

O Estado de S. Paulo - 4/8/1979

Petróleo, arma política. O primeiro choque do petróleo teve início em outubro 1973, quando os países árabes membros da Opep embargaram o fornecimento de petróleo para os Estados Unidos, Japão e Europa Ocidental em represália à ocupação de territórios palestinos pelos israelenses durante a Guerra do Yom Kippur. O embargo obrigou alguns países europeus e o Japão a racionar energia e levou o mundo à recessão.Um ano antes da crise, em matéria publicada em 16 de julho de 1972, o Estado expressou sua preocupação com o uso político da commodity : “O petróleo não é somente uma fonte de riqueza. É uma arma política. Toda a atividade dos países industriais depende dele. Os hidrocarbonetos fornecem- lhes entre dois terços e três quartos da energia que os move (...)”.

O Brasil não foi diretamente atingido pela decisão da Opep, o bom relacionamento com as nações produtoras garantiu o fornecimento. No entanto, o aumento das importações afetou nossa balança comercial. O crescimento retraiu. Então, para dar fôlego ao milagre econômico, o governo passou a tomar mais empréstimos no exterior. A dívida externa do País saltou de US$ 17,2 bilhões em 1974 para US$ 43,5 bilhões em 1978. O segundo choque, em 1979, foi iniciado pela Revolução Iraniana, que derrubou o Xá Reza Pahlevi em fevereiro de 1979, e agravado pela Guerra Irã-Iraque iniciada em setembro de 1980, eventos que afetaram as exportações desses dois países. O preço do barril de petróleo bateu recordes e o mundo viveu uma nova crise. Os choques de 1973 e 1979 ajudaram a compor o precário cenário da econômica brasileira na década de 1980, com encolhimento do PIB, moratória e inflação galopante.

  
Bomba vazia em 1979. Cena comum nos tempos de racionamento. Antônio Lúcio/Estadão

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