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Alugar janela era negócio no carnaval de SP

Para acompanhar os blocos de rua, residências e comércio alugavam sacadas, janelas e portas

08 de fevereiro de 2013 | 18h 12
Carlos Eduardo Entini

Há mais de um século o carnaval agita e modifica a rotina de São Paulo. E também cria oportunidades de negócios. Para garantir um bom lugar durante os desfiles dos 'bandos carnavalesco', os paulistanos recorriam aos classificados onde eram publicadas ofertas de aluguel de sacadas, gabinetes e janelas de residências e casas comerciais. Também era ali que estava a oportunidade para aqueles que buscavam faturar uns trocados, “aluga-se uma porta para vender confetti”, publicou o Estado em 8 de fevereiro de 1902.


Passando na Rua Direita um 'bando carnavalesco' em 1905. Os balcões (esq.) e as janelas (dir.) eram alugados. Arquivo/Estadão

Ao contrário do que se imagina, desde o século 19 a cidade possui um 'circuito carnavalesco de rua' planejado e organizado pelas autoridades municipais e prestadoras de serviços públicos. Em 1897, a “inspectoria de veículos” publicou anúncio no jornal avisando os “cocheiros de carros e tilburys de praça, aos carros de particulares e outros veículos” a interdição durante os três dias de carnaval das ruas 15 de Novembro, Boa Vista, Quitanda, Comércio e Direita.

                                      
                               
Aluguel de janelas em 1906 e de portas de 1902.


Elas permaneceriam fechadas do meio-dia às 22h. Quem não respeitasse estava sujeito à multa. Por causa da interdição e do movimento dos foliões, as paradas dos bondes eram transferidas e a frequência dependia do movimento das ruas até “o momento que o transito delles fique impossibilitado pelo movimento”, alertou a companhia Light & Power, administradora do serviço.

Das janelas, sacadas e balcões alugados, os paulistanos tinham uma vista privilegiada da passagem dos grupos carnavalescos com landaus enfeitados e carros alegóricos, cadenciados pelos bumbos e cornetas do 'zé pereira'. Lá do alto também jogavam confetes e serpentinas nos 'avulsos', foliões mascarados que não pertenciam a nenhum grupo carnavalesco.


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