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Antonio Candido no Suplemento Literário

Saiba como foi idealizada a publicação e leia textos do intelectual publicados no suplemento

12 de maio de 2017 | 12h 48
Liz Batista

Treze anos antes do Suplemento Literário, Antonio Candido estreou no jornal O Estado de S.Paulo com o artigo "Plataforma da Nova Geração".  

O Estado de S. Paulo - 15/7/1943

Crítico literário e sociólogo, Antonio Candido foi um dos grandes pensadores do Brasil no século 20. Seus clássicos Formação da Literatura Brasileira (1959) e Literatura e Sociedade (1965), são considerados análises fundamentais da arte literária, da mentalidade e identidade social brasileira ao longo dos séculos. Na sua biografia marcada por obras de referência acadêmica, um projeto em particular mostra a atuação do intelectual na difusão mais ampla da cultura e do conhecimento. Antonio Candido foi o idealizador do Suplemento Literário. Um marco do jornalismo, a revista semanal de cultura circulou no jornal O Estado de S.Paulo de 6 de outubro de 1956 a 17 de dezembro de 1966.

Suplemento Literário - 06/10/1956

Entrevistado pelo jornalista Ubiratan Brasil para o Caderno2 de 8 de outubro de 2006, Antonio Candido falou sobre sua criação. Reconhecendo as particularidades da cultura de São Paulo, muito ligada à produção universitária fomentada pela USP, ele contou que buscou desenvolver uma publicação que refletisse "uma espécie de equilíbrio entre o movimento vivo da literatura e das artes e a tonalidade mais estável dos estudos universitários." Candido disse que foi “uma tentativa de associar as duas dimensões de maneira criativa e acessível, fundindo o tom de jornal com o tom de revista.”  

Suplemento Literário - 28/02/1958

As edições do Suplemento Literário são consideradas fontes histórica do pensamento crítico do seu tempo sobre os mais diversos temas ligados à arte e cultura. Dirigido por Décio de Almeida Prado o caderno contava com um quadro de colaboradores de peso, nomes fortes da crítica literária, cinematografia, antropologia, sociologia, história e etc. Entre eles estavam Wilson Martins, Paulo Emilio Salles Gomes, Ruy Coelho e Lívio Xavier e o próprio Antonio Candido.

 Suplemento Literário - 11/01/1958

O  primeiro número da revista foi apresentado num texto de Décio de Almeida Prado, onde ele dizia "O Suplemento não será jornalístico, nem no alto nem no baixo sentido do termo (…) O jornal , por definição, por decorrência, poder-se-ia dizer, da própria etimologia da palavra, vive dos assuntos do dia (...) A perspectiva do Suplemento tinha, pois de ser outra, mais desapegada da atualidade, mais próxima da revista que, visando sobretudo a permanência, pode dar-se ao luxo de considerar mais vital a crônica dos amores de um rapaz de 18 e uma menina de 15 anos na Verona pré-renascentista, do que qualquer fato de última hora, pelo motivo de que as crises, as guerras, até os impérios, passam com bem maior rapidez que os mitos literários (…)."

Antonio Candido havia criado mais um clássico, mais uma obra de referência, perene e constante em sua relevância.

Suplemento Literário - 27/02/1960

Caderno Especial dos 400 anos de São Paulo

 

Leia também:

>Três aspectos de Antonio Candido, por Macedo Dantas 

>Antonio Candido no Suplemento Literário


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