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As condenações de José Dirceu

Político foi sentenciado pela ditadura militar e também foi condenado pelo STF por corrupção

18 de maio de 2016 | 11h 36
Estadão Acervo

Dirceu preso no congresso da UNE, Ibiúna, 1968, e preso pela PF na Lava-Jato em 2015

Fotos:Alfredo Rizzutti/ Estadão e Dida Sampaio/ Estadão


Preso na operação Lava-Jato, José Dirceu recebeu hoje sua terceira condenação judicial, a segunda por corrupção. Nesta quarta-feira, 18, o juiz Sérgio Moro condenou o ex-ministro da Casa Civil a 23 anos e 3 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.  

As outras duas vezes em que José Dirceu foi réu foram momentos que definiram seus 45 anos de vida política. Se a primeira condenação é um símbolo de luta por sua atuação na resistência contra a ditadura militar, a segunda sentençarecebida quatro décadas depois, colocou Dirceu no pequeno rol de políticos de primeiro escalão condenados por corrupção no Brasil, durante o julgamento do Mensalão no Supremo Tribunal Federal, em 2012.


O Estado de S.Paulo, 13/10/1968

 

A primeira condenação de Dirceu foi pela participação no histórico congresso da UNE em Ibiúna, em 1968. Preso junto com todos os estudantes do encontro, foi sentenciado a 14 meses em 21de agosto de 1969. O cárcere não duraria muito. Dias após a condenação, ele seria libertado com os demais presos políticos trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado por militantes de esquerda. Exilado para Cuba, foi também condenado ao banimento pelo regime militar. 



 

 
José Dirceu, quando líder estudantil, é  preso por agentes da ditadura  no congresso da UNE em Ibiúna, 1968. Alfredo Rizzutti/ Estadão

Trajetória. Estudante de cursinho em 1964, José Dirceu de Oliveira ingressou na Faculdade de Direito da PUC em 1965. Iniciou no movimento estudantil sua carreira política. Numa eleição confusa, em outubro de 1967, tornou-se presidente da extinta União Estadual dos Estudantes (UEE). Nas assembleias e nos comícios relâmpagos, seu discurso político e talento oratório mobilizavam os ouvintes. Comandou as passeatas de São Paulo em 1968, liderou os estudantes que instigaram a greve operária em Osasco e ganhou notoriedade durante a Batalha da Maria AntôniaMeses depois, era cotado como favorito para presidir a UNE, entidade ilegal no período da ditadura, mas mantida viva pelos estudantes que se organizavam contra a repressão. A operação em Ibiúna impediu a eleição do presidente da entidade e prendeu todos os líderes do movimento estudantil. No exílio, fez uma cirurgia plástica e curso de guerrilha. Retornou ao Brasil em 1975. Sob identidade falsa, viveu no interior do Paraná até a anistia em 1979.


O Estado de S. Paulo, 31/3/2004




O Estado de S.Paulo, 09/9/1969



Organizador de diferentes setores da esquerda, ele está entre os fundadores do PT. Foi deputado estadual e federal por São Paulo e em 1995 se tornaria o presidente do partido.
Com a vitória de Lula e a chegada do PT ao governo federal, Dirceu foi nomeado ministro-chefe da Casa Civil.

Por sua influência, era apontado como sucessor natural de Lula. A denúncia do mensalão pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson, derrubou Dirceu e, depois, fez dele réu.

Leia também:
>> José Dirceu: 45 anos de vida política

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