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As duas condenações de José Dirceu

Político foi sentenciado pela ditadura nos anos 60 e condenado pelo STF por corrupção

09 de outubro de 2012 | 20h 14
Estadão Acervo

As duas vezes em que José Dirceu foi réu em julgamentos traçam momentos definidores dos seus 45 anos de vida política. Se a primeira condenação é um símbolo por sua atuação na resistência contra a ditadura militar, a outra sentença recebida quatro décadas depois coloca Dirceu no pequeno rol de políticos de primeiro escalão condenados por corrupção no Brasil.

A primeira condenação de Dirceu foi pela participação no histórico congresso da UNE em Ibiúna, em 1968. Preso junto com todos os estudantes do encontro, foi sentenciado a 14 meses em 21de agosto de 1969. O cárcere não duraria muito. Dias após a condenação, ele seria libertado com os demais presos políticos trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado por militantes de esquerda. Exilado para Cuba, foi também condenado ao banimento pelo regime militar.

O Estado de S.Paulo, 13/10/1969




Trajetória. Estudante de cursinho em 1964, José Dirceu de Oliveira ingressou na Faculdade de Direito da PUC em 1965. Iniciou no movimento estudantil sua carreira política. Numa eleição confusa, em outubro de 1967, tornou-se presidente da extinta União Estadual dos Estudantes (UEE). Nas assembleias e nos comícios relâmpagos, seu discurso político e talento oratório mobilizavam os ouvintes. Comandou as passeatas de São Paulo em 1968, liderou os estudantes que instigaram a greve operária em Osasco. Meses depois, era cotado como favorito para presidir a UNE, entidade ilegal no período, mas mantida viva pelos estudantes que se organizavam contra a repressão. A operação policial em Ibiúna impediu a eleição e prendeu todos os líderes do movimento estudantil. No exílio, fez uma cirurgia plástica e curso de guerrilha. Retornou ao Brasil em 1975, vivendo com identidade falsa no interior do Paraná até a anistia em 1979.


O Estado de S. Paulo, 31/3/2004





O Estado de S.Paulo, 09/9/1969





Organizador de diferentes setores da esquerda, está entre os fundadores do PT. Foi deputado estadual e federal por São Paulo e em 1995 se tornaria o presidente do partido.
Com a vitória de Lula e a chegada do PT ao governo federal, Dirceu foi nomeado ministro-chefe da Casa Civil.

Por sua influência, era apontado como sucessor natural de Lula. A denúncia do mensalão pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson, derrubou Dirceu e, depois, o pôs como réu. Ao contrário da primeira vez, quando a condenação pelo arremedo de Justiça Militar foi praticamente sumária, desta vez o processo se arrastaria por anos até ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

>> José Dirceu: 45 anos de vida política

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