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Avião será veículo de passageiros, previu Dumont

Em 1916, Santos Dumont falou ao Estado sobre o futuro da aviação e sobre casamento

23 de julho de 2012 | 16h 54
Liz Batista


Rotogravura, 22/12/1932

Hoje completam 80 anos da morte de Alberto Santos Dumont. Dezesseis anos antes, cheio de perspectivas positivas, Dumont concedeu rara entrevista ao Estado.  Na ocasião, falou sobre o futuro da aviação, que depois da guerra, na sua opinião, se voltaria para o transportes de passageiros. O aviador  também esclareceu boatos sobre um possível casamento.

O inventor do avião chegava a São Paulo depois de uma viagem feita por terra do Chile, passando pela Argentina e Foz do Iguaçu. Só no trecho entre Buenos Aires e Foz foram seis dias de viagem.

Chegando à capital paulista, Santos Dumont, autoridade mundial da aviação que acabara de representar os Estados Unidos no Congresso Pan-Americano de Aviação no Chile, passou quase desapercebido, sem que  ninguém lhe oferecesse homenagem ou recepção.

 

O Estado de S.Paulo, 11/5/1916


Ao Estado, Dumont negou o boato que havia se casado com uma argentina, "mentira, não houve nada, nem flerts", "parece que aqui não se tem o direito de ser solteiro", ironizou, sobre a onda de boatos que se referiam à sua vida particular.

Sobre os avanços da aviação, Dumont fez previsões sobre  o uso do avião no transporte de passageiros “(...) teremos então o aproveitamento definitivo do aeroplano como meio de transporte. Na América, principalmente, onde há deficiência de estradas de ferro, é que o aeroplano poderá prestar relevantíssimos serviços, não só como meio de transporte postal, mas ainda veículo de passageiros”.

Na mesma entrevista, concedida em meados da Primeira Guerra Mundial,  em 1916, o inventor brasileiro ao tratar das possibilidades abertas pelo aeroplano, afirmou acreditar que, com o término do conflito, as fábricas voltadas para o esforço de guerra se direcionariam para outros mercados, entre eles o da aviação comercial.

Suas previsões se realizaram. Mas os progressos mecânicos e tecnológicos não voltaram-se apenas para a melhoria e conforto das sociedades em tempos de paz.

Ele mesmo pôde testemunhar o contrário. Alguns afirmam que foi a visão do emprego de aviões nos combates da Revolução de 32 que teriam levando-o ao suicídio, em 23 de julho de 1932.

O Estado de S.Paulo, 24/7/1932



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