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Brasão de São Paulo completa 100 anos

Projeto original tinha erro de heráldica corrigido seis décadas depois

08 de março de 2017 | 12h 03
Carlos Eduardo Entini

Em 8 de março de 1917 a cidade São Paulo oficializava seu primeiro brasão de armas da cidade. Depois de 364 anos de história, a cidade não ganhava só um distintivo, mas também um lema: 'non ducor, duco', isto é, não sou conduzido, conduzo. O símbolo da cidade de São Paulo foi escolhido através de concurso instituído em 1915.


Reprodução do brasão vencedor publicado no Estadão em 11/3/1917. Acervo/Estadão


A escolha final do brasão foi divulgada em 16 de fevereiro de 1917, mas só em em 8 de março ele foi oficializado pelo prefeito Washington Luís com a publicação do ato nº 1.057 (ver imagem abaixo). O brasão de armas vencedor foi criado pelo artista plástico Wasth Rodrigues em parceria com o poeta Guilherme de Almeida, autor da frase em latim. 


No ato 1.057 de 1917 estão as especificações de como é o brasão de armas de São Paulo

O concurso. A busca por um brasão de armas para o município começou oficialmente em 3 de dezembro 1915 quando o prefeito Washington Luís publicou no Diário Oficial do Município a lei instituindo o concurso. Mas as regras só foram publicadas mais de um ano depois em 16 de fevereiro de 1916 (ato nº 867). No ato as armas da cidade deveriam compreender 'um escudo, com suas côres, metaes, peças e figuras, e também os ornamentos exteriores tudo adoptado e disposto de accôrdo com as regras da arte heraldica'. 

As regras davam plena liberdade de criação, mas deveriam simbolizar o passado da cidade. Entretanto, seriam excluídos do concurso os projetos que tivessem 'erros technicos ou concepções monstruosas'. Isso explica porque apenas 32 projetos foram selecionados no lugar dos 37 apresentados. Os projetos foram expostos ao

público durante 30 dias, também conforme estipulava as regras do concurso. O local escolhido foi um "palacete de propriedade do conde de Prates, em construcção á rua Libero Badaró"

Além da exposição, os 32 trabalhos foram publicados nas páginas do Estadão (ver as imagens na galeria). Porém para a comissão julgadora, nenhum deles  mereceria se tornar o brasão de armas da cidade. Dos 32 trabalhos selecionados, a comissão julgadora destacou alguns.

Entre eles o de nº 32 pela "feliz inspiração de sua divisa 'Non duco, duco' que, na realidade resume toda a história de São Paulo e exprime de um modo eloquente as velhas tradições de seu povo". Portanto, pode-se dizer que metade do brasão foi escolhido no primeiro concurso com a frase de Guilherme de Almeida.


O Estado de S. Paulo - 11/3/1917


Não ter nenhum projeto vencedor não era nada demais, pois as regras de 1916 previam um novo concurso caso 'o jury entenda que nenhum dos projectos merece classificação'. A segunda etapa foi aberta e todo o processo se repetiu. Os jurados se reuniram em 16 de fevereiro de 1917 para escolher o vencedor. E o vencedor foi o projeto de número 7. 

Erro. Em 1974, a Sociedade Brasileira de Heráldica enviou à Câmara dos Vereadores uma carta apontando um erro no projeto do brasão de armas (imagem ao lado). Da maneira que foi concebido, com quatro torres, indicaria não uma cidade, mas uma aldeia nas regras da heráldica (ver imagem acima). Em 2 de outubro daquele ano foi reparado o erro com a publicação da lei nº 8.129 assinada pelo prefeito Miguel Colassuono. Desde então a parte de cima passa a ter "coroa mural de ouro, de oito torres, contendo cada torre três ameias, duas janelas e uma porta" ao invés de "mural d'ouro, de quatro torres, com três ameias e sua porta cada uma" (imagem abaixo).

Se na época do concurso o erro tivesse sido percebido o projeto de Guilherme e Wasth Rodrigues teria sido desclassificado, porque o artigo 3º das regras do concurso deixava claro que a criação do brasão deveria estar de "accôrdo com as regras da arte heraldica". Para os projetos que contivessem erros técnicos, como a questão das torres, seriam excluídos, conforme o artigo nº 10 das regras.







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