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Brasileiros vão às urnas pela 22º vez escolher presidente

Já são 125 anos desde a criação do cargo; conheça a história de todas as eleições presidenciais

25 de outubro de 2014 | 16h 26
Estadão Acervo

Com a eleição de 2014, o Brasil terá seu 22º presidente eleito por voto direto em 125 anos de eleições presidenciais, desde que os militares mandaram para o exílio o imperador d. Pedro II e puseram no comando o primeiro presidente do regime republicano – o marechal Deodoro da Fonseca, em 15 de novembro de 1889.

Nessa trajetória, dois presidentes não tomaram posse (Júlio Prestes e Tancredo Neves), nove assumiram o poder por via indireta, duas juntas militares estivaram no comando do País e seis vices e cinco interinos ocuparam o cargo.

Acompanhe, abaixo, os ciclos que alternaram voto direto e escolhas indiretas, pelos quais o País passou e conheça todos os políticos que ocuparam o cargo de presidente, seja ele eleito, indicado ou interino.  

REPÚBLICA VELHA - 1889-1930

Deodoro da Fonseca
Eleição indireta em 25/2/1891
Período: 15/11/1889 - 25/2/1891 e 25/2/1891 - 23/11/1891  

Foi com a publicação de uma lista que os recém-cidadãos brasileiros souberam do novo governo (imagem). Deodoro da Fonseca proclamou a República em 15 de novembro de 1889 e chefiou o governo provisório. Em 25 de janeiro de 1891, foi eleito presidente pelo Congresso Constituinte. Deodoro enfrentou grave crise política e econômica - e resistência no meio militar. Reagiu a uma tentativa do Congresso de limitar seus poderes dissolvendo-o. Renunciou em 23 de novembro, sob pressão da 1.ª Revolta da Armada.
   
Floriano Peixoto

Período: 23/11/1891 - 15/11/1894
 

Vice de Deodoro, assumiu após a renúncia do titular e enfrentou duas rebeliões: a 2.ª Revolta da Armada, resultado de conflitos entre o Exército e Marinha, no Rio de Janeiro, e a Revolução Federalista, iniciada no Rio Grande do Sul. Para manter a ordem, recorreu ao estado de sítio, enquanto tentava organizar as instituições republicanas. Governou até 15 de novembro de 1894.
   
Prudente de Morais
 Eleição em 1/3/1894
Mandato: 15/11/1894 – 15/11/1898
 

Representante da oligarquia cafeeira paulista, Prudente de Morais foi o primeiro presidente eleito diretamente no País. Seu grande desafio foi enfrentar a guerra no Arraial de Canudos, no sertão da Bahia. Os primeiros anos de mandato foram marcados pelo conflito entre a oligarquia liberal dos Estados Unidos e os republicanos florianistas. A tensão culmina em uma tentativa de assassinar o presidente, que esfacela a oposição e abre portas para a oligarquia se instalar no poder. Os militares voltam aos quartéis.
   
Campos Salles
 Eleição em 1/3/1898
Mandato: 15/11/1898 - 15/11/1902
 
Ex-governador de São Paulo teve seu mandato marcado pelo combate à inflação`, à desvalorização da moeda e renegociação da dívida externa. A presidência do paulista Campos Sales significou o triunfo dos Estados no governo federal. Por meio da 'política dos governadores' as oligarquias estaduais permaneceriam no poder até 1930. Foi Campos Sales, também, quem negociou o Funding Loan, o reescalonamento da dívida brasileira, que gerou deflação mas trouxe falências, desemprego e crise social. Ao contrário de seu antecessor, o presidente deixou o Catete sob vaias da população do Rio e do Amapá, Estado incorporado ao País naquela época.
   
Rodrigues Alves
Eleição em 1/3/1902
Mandato: 15/11/1902 - 15/11/1906
 

Adotou na capital da República um ousado programa de reurbanização e saneamento, em meio a surtos de febre amarela e varíola. A vacinação obrigatória causou uma revolta popular em 1904. O paulista Rodrigues Alves foi responsável pela transformação do cenário urbano do Rio de Janeiro no início do século, que acabou por levar a população desalojada a se revoltar contra a obrigatoriedade da vacinação. No campo econômico, o período foi marcado pelo plano de valorização do café feito durante o Convênio de Taubaté e pelo auge do ciclo da borracha. Foi, também, quando a região do Acre é anexada ao País. Rodrigues Alves deixou a presidência com grande prestígio: 'o grande presidente', como era chamado.
   
Afonso Pena
Eleição em 1/3/1906
Mandato: 15/11/1906 - 14/6/1909
 

Unanimidade nas urnas, Afonso Pena foi o primeiro presidente mineiro. Trouxe novos nomes ao cenário político brasileiro e reduziu a influência dos Estados no governo federal. Seu governo apostou na colonização e saneamento do interior do País, na expansão da malha ferroviária e na reorganização do Exército. Manteve o programa de reaparelhamento de ferrovias e portos do seu antecessor e reorganizou o Exército.
   
Nilo Peçanha
Presidente interino
Mandato: 14/6/1909 – 15/11/1910
 

Vice de Afonso Pena, Nilo Peçanha assumiu o governo após a morte do presidente e em meio à campanha sucessória entre São Paulo e Minas. Em pouco mais de um ano de mandato reformulou seu ministério, criou o Serviço de Proteção aos Índios.
   
Hermes da Fonseca
Eleição em 1/3/1910
Mandato: 15/11/1910 - 15/11/1914
 

Foi o primeiro militar a chegar à Presidência pelo voto direto. Gaúcho, pôs fim à alternância de poder entre paulistas e mineiros. Criou a faixa presidencial por decreto. O governo do militar Hermes da Fonseca é marcado por crises sociais, políticas e econômicas. Hermes enfrentou as Revoltas da Chibata, do Juazeiro e a Guerra do Contestado, a crise da Política das Salvações, a renegociação da dívida externa. No seu mandato acabou o ouro, caíram a receita pública e as exportações de borracha.

 
Venceslau Brás
Eleição em 1/3/1914
Mandato: 15/11/1914 - 15/11/1918
 

A vitória do mineiro Venceslau Brás representou o restabelecimento da política dos governadores. No seu mandato teve início a política de substituição das importações e a prática da responsabilidade fiscal. Venceslau promulgou o primeiro Código Civil brasileiro, enfrentou a Guerra do Contestado, a gripe espanhola, a primeira greve geral do Brasil e declarou guerra à Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial.
   
Rodrigues Alves
Eleição em 1/3/11918
Mandato: 15/11/1918 - 28/7/1919
 
O paulista Rodrigues Alves teria sido o primeiro presidente a voltar ao posto, pois chegou a ser eleito para um novo mandato. Mas morreu antes de tomar posse, vitimado pela gripe espanhola. Foi substituído pelo vice Delfim Moreira.
   
Delfim Moreira (vice-presidente)
Presidente interino
Delfim Moreira assumiu a presidência interinamente por quase oito meses após a morte de Rodrigues Alves, que morrera em decorrência da gripe espanhola. Com saúde debilitada, Delfim permitia que as decisões fossem tomadas pelo ministro da Viação e Obras Públicas, Afrânio de Melo Franco. Seu governo foi marcado ainda por alta na inflação e greve geral no Rio.
   
Epitácio Pessoa
Eleição em 13/4/1919
Mandato: 28/7/1919 - 15/11/1922
 
O governo Epitácio Pessoa promoveu certo desenvolvimento do Nordeste, mas o período foi crítico, sinal do desgaste da política dos governadores. Exemplos disso foram a Reação Republicana e Revolta do Forte de Copacabana, que dão início a série de rebeliões militares nos anos 1920. Durante seu mandato foi fundado o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e aconteceu a Semana da Arte Moderna de 1922, em São Paulo.
   
Artur Bernardes
Eleição em 1/3/1922
Mandato: 15/11/1922 - 15/11/1926
 
Artur Bernardes enfrentou a oposição das revoltas tenentistas e do movimento operário. O Brasil ficou em estado de sítio durante os quatro anos de seu mandato. Artur Bernardes assumiu e devolveu o país sob estado de sítio: prendeu adversários, censurou a imprensa, decretou intervenção federal nos estados do Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul. Enfrentou com violenta repressão a Coluna Prestes, as revoltas tenentistas no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Promoveu reforma na Constituição de 1891 e, apesar de tudo, conseguiu eleger o último presidente representante da oligarquia dos estados: Washington Luís, com 98% do votos.
   
Washington Luís
Eleição em 1/3/1926
Mandato: 15/11/1926 - 24/10/1930
 

Candidato único nas eleições de 1926, Washington Luís foi o último representante da política dos governadores. Promoveu a reforma dos portos, inaugurou rodovias, criou a polícia rodoviária federal e tentou, sem sucesso, estabilizar as finanças. Mas a quebra da Bolsa de Nova York e a cisão entre as elites nos Estados colaboraram para a eclosão da revolução que depôs o governo em 1930. Chegava ao fim a República Velha.
   
Júlio Prestes
Eleição em 1/3/1930
Eleito, mas não tomou posse
 

Representante da oligarquia paulista, Júlio Prestes venceu o gaúcho Getúlio Vargas, da Aliança Liberal, nas eleições de 1930 para a presidência do país, com 1.091.709 dos 1.890.524 votos em eleição que foi marcada por fraudes. Chegou a ser recebido nos Estados Unidos, França e na Inglaterra como presidente, mas não assumiu o governo. Quem o fez, provisoriamente, foi a junta militar composta pelos generais Tasso Fragoso, Mena Barreto e pelo almirante Isaías de Noronha, que depuseram e prenderam o presidente Washington Luís em 24 de outubro, durante a Revolução de 1930.

   

REPÚBLICA NOVA - 24/10/1930 A 1937

Era Vargas. A era Vargas, entre a chegada de Getúlio ao poder, em outubro de 1930, e sua saída em meados de 1945, significou um hiato de 16 anos na escolha de um presidente pelos eleitores. Só em 1946 o País teria no comando um nome consagrado nas urnas – no caso, o general Eurico Gaspar Dutra. Ele derrotou, por mais de 3,2 milhões de votos, o rival Eduardo Gomes, que teve 2,05 milhões, e mais dois rivais, Yedo Fiúza (cerca de 560 mil votos) e Mário Rolim Telles (10 mil votos).
   
Junta Militar
 
24/10/1930 - 3/11/1930
 
Os generais Tasso Fragoso e Mena Barreto e o almirante Isaías de Noronha assumiram o Poder Executivo por 10 dias. Foi a vitória das forças estaduais e de rebeldes do Exército sobre o Governo Federal. Em 3 de outubro de 1930, Tasso Fragoso nomeou Getúlio Vargas chefe do governo provisório.
   
Getúlio Vargas
Eleito indiretamente
Mandatos: 3/11/1930 - 20/7/1934 e 20/7/1934 - 10/11/1937
 


Getúlio Vargas assumiu o governo provisório após a Revolução de 1930. O caráter centralizador, nacionalista e paternalista do governo federal apareceram logo cedo: Vargas suspendeu a Constituição, substituiu os governadores dos estados por tenentes interventores, criou os ministérios do Trabalho, Educação e Saúde, assumiu a política de valorização do café. Durante seu governo foi criada a Ação Integralista Brasileira, de caráter fascista. Vargas enfrentou a Revolução Constitucionalista de 32, promulgou a Constituição de 1934 e foi eleito indiretamente presidente pela Assembleia Constituinte. 
Vargas foi eleito presidente pelo Congresso em 1934. O governo foi marcado pelo antagonismo entre a AIB e a ANL. A Intentona Comunista de 1935 endureceu a repressão contra os dissidentes do governo. Sem intenção de deixar o Catete em 1938, Vargas forja o Plano Cohen, que esvazia ainda mais a oposição ao seu governo, e instala a ditadura do Estado Novo
   
 
ESTADO NOVO - 1937 A 1945
   
   
Getúlio Vargas

Período: 10/11/1937 - 29/10/1945
 
Getúlio Vargas comandou um golpe militar que fechou o Congresso, dissolveu os partidos e pôs fim à autonomia estadual. O Estado Novo, assim como muitos regimes políticos da época, instituiu mecanismos autoritários de controle social e consolidou a supremacia do poder executivo federal sobre o legislativo e as elites estaduais. Criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) para insuflar o nacionalismo nas massas, promover o novo regime e censurar diversas mídias de acordo com os interesses ideológicos do estado. Ao mesmo tempo criou as bases da indústria pesada e de transformação, como a siderurgia, e as leis trabalhistas, vigentes até hoje.
   
José Linhares
Presidente interino
Período: 29/10/1945 - 31/1/1946


José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal, assumiu a Presidência após a renúncia de Vargas com a tarefa de realizar eleições gerais do País. Ficou três meses no poder: substituiu os interventores dos estados, revogou a lei antitruste e dedicou-se, com afinco, a contratar parentes para trabalhar no Catete.

 4ª REPÚBLICA 1945 - 1964

Eurico Gaspar Dutra
Eleição em 2/12/1945
Mandato: 31/1/1946 - 31/1/1951
 

Dutra foi o único presidente mato-grossense. Seu governo representou a consolidação dos políticos conservadores. Instituiu a democracia representativa por meio da Constituição de 1946 e, já no contexto da Guerra Fria, aproximou o País dos Estados Unidos, colocou o PCB na ilegalidade e rompeu as relações com a União Soviética. Fechou cassinos e entregou a presidência para Getúlio Vargas, agora eleito pelo voto direto.
   
Getúlio Vargas
Eleição em 3/10/1950
Mandato: 31/1/1951 - 24/8/1954
 

Vargas assumiu a Presidência pelo voto direto. O mandato foi marcado pelo antagonismo entre nacionalistas e "entreguistas" e por greves e turbulências dos trabalhadores. Vargas investiu na industrialização e no combate à inflação. No decorrer do mandato perdeu o apoio político e, após o atentado fracassado contra Carlos Lacerda, seu maior opositor, recebeu ultimato das Forças Armadas para renunciar ao cargo. O presidente atirou contra o peito nos seus aposentos do Palácio do Catete.

 
Café Filho
Presidente interino
Mandato: 24/8/1954 – 11/11/1955
 
  Vice de Getúlio Vargas, Café Filho assumiu a presidência após o suicídio de Getúlio Vargas, período de grande comoção e instabilidade. O ministério de Café Filho reuniu diversos opositores do ex-presidente. Na área econômica também combateu a corrente nacionalista dos aliados getulistas. Organizou as eleições de 1955, mas em meio à turbulência política provocada pela vitória de JK, sofreu um enfarte que o afastou do poder.
   
Carlos Luz Presidente interino
 Mandato: 8/11/1955 - 11/11/1955  
 Carlos Luz, então presidente da Câmara dos Deputados, assumiu a Presidência após o enfarte de Café Filho. Foi impedido de governar após o 11 de novembro, movimento legalista cujo objetivo era assegurar a posse de JK e Jango, presidente e vice eleitos. Após quatro dias de mandato, Luz foi substituído pelo vice-presidente do Senado, Nereu Ramos.
   
Nereu Ramos
Presidente interino
Mandato: 11/11/1955 – 31/1/1956
 

Nereu Ramos assumiu a Presidência após o impedimento de Carlos Luz e durante o afastamento de Café Filho, hospitalizado após enfarte. O Congresso, no entanto, impede o retorno de Café Filho. Até a posse de Juscelino, Ramos governa sob estado de sítio convocado pelo Congresso, a pedido dos ministros militares.

 
Juscelino Kubitschek
Eleição em 3/10/1955
Mandato: 31/1/1956 - 31/1/1961
 

Desenvolvimento foi a palavra de ordem do governo JK. Seu mandato foi estável politicamente e ancorado no Plano de Metas. JK construiu Brasília, criou a Sudene, investiu no setor automobilístico, impulsionou o País para a modernidade. Surgia a Bossa Nova. Mas o progresso teve seu custo: gerou uma crise financeira provocada por altas taxas de juros e desvalorização da moeda.
   
Jânio Quadros
Eleição em 3/10/1961
Mandato: 31/1/1961 - 25/8/1961


Jânio Quadros elegeu-se sob o símbolo da vassoura, com a qual varreria a corrupção e a desordem. O ícone acabou relacionado a proibições folclóricas, como corridas de cavalos em dias úteis. Foi conservador na política interna, mas ousado ao se aproximar dos países socialistas no contexto da Guerra Fria. Jânio renunciou ao ser acusado de planejar um "golpe" para expandir o poder do Executivo.
   
Ranieri Mazzilli Presidente interino
Mandato:  25/8/1961 - 8/9/1961
 
  Mazzilli assumiu a presidência interinamente após a renúncia de Jânio Quadros e a ausência do vice João Goulart, em missão oficial na China. Ministros militares tentaram impedir a posse de Jango, mas movimento pela manutenção da legalidade, organizado por Leonel Brizola, ganhou força no País. Para aplicar a desconfiança militar e reduzir o poder do presidente, o Congresso instituiu o parlamentarismo, cuja manutenção seria definida por meio de plebiscito antes do final do mandato de Goulart.
   
João Goulart
 Mandatos: 8/9/1961 - 24/1/1963 e 24/1/1963 - 31/3/1964
 
 

O vice-presidente João Goulart assume a Presidência com seus poderes restringidos pelo sistema parlamentarista. Em janeiro de 1963 Jango recupera seus plenos poderes de governo após plebiscito em que o presidencialismo obteve ampla vitória. Apesar das medidas ponderadas nessa primeira parte do mandato, o governo Jango foi marcado por forte crise política, econômica e social, que desembocaria no Golpe Militar de 1964.

No período presidencialista, Jango retoma reformas de base amplas, entre elas a agrária. Com os setores sociais divididos e sem apoio político, o presidente demonstra inclinação para a esquerda durante o Comício Central. Em protesto, mais de 500 mil pessoas integram a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, organizada pelo setor conservador da Igreja. Em nome da segurança nacional, é deposto pelos militares.

   
   

DITADURA MILITAR - 1964 A 1985

Cindo generais presidentes eleitos indiretamente: Castelo Branco, Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto  Geisel e João Figueiredo, e uma Junta Militar por breve período, governaram o Brasil durante o período de exceção, de 1964 a 1985.
   
Ranieri Mazzilli
Presidente interino
Mandato: 2/4/1964 - 15/4/1964
 
Ranieri Mazzilli assumiu mais uma vez a presidência por conta da deposição de João Goulart. Mas não estava sozinho: uma junta militar formada pelos três ministros militares tinha o comando do País. Foi essa junta que proclamou o Ato Institucional n.º 1, o primeiro da ditadura militar.
   
Castelo Branco
 
Mandato: 15/4/1964 - 15/3/1967
 

Escolhido pelos militares, o Marechal Castelo Branco teve seu nome referendado pelo Congresso . Durante o mandato foi criado o Serviço Nacional de Informações, foram editados os Atos Institucionais número 2, 3 e 4 e a nova Constituição foi promulgada. Era o início de uma ditadura militar que duraria 20 anos. Castelo conseguiu sanar as finanças públicas via Plano de Ação Econômica do Governo e se aproximou dos Estados Unidos no campo externo.

 
Costa e Silva
 
Mandato: 15/3/1967 - 31/8/1969
 

Costa e Silva deu início ao período linha-dura do regime, com violenta repressão às manifestações estudantis e operárias e a aprovação do AI-5. Surgiram movimentos armados contra o regime, como a ALN, MR-8, AP e VPR. No campo econômico, o governo conseguiu combater a inflação e recuperar a indústria. Costa e Silva sofreu um derrame e foi afastado do governo em 1969.
   
Junta Militar
 
Período: 31/8/1969 - 30/10/1969
 

Os ministros do Exército Aurélio Lyra Tavares, da Marinha Augusto Rademaker e da Aeronáutica Márcio de Souza Mello assumiram o poder após o derrame de Costa e Silva. Nos dois meses que ficaram no poder, tiveram que administrar o sequestro do embaixador dos EUA, baixaram diversos atos institucionais e instituíram nova Lei de Segurança Nacional.
   
Emílio Garrrastazu  Médici
 
Mandato: 30/10/1969 - 15/3/1974
 

Médici endureceu o regime ainda mais. Instituiu a censura prévia a livros e periódicos e delegou aos DOI-CODI a tarefa de perseguir os que se opunham ao regime. Durante seu mandato, a prática da tortura, ainda que condenada em público, aumentou.
   
Ernesto Geisel
 
Mandato: 15/3/1974 - 15/3/1979
 

Geisel iniciou um lento processo de abertura política com pinceladas antidemocráticas, como a criação da Lei Falcão e o pacote de Abril. O programa Proálcool é lançado para incentivar a substituição do petróleo pelo álcool e, no campo trabalhista, o movimento operário do ABC ganhou força. O caso mais emblemático do período foi a tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog.
   
João Figueiredo
 
Mandato: 15/3/1979 - 15/3/1985
 
  Assumiu o mandato sob a promessa de realizar a abertura política no País. Cumpriu a palavra, primeiro decretando a anistia aos punidos pelos atos de exceção do regime militar, efetivamente libertando presos políticos e permitindo o retorno de exilados. Em seguida, realizou a reforma partidária que acabou com o bipartidarismo. Apesar das medidas em direção à abertura, uma série de atentados - o principal deles, no Riocentro - ameaçou o processo. O movimento das Diretas, ainda que não tenha alcançado seu objetivo, marcou o fim do mandato de Figueiredo e encenou o período de governos militares no Brasil.

REDEMOCRATIZAÇÃO - 1985

A retomada democrática, em março de 1985, ainda ocorreu por via indireta: um colégio eleitoral escolheu Tancredo Neves e seu vice, José Sarney – que com a morte de Tancredo, governou em seu lugar. A agitada rotina de uma disputa presidencial envolveu um eleitorado de quase 80 milhões de brasileiros em 1989, quando Fernando Collor de Mello teve, em 2.º turno, 35 milhões de votos, contra 31 milhões de Luiz Inácio Lula da Silva.


Tancredo Neves
Eleição em 15/1/1985
Não assumiu
 

Foi eleito pelo Colégio Eleitoral derrotando Paulo Maluf, 480 votos contra 180, e representava a chegada da oposição ao poder e a esperança da volta da democracia ao País. Era o fim do período de 21 anos de militares na presidência da República. Sua morte, sem assumir o cargo, o fez passar para a história como presidente que poderia ter sido.


José Sarney

Mandato: 15/3/1985 - 15/3/1990


O governo de José Sarney foi marcado pelo respeito às liberdades democráticas, tendo como maior símbolo desse esforço a promulgação da Constituição de 1988. Mas o período não foi tranquilo: a violência no campo deixou vítimas, sua base aliada peemebedista sofreu um racha, e os altos índices de inflação e as denúncias de corrupção derrubaram sua popularidade. Originalmente indicado pelo Colégio Eleitoral para a vice-presidência, assumiu o lugar de Tancredo Neves, que adoeceu um dia antes da posse, falecendo em seguida. Ainda em eu governo seriam realizadas as primeiras eleições presidenciais em 29 anos.
   
Fernando Collor
Eleições em 15/11/1989 (1º turno) e 17/12/1989 (2º turno)
Mandato: 15/3/1990 - 29/12/1992
 
Fernando Collor de Mello foi o presidente mais jovem do País e o primeiro a ser eleito pelo voto direto depois do regime militar. Logo que assumiu, decretou o confisco das cadernetas de poupança e mudou a moeda para o cruzeiro. Assinou a criação do Mercosul e abriu o País para as importações. Mas seu governo ficou conhecido mesmo pela relação com o tesoureiro PC Farias e os escândalos de corrupção, que resultaram em um pedido de impeachment e em sua renúncia.
   
Itamar Franco
 
Mandato: 29/12/1992 - 1/1/1995
 

Durante o seu mandato, Itamar Franco assumiu e cumpriu a missão de estabilizar a inflação por intermédio do Plano Real. Ao mesmo tempo, o governo promoveu ajustes fiscais e privatizações para aliviar as despesas da máquina. Foi ainda nesse período que ocorreu o plebiscito para a escolha do regime e da forma de governo. Suas estripulias no carnaval e sua determinação em trazer de volta o fusca marcaram o folclore em torno de sua presidência. Itamar tinha sido eleito em 1989 como vice-presidente, mas, após o impeachment contra Collor, assumiu o posto mais alto da República.
   
Fernando Henrique Cardoso
Eleição em 3/10/1994
Mandato: 1/1/1995 - 1/1/1999
 

Eleito na esteira do sucesso do Plano Real, Fernando Henrique foi o primeiro homem público perseguido pelo regime militar a assumir o cargo de presidente da República no Brasil. Seu governo foi marcado pelo combate à inflação e pela consolidação da estabilidade da economia. Em seu primeiro mandato, FHC viu crescer a ação do MST e deu início ao processo de privatização e a uma série de reformas do Estado, principalmente na educação. Fernando Henrique foi ainda o primeiro brasileiro reeleito para a Presidência da República.
   
Fernando Henrique Cardoso
Eleição em 4/10/1998
Mandato: 1/1/1999 - 1/1/2003
 

O controle da inflação e a estabilidade da economia garantiram a FHC a reeleição em primeiro turno, em 1998. Novamente, o tucano bateu Lula, com 53% dos votos válidos, contra 32% do petista. Sua popularidade, porém, começou a se esvair pouco depois da posse, desgastada pela deterioração da economia, por escândalos envolvendo a base aliada e por uma crise energética. Entre os avanços estão a criação dos medicamentos genéricos e a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal.
   
Luiz Inácio Lula da Silva
Eleições em: 6/10/2002 (1º turno) e 27/10/2002 (2º turno)
Mandato:  1/1/2003 - 1/1/2007
 

Primeiro presidente de origem popular, Lula elegeu-se com um discurso centrado na esperança e no combate à miséria. No início do mandato lança o Programa Fome Zero, criado para garantir a segurança alimentar de milhões de brasileiros. Com alta popularidade, resistiu a escândalos de corrupção que estouraram ao seu lado, como o mensalão. Resistiu também ao "apagão aéreo" e à cisão interna do PT. Na política externa, propôs maior autonomia em relação aos Estados Unidos. Reelegeu-se com facilidade.
   
Luiz Inácio Lula da Silva Eleições em 1/10/2006 (1º turno) e 29/10/2006 (2º turno)
Mandato:  1/1/2007 - 1/1/2011
 

Em seu segundo mandato, Luiz Inácio Lula da Silva manteve a política econômica vigente e lançou o PAC - cuja administradora mais visível tornou-se sua sucessora, Dilma Roussef. Em contraponto à ascensão da classe média, enfrentou uma grande crise econômica - que se revelou maior do que uma "marolinha" - e ganhou prestígio internacional. No plano interno, teve alguns atritos com a imprensa, defendeu José Sarney no escândalo dos Atos Secretos e colheu os louros por trazer ao País dois eventos esportivos de grande porte: a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
   
Dilma Rousseff
Eleição em: 31/10/2010
Mandato: 1/1/2011 - 1/1/2015


A primeira mulher presidente do Brasil logo no início do mandato tentou aumentar a presença feminina nos ministérios e centrou esforços em torno dos programas sociais para mulheres como caminho para alcançar sua principal promessa, a erradicação da miséria.

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