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Celestino V renunciou em 1294

O único a renunciar por vontade própria, antes de Bento XVI, foi um papa de transição

11 de fevereiro de 2013 | 19h 04
Carlos Eduardo Entini

Antes de Bento XVI, o único papa a renunciar voluntariamente foi Celestino V, em 1294. Outros papas renunciaram ao cargo por forças políticas como aconteceu com Gregório XII, em 1415. O franciscano Pietro Morrone, nasceu por volta de 1210 e passou bons anos da vida no isolamento. Tornou-se papa em 29 de agosto de e adotou o nome de Celestino V. A escolha de um eremita inexperiente, com idade avançada - tinha cerca de 84 anos - parecia uma decisão insensata. Mas Celestino V foi um papa de transição e serviu para garantir os interesses do rei Carlo II de Salerno.

Com a morte de Nicolau IV, em 4 de abril de 1292, se passaram dois anos sem que o conclave conseguisse chegar aos dois terços necessários para eleger outro papa. Disputas disputas internas entre cardeais dos grupos de Collona e Orsini era a causa da falta de consenso. Um terceiro grupo, liderado por Benedetto Caetani, buscava mais prestígio.



 Bento XVI chega de papamóvel ao Santuário Nacional de Aparecida, no Vale do Paraíba em 2007 
Foto: Celso Junior/Estadão


A eleição do papa se tornou ainda mais urgente depois que um acordo de 1293 entre os reis Carlo II de Salerno e Giacomo II da Aragônia, selou a transferência da ilha da Sícilia, território pelo qual disputavam o reino de Napolis e o Aragonês, à igreja em 1297. Depois seria entregue a Carlo II. Para o acordo se concretizar faltava o consentimento da igreja.

O eremita Morrone, nome de uma montanha em que viveu cinco anos, acumulou durante sua vida prestígio, atraia vários discípulos por causa de sua fé e também contava com a proteção de Carlos II. Desde 1284 vivia isolado em um monastério em Sulmona sob a proteção do príncipe de Salerno.

O nome de Morrone foi apresentado aos cardeais por Latino Malabranca, ligado ao grupo de Caetani. Em mais um conclave, reunido às pressas depois de distúrbios e violentas disputas de territórios, no qual em um deles um irmão do cardeal Orsini morreu, Malabranca contou a visão que teve de um eremita que previra o castigo de Deus caso a vacância no cargo fosse ainda maior. Benedito Caetani, em concluio com Malabranca, perguntou inocentemente quem seria o eremita. “Pietro Morrone”, respondeu.

Apesar de nunca ter se encontrado com Morrone, Malabranca sabia de uma carta que o eremita enviara aos bispos cobrando uma decisão e como era danosa a vacância à Santa Sé. A manobra deu certo e o efeito foi imediato. Em novo conclave, em 5 de maio, o nome de Morrone teve apoio dos grupos em disputa e foi consagrado o novo Papa.

O papado de Celestino V durou até 13 de dezembro daquele ano quando renunciou. Nesse período, como era de se esperar, Celestino V, delegou suas funções a cardeais de confiança e foi viver em uma cabana de madeira.

Dez dias depois da renúncia, Benedetto Caetani foi eleito papa e adotou o nome de Bonifácio VIII.

Se Bento XVI passará à história como papa que renunciou devido a causas estritamente humanas, Celestino V ficou como o grande “refutador”. Dante Alighieri, inimigo de Benedetto Caetani, reservou a ele um lugar no Inferno em sua obra a "Divina Comédia". A alusão a ele está no canto III, da porta do inferno, onde estão as almas ingratas e que não foram temementes a Deus, "Alguns já distinguira: eis de repente/Olhando, a sombra conheci daquele/Que a grâ renúncia fez ignobilmente/Soube logo, o que a certo me revele,/Que era a seita das almas aviltadas/Que os maus odeiam e que Deus repele."

Última atualização em 13/2 às 16:36

Leia mais:

>> Bento XVI foi coerente

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