ir para o conteúdo
Busca
Busca por data

Como era São Paulo sem a via Anchieta

Primeira viagem de automóvel de São Paulo à Baixada Santista levou mais de 36 horas

27 de dezembro de 2012 | 12h 29
Rose Saconi

 Suplemento Rotogravura - setembro/1940


Iniciativa das mais grandiosas, a Via Anchieta que vem resolver de vez o problema da comumnicação do planalto paulista com o maior porto commercial do Brasil, será, sem dúvida, uma das maiores realizações do governo Adhemar de Barros

O paulistano que hoje reclama dos congestionamentos na Serra nos feriados prolongados não imagina que, em 1908, viajar de São Paulo a Santos pela Estrada Velha – único caminho para se chegar à Baixada Santista até a década de 1950 – podia levar 36 horas e meia.

No dia 16 de abril deste ano, um grupo de aventureiros fez o trajeto de carro pela primeira vez. O incentivador da façanha foi o então prefeito de São Paulo, Antônio Prado. Para acompanhá-lo na aventura, o engenheiro Clóvis Glicério, o repórter do Estado Mário Cardim, o sertanista Bento Canabarro e dois auxiliares mecânicos que faziam o trabalho de motoristas dos dois veículos utilizados no “raid”, como foi chamada a viagem pioneira.

O Estado de S. Paulo - 19/4/1908



“Sportsmen” – No dia 19 de abril, o Estado anunciava desta forma o êxito da travessia, dois dias antes de seu fim: “Quem conhece as condições das nossas estradas de rodagem e a natureza dos caminhos que volteiam a Serra de Santos, pode bem avaliar quanto representava de ousadia a tentativa desses sportsmen e, conseguintemente, quanto lhes custou, em forças de toda a ordem, concluir esse tour que ficará memorável para a nossa vida sportiva”.

A comitiva havia saído do centro de São Paulo às 6h30 do dia 16, seguindo pela Estrada do Vergueiro na direção da Vila Mariana e de lá para São Bernardo do Campo, chegando no início da noite a um lugar chamado Zanzalá, onde passaram a noite abrigados numa casa de lenhadores poloneses.

Pelo caminho, uma série de atoleiros e obstáculos foi transposta com dificuldade. Foram utilizados todos os tipos de equipamentos levados para o desafio, até mesmo dinamite. Num dos atoleiros, os aventureiros demoraram mais de quatro horas para tirar os carros de um buraco de mais de 80 centímetros de profundidade. “Felizmente conseguiram ressuscitar... isto é, transpôr esse formidável obstáculo”, descrevia ainda o artigo do jornal.

Apenas muitos anos mais tarde, em 1913, decidiu-se calçar com pedras de macadame o Caminho do Mar. Em 1926, a estrada foi contemplada com uma técnica pioneira: o uso de concreto no pavimento. A estrada suportou, por muitos anos, o trânsito de todo tipo de veículo, incluindo caminhões, até a inauguração da primeira pista ascendente da via Anchieta, em 1947.

O Estado de S. Paulo - 24/2/1942



O Estado de S. Paulo - 23/4/1947





* A seção "Como era São Paulo sem" é publicada todas as sextas-feiras no caderno Metrópole


>> Como era São Paulo sem a Avenida Sumaré

>> Como era São Paulo sem a Catedral da Sé



# Siga: twitter@estadaoacervo | facebook/arquivoestadao | Instagram | # Assine

Viu essa página?

Anúncio de lança-perfume em 1929

Entorpecente era permitido e sucesso no carnaval Anúncio de lança-perfume em 1929

Veja a edição completa de 13/1/1929

Tópicos
ver todos