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Como era São Paulo sem calçadas

Primeiras guias para passeio foram construídas para proteger as casas da água e da lama

23 de agosto de 2013 | 12h 11
Rose Saconi


Pedras portuguesas colocadas na cidade em 1967. Foto: Acervo/Estadão


Caminhar hoje pelas calçadas de São Paulo é sinônimo de risco permanente. Na maioria dos bairros o que se vê são calçadas esburacadas, com pedras soltas e mal conservadas. Guaritas de segurança e postes bem no meio do caminho, degraus em desnível para facilitar a entrada dos carros das garagens são outros obstáculos comuns nos passeios públicos da cidade.

São Paulo ainda era uma província, pequena, monótona, quando as primeiras calçadinhas foram construídas a partir do século 17, para proteger as casas da água e da lama das chuvas. A maioria das ruas não tinha calçadas e as poucas que existiam eram feitas de pedra. Em uma época que existiam apenas carros puxados por cavalos na cidade, era comum que a largura da rua fosse, muitas vezes, menor que a das duas calçadas juntas.

Em 1895, o Estado publicou notícia sobre a concorrência (à esquerda) aberta pela Intendência de Obras Municipais para o 'fornecimento e assentamento de guias para passeio nas ruas e praças desta capital'.

Pelas cartas dos leitores enviadas à seção de Queixas e Reclamações do jornal, publicadas no início do século 20, é possível perceber que os problemas das calçadas na cidade são antigos.

Em outubro de 1929, por exemplo, dizia a coluna sobre a avenida Rebouças: "Moradores dessa avenida escrevem-nos pedindo à prefeitura que providencie para que essa importante via pública tenha mais condigna apresentação. Até hoje nem guias para passeio tem". Outra nota mais antiga, de 1901, pedia a "atenção da prefeitura para que fossem collocadas guias no quarteirão da rua dos Guayanazes, entre as alamedas Nothmann e Ribeiro da Silva".

O Estado de S. Paulo - 29/10/1929 e 2/2/1901


     

Pedras portuguesas - Muitas calçadas da cidade, que hoje estão em péssimo estado, um dia já foram bonitas, algumas feitas de cerâmicas, outras de granitos, ou mesmo de grama bem aparada. Estas mereciam serem chamadas de 'passeio público'.

A arte da calcetaria - disposição dos materiais do piso das calçadas de forma artística - chegou a São Paulo por volta de 1910, com o mosaico português. Em 1967, o prefeito Faria Lima, em uma ação para "embelezamento e reconstrução de nossas calçadas", como escreveu o Estado, colocou pedras portuguesa reproduzindo, de forma estilizada, o contorno do mapa do Estado de São Paulo sobre as calçadas. Dois anos depois, a prefeitura informava que as pedras portuguesas seriam substituídas por ladrilhos hidráulicos. A justificativa para a mudança, segundo Faria Lima, era que "as pedras juntam poeira, dificultam a limpeza, são de difícil conservação e quebram os saltos de sapatos das senhoras".

O Estado de S. Paulo - 18/10/1969


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