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Como era São Paulo sem o prédio do Masp

Na avenida Paulista, o Belvedere Trianon era ponto de encontro da alta sociedade

08 de novembro de 2013 | 12h 42
Rose Saconi


Belvedere Trianon na avenida Paulista na década de 1920. Acervo/Estadão

O local onde está o vão do Museu de Artes de São Paulo (Masp), na avenida Paulista, ainda mantém a bela vista de quando era, até o começo do século 20 apenas um terreno elevado natural, de terra batida que ficava na frente de uma reserva de arvoredo. Mais tarde viria a ser o Parque Siqueira Campos. Até que em 1916 foi inaugurado ali o Clube Belvedere Trianon. "São Paulo possui um estabelecimento, como certamente não há outro na América do Sul (...). Hoje realisa-se a primeira sorieé-tango offerecida pelo sr. Vicente Rosatti às exmas. familias paulistas", noticiou o Estado quando o Belvedere foi inaugurado. Surgia então o Trianon (o nome Belvedere, bela vista em italiano, não pegou), um misto de restaurante e confeitaria que, em pouco tempo, tornou-se era um ponto de encontro obrigatório da alta sociedade da época.

O Estado de S. Paulo - 15/6/1916


Pouco acima do nível da Paulista, foi aberta uma larga esplanada envidraçada onde funcionavam os bares superiores com várias mesinhas de concreto e tampo de mármore espalhadas, onde era servido ao livre o chá das cinco, o chiquérrimo "five o'clock tea", como então se dizia. "O Trianon torna-se o ponto preferido para quem aprecia a boa musica e o ar puro", dizia o anúncio do jornal de 30/12/1917 (à direita).

No final dos anos 1920, com a crise do café, o dinheiro encurtou e o Trianon foi obrigado a ajustar-se à nova realidade. O requintado restaurante e os salões foram fechados. Os bares passaram a vender apenas sorvetes e refrigerantes populares. Os salões inferiores foram, então, ocupados pela escola de dança Madame Poças Leitão (à esquerda), que ensinava rapazes e senhoritas da sociedade a dançar o fox trote e até samba.

"Vai ser demolido o edifício do Trianon", antecipou o Estado de 26 de abril de 1953. Três meses depois, viria a notícia oficial  "o prefeito Jânio Quadros determinaria a imediata desocupação e demolição do edifício do Trianon para a realização da 1.ª Bienal de Arte Moderna".

O Estado de S. Paulo - 26/4/1953 e 15/7/1953

  

A mostra foi um sucesso artístico e cultural. Terminada a Biienal, tratou-se da construção definitiva do Museu de Arte. A prefeitura doou o terreno (com a exigência de que a vista para o centro da cidade fosse preservada) e o que restava do velho Trianon foi pulverizado para dar lugar ao novo edifício.

O prédio do Masp, como todo mundo conhece hoje, foi projetado em 1958 pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi, e levou dez anos para ser concluído. A inauguração foi no dia 7 de novembro de 1968 e teve a presença de pessoas ilustres, como a rainha da Inglaterra Elizabeth II.

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