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Como era São Paulo sem o Viaduto do Chá

Obra ligou um 'pittoresco arrabalde' ao centro; moradores pressionaram pela construção do viaduto

05 de setembro de 2013 | 16h 12
Rose Saconi

 
Em 1914, Vale do Anhangabaú (à dir.) em obras; e Teatro Municipal (à esq.). Aurélio Becherini/Reprodução


Até a construção do viaduto do Chá, o vale onde corria o Anhangabaú dividia duas cidades. Uma estruturada, que terminava na Rua Direita e outra, conhecida como Morro do Chá, com "falta de luz, sobra de lama e ausencia de polícia". A reclamação, publicada no Estado em 15 de agosto de 1877, denunciava as condições precárias que a região, hoje República e Consolação, vivia.  Os moradores do pittoresco arrabalde sofriam também com o transporte. Do centro da cidade, o trajeto do bonde faziam um 'u' para se chegar lá. Em 1879 foi cogitado uma extensão dos bondes até a Consolação. Mas o prolongamento era solução que não interessava os moradores, "o prolongamento que se quer fazer para a Consolação, indo pela rua Alegre, será talvez bom para a Companhia [de bondes] mas para os moradores daquelles logares é pessimo". "A actual companhia com algum sacrificio e mesmo com o auxilio dos moradores do Chá, Curros, Consolação, etc, poderá levar ávante o viaducto", defendeu a nota publicada no jornal em 19 de julho de 1879. A campanha para melhoria daquela região, já populosa, foi grande e pode ser sentida no jornal. Várias notas foram publicadas no final do século 19 pedindo a instalação de lampiões de gásnivelamento , calçamento e reparos de buracos das ruas.  

A pressão pela urbanização e construção de um viaduto funcionou. O primeiro projeto foi apresentado em 1877. A notícia foi assim publicada no Estado, no dia 5 de outubro,“Está nas vidraças do sr. Jules Martin um bello quadro representando o que pode ser o viaducto de que por vezes se tem falado entre nós como o meio plausível de ligar a rua Direita, isto é, o centro da cidade, ao novo bairro do morro do Chá”.



O objetivo era ligar a Rua Direita e a Rua Barão de Itapetininga, além de “facilitar as comunicações entre o centro da cidade e os bairros do Chá, Consolação, Santa Cecilia e parte de Santa Ephigenia”, dizia o Estado em editorial de 21 de novembro de 1888 (à esquerda). “A principal vantagem, parece-nos, será augmentar consideravelmente a area própria para a edificação predial a pequena distancia da cidade, pois é sabido quão grande é a falta de casas em suas cercanias e quão elevados são hoje os aluguéis”, completava a análise.

A Companhia Paulista do Viaducto do Chá iniciou o projeto em 1889 e a obra foi inaugurada em 1892. O viaduto media 240 metros de comprimento e tinha portões e guaritas de madeira em suas extremidades. Era cobrado um pedágio de três vinténs pela passagem.

Já obsoleto em 1938, ele foi demolido e o novo Viaduto do Chá foi inaugurado, de concreto armado
e com largura duplicada.

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