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Como era São Paulo sem sacos de lixo

Lixo era colocado em latões, tambores ou caixotes; moradores reclamavam do barulho dos lixeiros

09 de maio de 2013 | 12h 48
Rose Saconi


O uso de latões para acondicionar lixo foi extinto em 1972, quando o uso de saco plástico virou lei. Alfredo/Estadão

Até meados da década de 1970, o paulistano costumava colocar o lixo na porta de suas casas, ou em cima dos muros, acondicionado em latões, tambores, ou caixotes de madeira. As mais comuns eram as latas de óleo de 20 litros. Nos bairros onde a coleta era realizada de madrugada, os moradores, ao acordarem, saíam à caça de seus latões, que muitas vezes sumiam, apareciam amassados, ou ainda estavam na porta do vizinho sujos, vazios, ou com restos de lixo no fundo. Já quem morava em prédios jogava o lixo nos tubos, existentes em cada andar, para um latão coletor central que ficava no térreo.

                                

        
Barulho dos latões gerava reclamações dos paulistanos, com as de cima de 1954 e 55

O barulho produzido nos horários das coletas de lixo tornou-se um dos protestos mais frequentes da seção Queixas e Reclamações do Estado, principalmente nas décadas de 1940 e 1950. "Não há cristão que durma tranquilo", protestou um leitor. "É uma verdadeira orgia de latas de lixo que são atiradas em qualquer porta". "Não satisfeitos com o barulho que fazem ao bater com as latas no caminhão, certas vezes dão pontapés nas mesmas para se divertirem", escreveu, indignado, um morador ao jornal. 

                    
As populares latas de lixo começaram a ficar com os dias contados em 1970, quando a prefeitura fez uma experiência com sacos de polietileno, abrangendo as residências da regional da Sé.

 "O sistema alcançou resultados satisfatórios nos Estados Unidos e na Europa e tornará mais rápida a coleta de lixo, pois os lixeiros não precisarão mais depositar nas calçadas os velhos latões ou caixotes atualmente em uso", informava o Estado no dia 5 de agosto (à esq.).

Nos meses de teste, foram utilizados sacos de 20, 60 e 100 litros. Juntamente com os sacos, foi entregue um questionário para as pessoas apontarem as vantagens e desvantagens desse novo método de acondicionamento de lixo.

O resultado da experiência foi satisfatório e no dia 5 de dezembro de 1972 entrou em vigor a lei, regulamentada pelo prefeito Figueiredo Ferraz, tornando obrigatória a utilização de sacos plásticos para o lixo em São Paulo. Era o fim definitivo das velhas latas de lixo que integraram por muitos anos a paisagem da cidade e serviram, até mesmo, para dar nome ao cão sem raça, o vira-lata.


A solução da troca dos latões pelo plástico resolveu o problema da poluição sonora e criou outro, agora ambiental. A degradação e o uso generalizado do plástico como embalagem e acondicionamento do lixo, resultou, no ano passado, numa tentativa dos supermercados paulistas de limitar sua distribuição.



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