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Edith Cavell, a primeira mártir da Grande Guerra

Há 100 anos alemães fuzilavam enfermeira que ajudou aliados a escapar da Bélgica ocupada

08 de outubro de 2015 | 10h 49
Liz Batista

Retrato de Edith Cavell. The Illustrrated London News/Reprodução

Há 100 anos, durante a Primeira Guerra Mundial, um pelotão de recrutas alemães fuzilava a enfermeira inglesa Edith Cavell. Seria mais um entre as centenas que se realizaram na Bélgica durante o conflito. O que não puderam prever é que a execução que deveria servir como exemplo disciplinador se transformaria numa forte propaganda emocional. Cavell se tornou uma mártir, uma heroína de guerra. Sua história serviu de argumento para os aliados destruírem moralmente a campanha do exército alemão.

Acusada de traição por ter ajudado soldados aliados a escapar da Bélgica ocupada pelos alemães, a enfermeira foi condenada pelo Corte Marcial do Império Germânico. Mesmo diante do clamor internacional, e dos esforços diplomáticos dos Estados Unidos e da Espanha, a sentença foi impiedosa, o destino de Cavell foi a morte.

O Estado de S. Paulo - 24/11/1915


Nasce uma heroína. O fuzilamento de Edith Cavell, em 12 de outubro de 1915, foi amplamente noticiado pela mídia internacional. Alguns romantizavam o evento. Contavam como a valente senhora havia, em seu último ato de bravura, dispensado a venda e encarado os soldados do pelotão de fuzilamento. Outros diziam que suas últimas palavras eram o protesto de uma pacifista -“Encontrando-me, como me encontro, em presença de Deus e da eternidade... compreendo que o  patriotismo apenas não é suficiente. Não devo nutrir ódio ou amargor contra ninguém”, escreveu a enfermeira em sua última correspondência.

Assumindo o tom que fosse, a história da mulher que ajudou cerca de 200 homens a fugir da Bélgica ganhou o mundo. O Estado publicou a notícia de sua morte em 16 de outubro de 1915. No mês seguinte, na edição de 24 de novembro de 1915, o jornal dedicou quase uma página inteira ao caso. Com o título “Os Horrores da Guerra: O fuzilamento de miss Edith Cavell”, o texto contava como havia sido “condenada à morte e executada uma senhora que tantas vidas havia salvado.”

Propaganda de guerra. Na Inglaterra, a enfermeira era celebrada como exemplo de coragem e patriotismo. Sua imagem era usada em comícios militares e engrossava a publicidade de guerra que apelava para o senso de honra e nacionalismo dos homens que ainda não haviam se alistado. Nos Estados Unidos, fora do conflito, o caso da enfermeira deu argumentos para chacoalhar o isolacionismo no país.

Assim como a invasão da Bélgica e o afundamento do transatlântico Lusitânia por um submarino alemão, a execução de Cavell muniu de argumentos aqueles pediam pela ação americana. Em 1916, o filme O Martírio da Enfermeira Cavell chega aos cinemas e vira sucesso de bilheteria nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e África do Sul.

Após o final da guerra, os restos mortais de Cavell foram enviados para a Inglaterra. Lá, um funeral de Estado na Abadia de Westminister foi organizado para a heroica enfermeira. Seu corpo foi enterrado na Catedral de Norwich onde um memorial foi construído. Até hoje, uma cerimônia é celebrada todo mês de outubro em sua homenagem. 

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Tags: Primeira Guerra Mundial

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