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Em 1917, greve geral parou São Paulo

Paralisação que começou na Mooca e tomou a cidade é marco na história das greves no País

28 de abril de 2017 | 12h 19
Estadão Acervo

Comício durante agreve geral, 1917. Foto: Reprodução

 “Morte à repressão! Morte à repressão!”. Era o grito de comando dos operários que em julho de 1917 cruzaram os braços, desafiaram a polícia e tomaram conta da cidade. Foi a primeira greve geral em São Paulo.

Estopim. A morte de um operário logo no início do movimento foi o estopim para uma conflagração armada nas ruas de São Paulo. Os grevistas pediam regulamentação do trabalho de menores e mulheres, redução da jornada de trabalho - que se estendia até 12 horas - e garantias trabalhistas.
O Estado fez a cobertura completa da greve, usando a chamada “Agitações Operárias”.

Na edição de 10 de julho, reportagem narrava o conflito em que o sapateiro espanhol José Iñeguez Martinez morreu.

O Estado de S.Paulo - 10/7/1917 


Manifestantes pararam um veículo em frente da fábrica da cervejaria Antarctica, na Mooca, e quebraram barris de cerveja. “Não tardou que para os dispersar surgisse uma foça de cavallaria para os pôr em debandada”, dizia o jornal. Várias pessoas caíram feridas, entre elas o espanhol Martinez, de 21 anos. Baleado no estômago, ele morreu de madrugada.

O Estado de S. Paulo - 14/7/1917

 

O aviso publicado no anúncios do Estado mostra a dimensão da greve. Não foram só os operários das fábricas que pararam, mas também os proprietários de carroças e caminhões da cidade. Em 1966, Edgard Leuenroth participante do movimento, afirmou que tudo ocorreu de maneira espontânea e as causas foram as péssimas condições em que viviam os operários. Economicamente, os ganhos eram insuficientes para a sobrevivência e qualquer tentativa de organização dos operários era violentamente reprimida pela polícia.

A paralisação atingiu toda cidade. Alguns bondes da Light tentaram circular, mas foram depredados ou tomados pelos grevistas. “O dia de hontem, em toda a cidade, foi de franca anarchia”, descreveu o Estado na edição de 13 de julho.

O Estado de S.Paulo - 13/7/1917


A greve  terminou depois de negociações firmadas entre uma comissão formada por jornalistas do Estado, do Fanfulla (órgão da comunidade italiana) e mais sete veículos de comunicação, governo, empresários e grevistas.

No dia 14, jornal publica a convocação do Comitê da Imprensa para a reunião que seria realizada na Redação do Estado.     

 Estado de S. Paulo - 14/7/1917


O fim da greve foi decidido num comício no Brás, em 16 de julho.Todas as reivindicações foram aceitas.

“A Comissão da Imprensa, dando por finda a sua missão, julga cumprir um dever deixando consignado um applauso à boa vontade geralmente manifestada por todos no sentido de dar solução ao conflicto e de preparar o advento de uma nova éra, mais bella, na história das relações entre operarios, patrões e representantes do poder público no Estado de S. Paulo e no Brasil”.  

O Estado de S.Paulo - 16/7/1917
    

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