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Era uma vez em São Paulo: Cine Niterói

Cinema que exibia filmes japoneses ajudou a caracterizar a Liberdade como um bairro oriental

20 de março de 2015 | 12h 07
Liz Batista

Pessoas param para ver os filmes em cartaz no Cine Niterói/ Reprodução
Nos anos de 1950 e 1960 se alguém quisesse acompanhar as produções da indústria cinematográfica japonesa havia um endereço certo em São Paulo: o Cine Niterói. Encravado no bairro da Liberdade, na rua Galvão Bueno, o Cine Niterói, que nada tem a ver com município fluminense, abriu suas portas em 1953. Com mais de 1200 lugares, e um nome que é a junção de “Nitto” (Japão) e herói, o cinema apresentava exclusivamente sucessos da terra do sol nascente. Suas sessões eram disputadíssimas, com filas que tomavam a calçada. O local foi peça chave na caracterização do bairro da Liberdade como um bairro oriental e ajudou a fomentar uma rede de comércio na região.

Hall de entrada do Cine Niterói/ Reprodução

Foi através de cinemas como o Niterói que as obras de Kenji Mizoguchi, Tomu Uchida, Masaki Kobayashi, Yasujiro Ozu, Mikio Naruse e Akira Kurosawa se popularizaram no País. Seguindo o sucesso do Cine Niterói, surgiram outros cinemas no bairro de imigrantes japoneses, prontos a colocar em cartaz as sagas dos heróis samurais e as vinganças sangrentas da Yakuza, temida organização mafiosa japonesa. O Cine Tokyo e o Cine Nikkatsu foram inaugurados um ano depois, em 1954, o Cine Nippon em 1959.

O Estado de S. Paulo - 30/5/1987

Em 1968, o Cine Niterói foi desapropriado para dar espaço para construção da Ponte Osaka. Passou, então, a funcionar na Avenida da Liberdade. Mas, assim como vários cinemas de rua, encerrou atividades, não resistiu às mudanças do mercado e fechou em 1988. Às vésperas do fechamento, muitas latas do acervo do cinema, que tinha quase mil filmes, chegaram a ser vendidas "a preço de bananas", como mostrou matéria do Estado de maio de 1987. As fitas eram compradas por fabricantes de vassouras, que  as usavam para endurecer as cerdas do utensílio. A Cinemateca conseguiu salvar 420 filmes do acervo do Niterói. Em 1990, a instituição realizou a mostra Tesouros do Cinema Japonês, onde exibiu as preciosidades salvas da incineração.

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