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Era uma vez em SP... Colégio Des Oiseaux

Colégio francês para moças funcionou por 64 anos no local onde deve surgir Parque Augusta

29 de maio de 2015 | 12h 20
Liz Batista

Um dos mais tradicionais colégios para mulheres de São Paulo, o Des Oiseaux, era o centro educacional onde a burguesia paulistana matriculava suas filhas. Era lá, na instituição fundada por cônegas belgas da Ordem dos Regrantes de Santo Agostinho em 1907, que as moças iam para receber uma educação formal, aprender francês, latim, ter aulas de canto, bordado, boas maneiras e serem educadas na arte de receber bem; habilidades consideradas indispensáveis às jovens da aristocracia. Hoje as instalações do colégio não existem mais, o terreno pertence às construtoras Setin e Cyrela e a área verde, onde ficavam os jardins da instituição, foi tombada pelo Conpresp em 2004 e deverá abrigar um bosque aberto ao público, o Parque Augusta

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O colégio funcionou por 64 anos, no altivo prédio art nouveau projetado pelo arquiteto francês Victor Dubugras, que existia na esquina da rua Augusta com a rua Caio Prado. Antes de ser vendido às freiras, em 1906, o palacete era residência da família Uchôa. O Des Oiseaux era conhecido por seu prestígio e excelência acadêmica. Internato, depois, transformado em semi-internato no final da década de 1940, a instituição oferecia cursos desde o primário; seguindo-se o ginasial; os colegiais, clássico e científico; até o superior, ministrado pelo Instituto Superior de Filosofia, Ciências e Letras Sedes Sapientiae, criado pelas cônegas em 1933. O colégio também contava com o Centro de Estudos Teatrais, que exibia peças montadas e encenadas por suas alunas. Figuras conhecidas como a ex-prefeita Marta Suplicy e a socióloga e ex-primeira-dama Ruth Cardoso estudaram no Des Oiseaux.

O Estado de S. Paulo - 18/12/1970

Parque Augusta. O prédio da instituição foi desocupado em 1971, e a Sedes Sapientiae foi incorporada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC). A crescente agitação que se deu com a expansão o centro da cidade, “a balbúrdia do intenso tráfego de veículos nas proximidades” e o acelerado desenvolvimento  imobiliário da região, com “enormes prédios de apartamento“ que passaram a cercar o colégio "por todos os lados”, levou as freiras a buscarem um novo local para o colégio. Em 1960, a ordem lançou a pedra fundamental da sua nova escola no bairro do Morumbi, o Colégio Nossa Senhora do Morumbi. Após a desocupação do prédio da rua Caio Prado, a Associação Instrutora da Juventude Feminina, entidade civil das cônegas, considerou vender o terreno para a construção de prédio de apartamentos. No mesmo ano, o cursinho pré-vestibular Equipe mudou-se para o local. O prédio foi demolido em 1974, mas a ideia de erguer um empreendimento imobiliário não foi viabilizada. Desde então, vários usos foram dados ao terreno. Um estacionamento e até um circo já funcionaram no local. Na década de 1980, o Projeto SP, uma iniciativa que promovia atividades multiculturais na cidade com shows de música e cursos de arte e cultura, foi instalado ali.

A área verde que compunha os jardins do colégio deveria abrigar um parque. A antiga reivindicação pela criação do Parque Augusta, um bosque com 709 árvores, mobilizou ativistas. Em março deste ano o Conpresp aprovou o projeto que prevê a construção de quatro edifícios no terreno do parque. Em abril, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a abertura das vias que circundam o bosque, que será aberto ao público.



​O Estado de S. Paulo - 18/3/1997

Rede social. Ex-alunas do Des Oiseaux  mantém viva a memória e dividem as recordações dos momentos passados no colégio numa página do Facebook  “Ex-alunas do Colégio Des Oiseaux”.

Tags: Colégio Des Oiseaux, Educação, São Paulo 

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