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Erasmo Carlos e seu Karmann-Ghia alvejado por tiros

Estadão cobriu confusão em show de 1967, retratada no filme sobre o ídolo da Jovem Guarda

16 de fevereiro de 2019 | 10h 01
Cristal da Rocha e Liz Batista - O Estado de S.Paulo

Perícia analisa as marcas de tiro no Karmann-Ghia de Erasmo Carlos. São Paulo, SP. 17/01/1967. Foto: Acervo/Estadão

A vida de Erasmo Carlos parece até um filme e parte dela já pode ser vista na tela. O longa Minha Fama de Mau, que chegou aos cinemas nessa quinta-feira (14) e teve o roteiro baseado na autobiografia homônima do cantor, traz momentos marcantes da vida do ídolo. Entre as muitas aventuras retratadas na obra, há uma cena que parece coisa saída de um filme de ação, com todos os detalhes do gênero: uma briga de socos, perseguição em alta velocidade, tiros e uma escapada genial. A confusão, que parece uma película da Jovem Guarda, ao estilo de Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968) - na fita o rei é perseguido por bandidos internacionais-  não só foi real, como foi contada em detalhes, pelo Jornal da Tarde de 17 de janeiro de 1967.

Jornal da Tarde - 16/01/1967

Jornal da Tarde - 16/01/1967

Erasmo Carlos mostra ao policial as marcas de tiro na lataria de seu Karmann-Ghia. São Paulo, SP. 17/01/1967. Foto:Acervo/Estadão

Em entrevista ao JT, Erasmo explicou o ocorrido: "Olho pra trás e vejo mil luzes, mil faróis. A batota toda estava ali para me apanhar, já tinham dado pedrada para valer no meu carro, novinho. Depois que os guardas fecharam a estrada, fiquei mais sossegado. Quando a caminhoneta encostou do lado e ouvi as pancadas no para-lama, pensei que era mais pedras e nem liguei, só levantei o vidro. Então vi que era o mesmo rapaz atirando com a mão esquerda, quase capotei tentando parar o carro."

O cantor Erasmo Carlos, toma um cafezinho, enquanto presta depoimento na delegacia central para esclarecer incidentes ocorridos na cidade de Sorocaba após show naquela cidade. O carro do cantor foi alvejado por tiros na Rodovia Raposo Tavares, quando retornava para a capital. São Paulo, SP, 16/01/1967. Foto: Acervo/ Estadão

Show e briga. O início da história é sempre o mesmo - rapazes enciumados por suas namoradas ficarem ofegantes durante o show do "Tremendão" querem revidar contra ele. Um esquentadinho, então, provoca Erasmo durante a apresentação num clube de cidade do interior. O cantor reage e enfia uns sopapos no camarada. Mas, antes que o agressor e sua turma possam partir para cima do palco, a polícia intervém. Mesmo assim, os rapazes querem se vingar e saem em perseguição pela estrada atirando contra o carro do músico. Fazem uma vítima. O Karmann-Ghia vermelho de Erasmo é alvejado por seis tiros. Mas, nosso herói, Erasmo Carlos ele sai ileso. O evento todo se deu na noite de 15 de janeiro de 1967, em Sorocaba. A apresentação no Clube Recreativo Sorocabense seria igual a tantos outros shows do Conjunto Tremendão, composto por Erasmo, Raul Alberto Monteiro de Barros e Regis Monteiro Moreira, não fosse o acalorado desenrolar da briga com os rapazes locais.

Erasmo Carlos presta depoimento na 1ª Delegacia Auxiliar, no Pátio do Colégio, sobre discussão e tiros ocorridos em Sorocaba, no dia 15 de janeiro de 1967. São Paulo, SP. 27/3/1967. Foto: Acervo/Estadão

 

Trecho da música Lobo Mau (1964) de Erasmo Carlos

Aconteceu, virou notícia. A matéria do Estadão de 17 de janeiro de 1967 contou como uma caminhonete havia “fechado” o carro do cantor na rodovia Raposo Tavares  e começado a atirar contra ele. À reportagem do Jornal da Tarde Erasmo relatou como os rapazes da cidade haviam provocado a banda com xingamentos durante a apresentação e como o clima havia esquentado após ele retribuir a provocação cantando a canção Lobo Mau : "nessas horas, as meninas dão força pra gente, gritam muito, e os rapazes então ficam enciumados. Ainda mais que depois eu sempre canto uma música dizendo que eu sou bom, tenho muitas garotas, as meninas correm atrás de mim, tenho carro, essas ondas... Lá em Sorocaba, logo depois que alguém gritou que eu era bobo, cantei Lobo Mau. Eles devem ter ficado com mais raiva ainda”, disse.

Erasmo Carlos retorna à delegacia para prestar novo depoimento vestindo uma camisa verde, amarela e rosa, calça azul, botas, quatro anéis e óculos escuros com frisos dorados. São Paulo, SP. 29/03/1967. Foto: Acervo/Estadão

Na época, Erasmo Carlos tinha 25 anos de idade. Com uma legião de fãs, era um dos maiores ídolos da Jovem Guarda e dono de uma das carreiras mais rentáveis do cenário musical brasileiro.

Erasmo Carlos, São Paulo, SP. 27/3/1967. Foto: Acervo/ Estadão

"Os anéis que o cantor usa devem ter machucado o moço, parecem 'soco inglês", diza cobertura do caso, publicada no Jornal da Tarde.

Em 1969, Erasmo foi absolvido da acusão de agressão no processo movido contra em Sorocaba .

Veja também:

>> Perfil: Erasmo Carlos

>> Erasmo Carlos: socos, tiros e café na delegacia

>> Jovem Guarda, nos tempos do iê-iê-iê

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