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Fotos Históricas: o ladrão e o prefeito

Lenda do crime, Gino Meneghetti pediu a Faria Lima ajuda para retomar uma vida dentro da lei

07 de março de 2016 | 16h 39
Liz Batista

O prefeito Faria Lima recebe o lendário ladrão Gino Meneghetti, 21/12/1966. Acervo/ Estadão 


Em 1966, o ladrão mais conhecido do País, Gino Amleto Meneghettiautor de roubos elaborados e fugas inacreditáveis na década de 1920, protagonizou um encontro inusitado. O criminoso, que desafiou as autoridades na maior parte de sua vida, foi pedir auxílio ao prefeito Faria Lima para se estabelecer dentro da lei. Egresso de sua última temporada na prisão e declarando-se aposentado das atividades ilícitas, queria restabelecer o negócio da sua banca de jornais. O estabelecimento teve a licença de funcionamento caçada enquanto ele estava em uma de suas passagens pela prisão. A foto mostra a audiência na sala do prefeito, em 21 de dezembro daquele ano. 

Jornal da Tarde - 22/12/1966 

 Vida nova. Preocupado como ganharia a vida, "vivo de dinheiro, não vivo de oração", desabafou à reportagem do Jornal da Tarde e contou seu dilema: “Preciso falar com o prefeito. Só ele pode dar um jeito nisso. Como posso viver sem essa banca? Sou velho, tenho uma má fama desgraçada. Só me resta vender jornais e revistas.” A banca, que ficava na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua Amador Bueno, no centro da cidade, era um presente que ganhou dos amigos.

Além da preocupação com a regularização do negócio, Meneghetti também reclamava da concorrência. Enquanto estava preso, seu antigo ajudante abriu uma banca na mesma rua e lhe tomou os clientes, contou. Faria Lima prometeu estudar o caso e lembrou que o importante era “a vontade de viver novamente bem com a sociedade”.

O Estado de S.Paulo - 05/6/1926 
 

O ladrão boa praça. Figura folclórica e carismática, o imigrante italiano Meneghetti tem uma biografia que mistura realidade e lenda. Executou roubos, assaltos engenhosos e fugas espetaculares. O criminoso colecionou apelidos na imprensa. Foi chamado “gato de telhado”, “fantástico homem de borracha”, “ homem dos pés de mola” e “homem-gato”. Há quem conte, sem qualquer comprovação, que como um Robin Hood ele dividia com os pobres parte do que roubava.

Meneghetti chegou ao Brasil em 1913. Na Itália sua ficha criminosa já incluía roubos e furtos. Em  abril de 1914 cometeu seu primeiro crime neste lado do Atlântico. Foi preso e recebeu uma pena de oito anos por roubo. Cumpriu um ano e três meses, até fugir da cadeia. Conseguiu escapar pelo teto da cela.  



Foto de Meneghetti no Museu da Academia de Polícia Civíl de São Paulo. Reprodução 

Depois disso suas ações criminosas se intensificaram e sua audácia cresceu. Desafiava a polícia. Certa vez, foi até a delegacia e passou 40 minutos conversando com o responsável por seu caso sem ser reconhecido. As notícias também dão conta de escapadas dignas de um equilibrista, dizem que o gatuno, na ponta dos pés, corria pelos telhados e muros da cidade.

Foi preso num grande cerco policial armado para sua captura em 04 de junho de 1926 (imagem acima) e condenado a 43 anos de prisão. Teve a pena comutada para 25 anos e recebeu liberdade condicional em 1945. Mas logo voltou à prisão por tentativa de homicídio. Foi solto em 1952 e  preso novamente dois anos depois, por assalto. Em 1965 foi preso por tentativa de furto qualificado. Depois da sua soltura em 1966, voltou às páginas policiais em 1970, preso em flagrante por tentativa de arrombamento. A idade avançada livrou-o da cadeia. Morreu aos 92 anos de idade, em São Paulo. Passou mais de 50 anos preso, sendo 18 anos na solitária. 

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Tag: Crime

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