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Há 100 anos, EUA abandonavam neutralidade e entravam na Primeira Guerra Mundial

Guerra submarina e interferência alemã no México levaram americanos a entrar no conflito

07 de abril de 2017 | 17h 25
Liz Batista


A entrada dos EUA na Primeira Guerra é manchete no Estadinho, edição noturna do Estadão, de 5/4/1917 
 

Em 6 de abril de 1917, após se manterem em uma posição de neutralidade por mais de dois anos, os Estados Unidos, declaravam guerra contra a Alemanha. A notícia foi publicada na capa do Estado daquele dia, a nota contava que o Senado americano havia votado e aprovado a declaração de guerra. O ato marcou a entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial. Forças americanas se juntaram aos aliados no conflito contra a Alemanha, fornecendo vantagens decisivas para a vitória. O equilíbrio de poder no mundo entrou numa nova era. Após séculos de primazia, os britânicos viam sua influência diminuir,  enquanto os Estados Unidos mostravam sua relevância até mesmo em questões europeias e se provavam como a maior potência do globo.

O Estado de S.Paulo-  06/4/1917

Neutralidade. Desde o início do conflito em 28 de julho de 1914, o presidente americano Woodrow Wilson mantinha o país numa posição de neutralidade. Sem colocar barreiras às oportunidades comerciais que guerra trazia e voltado para as questões do continente americano, Wilson procurava  apresentar-se como um mediador para a paz na Europa. O distanciamento do conflito foi uma promessa de campanha na eleição presidencial de 1916. “He kept us out of war!” (Ele nos manteve fora da guerra) e “America First!”, (América primeiro) - hoje apropriado, reciclado e reutilizado pelo presidente republicano Donald Trump - estavam entre os slogans usados na campanha de reeleição do democrata Wilson. Apesar de apelos pontuais para a intervenção no conflito, a maior parte dos americanos mostravam-se satisfeitos com a neutralidade. Tudo isso mudaria no início de 1917, quando duas ações da Alemanha fizeram a potência americana rever sua posição e decidir ir à guerra.

O Estado de S.Paulo-  20/8/1914


EUA em guerra. Em 9 de janeiro de 1917 o Império Alemão aprovou a guerra submarina total. A medida conferia aos submarinos autorização para  violar as leis de não agressão marítimas e torpedear sem restrições as embarcações que encontrassem pelo caminho, fossem elas inimigas, navios de países neutros, mercantes e de passageiros. Cientes de que o ato criaria sérias tensões com os Estados Unidos, que até então se mantinham neutros, e antevendo a possibilidade da entrada dos americanos na guerra, os alemães tentaram costurar uma aliança militar com o México e com o Japão.

O Estado de S.Paulo -  25/2/1917

Dez dias após declarar a guerra total no mar, uma comunicação diplomática secreta da Alemanha foi interceptada pelo serviço de inteligência britânico.Conhecida como Telegrama Zimmermann, a correspondência instruía o embaixador alemão no México a, caso os Estados Unidos entrassem na guerra, oferecer ao governo mexicano auxílio financeiro para recuperar os territórios correspondentes aos Estados do Texas, Arizona e Novo México. A intenção seria manter os americanos ocupados no continente e diminuir a importação de armamentos para os aliados.

O Estado de S.Paulo -  02/3/1917

Em fevereiro, a Alemanha intensificou a guerra submarina e afundou navios americanos em águas internacionais Em março, Arthur Zimmermann, secretário de Estado alemão, confirmou a autenticidade do telegrama. No início de abril, o presidente Woodrow Wilson deu início aos procedimentos para a declaração de guerra. Em junho de 1917, as primeiras forças americanas chegaram à Europa, 14 mil soldados juntaram-se aos aliados na França.

Mais de quatro milhões de militares americanos foram mobilizados nos esforços da Primeira Guerra, a Força Expedicionária dos Estados Unidos calcula que cerca de 320 mil morreram durante o conflito.   

 

O presidente americano Woodrow Wilson se reune com ministros após declarção de guerra, abril de 1917.

 Reprodução L'Illustration

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