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Há 45 anos, fogo destruiu Palácio Campos Elísios

Do pouco que foi salvo estava disco autografado de Caetano Veloso da filha do governador

16 de outubro de 2012 | 16h 46
Rose Saconi

 17 de outubro de 1967

Foto: Arquivo/AE


Quinze minutos de violento incêndio bastaram para destruir quase totalmente o Palácio dos Campos Elísios, na Avenida Rio Branco, então residência oficial do governador do Estado, Abreu Sodré. O prédio estava passando por uma reforma havia nove meses e tinha acabado de ser pintado. A obra estava basicamente concluída, faltando apenas alguns retoques. O fogo começou no telhado, por volta das 19h40. Todas as pessoas que estavam na casa foram retiradas sem ferimentos. O governador Sodré estava despachando no Palácio dos Bandeirantes.

O Estado de S. Paulo, 18 de outubro de 1967

Das roupas do governador Sodré só sobrou um fraque e um par de sapados. Dos livros, não sobrou nada. A filha mais nova, Maria do Carmo, perdeu todos os sapatos e, vestidos. Só ficou com a roupa do corpo. Os livros, cadernos e uniforme da escola foram consumidos pelo fogo. Conseguiu salvar um LP autografado de Caetano Veloso e uma vitrola.


O Estado de S. Paulo, 19 de outubro de 1967



“O incêndio do Palácio dos Campos Elísios constituiu para a população paulistana um dos espetáculos mais chocantes destes últimos tempos ( …) o que com aquela velha mansão desapareceu foi verdadeiramente um símbolo da arquitetura”, lamentou o Estado no editorial do dia seguinte à tragédia.



Vista aerea do Palácio mostra telhado totalmente destruído. Foto: Arquivo/AE

História. Em 1896, o cafeicultor Elias Antônio Pacheco Chaves começou a construir a casa da família, inspirada no Castelo de Écouen, perto de Paris. Concluída em 1899, a casa ostentava espelhos venezianos, lustres de Baccarat, maçanetas de porcelana e carvalho francês. Em 1911, o palacete foi comprado pelo Estado e depois virou sede do governo paulista. De Palacete Elias Chaves passou a ser chamado de Palácio dos Campos Elísios. Por ele, passaram Rodrigues Alves, Washington Luís e Jânio Quadros. Em 1965, a sede do governo foi transferida para o Palácio dos Bandeirantes, mas o Campos Elísios ainda era utilizado pelo Executivo. A partir de 1972, passou a abrigar secretarias do Estado.



Salão Amarelo em foto de Antonio Lúcio, de 1957


2004 - Governo anunciou obra de revitalização do prédio com o objetivo de transformá-lo em Centro Cultural ligado à história de São Paulo. Falta de verbas e burocracia adiaram o projeto.



2006 - Começa uma nova restauração. Reforma seria beneficiada pela Lei Rouanet, que garante isenção de parte do Imposto de Renda a empresas que investem em projetos culturais ou de recuperação de patrimônio.



2008 – Com cinco anos de atraso, a restauração do Palácio Campos Elísios é novamente anunciada. O governador José Serra queria criar uma extensão do gabinete do Palácio dos Bandeirantes, despachando uma vez por semana do palácio; mas a obra ficou pela metade e foi para a gaveta.


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