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Há 80 anos, Estado aderia à causa constitucionalista

O jornal catalisou apoio para os combatentes

08 de julho de 2012 | 14h 40
Liz Batista

O Estado de S.Paulo, 10/7/1932


 

No maior conflito militar da história brasileira no século 20, os combatentes que perderam no campo de batalha venceram no campo político. Essa foi a vitória obtida pelos paulistas na Revolução de 32 , ela veio com o amargo saldo de
934 mortos.

Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo foram os primeiros a morrer pela causa. Foram transformados em mártires heróis e inflamaram a crescente mobilização no Estado em prol da retomada do regime democrático constitucional e a realização de eleições.

Defensor do movimento constitucionalista, O Estado de S.Paulo cobriu todo o desenrolar do conflito, as manifestações que tomaram as ruas pedindo por autonomia e defendendo a Constituição, a morte dos M.M.D.C, a organização da guerra civil , a sublevação armada e os 87 dias de batalha sob o comando de Isidoro Dias Lopes, Bertoldo Klinger e Euclides Figueiredo.

O Estado de S.Paulo
, crítico da posição do Governo Provisório e de seu chefe, apoiou a revolução desde o princípio e transformou-se num grande difusor de seus ideais e objetivos .


O Estado de S.Paulo, 22/8/1932



Durante os meses de batalha relembrou os leitores, muitos deles combatentes e colaboradores, por quais princípios liberais e democráticos lutavam. Em seus editoriais o termo “Governo Provisório” passou a não figurar. Para que não houvesse dúvida contra o que lutavam, o governo central era “ditadura”, termo que mais adiante passou a ser grafado com “D” maiúsculo.

Publicou comunicados conclamando a Nação, Estado por Estado, a apoiarem o movimento paulista. Falando para grupos , escreveu a todos, aos médicos do Brasil, aos engenheiros do Brasil, aos lavradores,  aos operários, aos  industriais , aos estrangeiros e etc.. Manteve em suas colunas o Diário de um soldado voluntário no qual um combatente contava o dia a dia no fronte, entre agruras da guerra, difíceis combates e calorosas acolhidas em cidades interioranas . Abraçou a campanha de doações , agradeceu às senhoras paulistas alma do movimento libertador”, que “de tudo, dos tesouros do coração, das joias materiais mais valiosas, se tem despojado para alimentar a guerra.

Com leitores espalhados por todo o território nacional, desempenhou papel importante na comunicação e na organização do esforço de guerra. Catalisou apoio para a causa constitucionalista, para infortúnio dos adversários. Estes, que em agosto de 1932, chegaram a falsificar edições do Estado de S.Paulo e às distribuíram no Rio de Janeiro para manobrar a opinião pública da capital.

Analisando o trabalho do jornal durante e depois da Revolução, não é difícil compreender por que Vargas, durante o Estado Novo em 1940 , não apenas manteve o Estadão sob censura, mas o confiscou e designou um interventor para o jornal. Mais que lhe infligir o silêncio valia manufaturar suas palavras.

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