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Há um século: os despojos de D.Pedro II chegavam ao Brasil

Grande comoção marcou a chegada dos restos mortais do imperador e da imperatriz ao Brasil em 1921

09 de janeiro de 2021 | 15h 02
Liz Batista - O Estado de S.Paulo

O imperador D. Pedro II em 1876

O imperador D. Pedro II em 1876

Em 08 de janeiro de 1921, os restos mortais do imperador Dom Pedro II e de sua esposa, a imperatriz Teresa Cristina, chegavam ao Brasil. As urnas contendo seus despojos foram trasladadas pelo couraçado São Paulo de Lisboa ao Rio de Janeiro. Os atos fúnebres realizados na sua chegada ao País, com todas as honrias de chefe de Estado, foram marcados pela comoção. Mais de três décadas separam a partida e retorno de D. Pedro II ao Brasil, do exílio, imposto ao último monarca brasileiro com a Proclamação da República em 1889 , ao retorno após sua morte na França em 1891, transcorreram quase 32 anos. O acontecimento que repatriou o imperador morto fazia parte dos preparativos para o centenário da Independência do Brasil que seria comemorado no ano seguinte, um evento cuidadosamente preparado pelo governo de Epitácio Pessoa, intelectuais e altos membros do Estado republicano numa ação para ressignificar a nossa História Imperial. A edição de 09 de janeiro de 1921 do Estadão trouxe detalhes sobre as homenagens e cerimônias na chegada das urnas com os despojos do imperador ao Rio de Janeiro.

Estadão - 09/01/1921

Estadão - 09/01/1921

Estadão - 09/01/1921

"Está de novo em terra do Brasil d. Pedro II. Elle e sua veneravel esposa, d. Thereza Christina. Dessa terra, antes de morrer, elle pedira uma pouca para lhe ser posta sob a cabeça (...) Partiu exilado, quasi só, seguido, além dos seus, por alguns amigos fieis. Triste, guardou a sua linha serena - sem arrogancias, sem rompantes. Grande na dôr, como na felicidade, revelou o caracter authentico de um rei philosopho, alliando  majestade e resignação (...) Assim, seu regresso se impunha. Morto herdeiro do throno, extinctos   perigos de perturbação, nada mais se oppunha á revogação do banimento da familia imperial e á restituição dos despojos. O acto dos poderes publicos veiu bem a tempo. Dom Pedro de Alcantara e dona Thereza Christina estão de novo integrados no Brasil ", contava a cobertura do Estadão.

O jornal também cobriu a vinda de Conde d'Eu, genro de D.Pedro I e marido da princesa Isabel, e de seu filho Pedro de Alcântara para as celebrações. As notícias vindas da capital diziam que "o conde d'Eu e o principe d. Pedro continuam a ser visitados no Palace Hotel, onde se acham hospedados. É incalculavel o numero dessas visitas. É igualmente avultado o numero de telegrammas de todos os pontos do paiz dirigidos a suas altezas (...) Informado da subida do sr. Epitacio Pessoa a Petropolis, o conde d'Eu solicitou de s.exa. que lhe concedesse alli uma audiencia, afim de agradecer ao chefe da nação a assignatura do decreto extinguindo o banimento da familia imperial e determinando a trasladação dos despojos de d.Pedro II e de d. Theresa Christina."

A cobertura também tratou da comoção popular, presente tanto nos atos fúnebres , quanto nos dias que se seguiram, com um número enorme de pessoas a prestar homenagens na igreja que abrigou as urnas imperiais.  "Durante a tarde foi extraordinario a concorrencia de pessoas que foram visitar os despojos dos imperadores na Cathedral, que esteve sempre repleta. muitos dos presentes choraram junto das urnas", contava a matéria. 

Os restos mortais do imperador e da imperatriz estão sepultados na Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis.

Veja também:

# Personalidade: D.Pedro II

# Tópico: Proclamação da República

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