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Hollywood ridiculariza ditadores há décadas

'A Entrevista', comédia política da Sony, não é o primeiro filme a satirizar e matar um tirano

23 de dezembro de 2014 | 17h 03
Liz Batista

 

O Estado de S.Paulo- 25/12/2002


A Entrevista, a nova comédia política da Sony Pictures que satiriza o líder norte-coreano Kim Jong-un e teve o lançamento cancelado diante das ameaças feitas por hackers pagos pela Coria do Norte, é a estreia cinematográfica mais comentada desse Natal. No enredo Kim Jong-un acaba morto, como pretendia a missão secreta americana designada aos dois jornalistas trapalhões vividos por Seth Rogen e James Franco. Mas, em meio à polêmica em torno do filme, vale lembrar que não é a primeira vez que um ditador é ridicularizado por Hollywood. Tampouco, é a primeira vez que um é morto numa comédia americana. Em Top Gang 2: A Missão, filme de 1993, o presidente americano mata Saddam Hussein. Ao menos, tenta. No final, o espectador descobre que o ditador iraquiano consegue renascer. De clássicos a pastelões, Hollywood transforma ditadores em figuras cômicas há décadas.

Relembre alguns desses filmes:




Em cena de TopGang 2: A missão, presidente dos EUA e Saddam Hussein duelam. Clique na imagem para ver o trecho. Reprodução/Youtube

 

Top Gang 2: A Missão(1993)Nessa comédia, o estilo besteirol  se une ao“non sense” para provocar risos. No filme, o tirano da vez é Saddam Hussein. O personagem do ditador iraquiano era identificado com dois grandes vilões de ficção científica. Ele tinha um sabre de luz, como Darth Vader de Guerra nas Estrelas, e um poder de regeneração como o robô T-1000 de O Exterminador do Futuro 2. Sua indestrutibilidade era  provada quando ele após ser congelado e quebrado em pedacinhos retorna à vida em uma forma “quase” humana. Na época, dois anos após o final da Guerra do Golfo, Saddam era um dos mais conhecidos inimigos dos Estados Unidos. Topper Harley, o protagonista vivido por Charlie Sheen, é a maior paródia já feita do herói de guerra encarnado por Sylvester Stallone, Rambo. 

O Estado de S.Paulo - 01/10/1993


Corra Que a Polícia Vem Aí 2 1/2 (1991). No filme, nenhum inimigo americano escapa de apanhar do tenente Frank Drebin, o policial interpretado pelo genial comediante Leslie Nielsen. Numa cena só, ele bate em Muamar Kadafi, Idi Amim, Yasser Arafat, Michael Gorbachev, Fidel Castro e no aiatolá Khomeini. Ninguém é poupado na série. Até mesmo a rainha da Inglaterra é, acidentalmente, derrubada pelo policial. E a primeira dama dos EUA, Bárbara Bush também é atingida por uma cotovelada durante jantar na Casa Branca. 

 

 
Tenente Frank Drebin derruba a rainha da Inglaterra, em de Corra Que a Polícia Vem Aí 2 1/2. Clique na imagem para ver o trecho. Reprodução/Youtube


O Grande Ditador (1940). Charlie Chaplin também satirizou o maior ditador de seu tempo. Em O Grande Ditador, de 1940, clássico maior e atemporal  do gênero, Hitler foi reduzido a uma caricatura pelo gênio do cinema mudo.O filme tem cenas inesquecíveis, como o momento em que Adenoid Hynkel, o fictício facínora interpretado por Chaplin, brinca com um globo terrestre, e a acirrada e cômica disputa entre Hynkel e Benzino Napoloni - personagem que satirizava Benito Mussolini - para ver quem elevava mais alto a cadeira na barbearia.

Um dos grandes sucessos do cinema, a obra é também um marco na carreira Chaplin. Até então um crítico do cinema falado, foi em O Grande Ditador o mundo ouviu pela primeira vez a voz de Chaplin. O ator quebrou o silêncio e na pele do barbeiro judeu, que confundido com o Führer assume sua identidade e é convocado a discursar à nação, transmite uma mensagem completamente diferente da retórica antissemita e fascista de Hynkel. No discurso, o ele fala à sua amada Hannah e sua mensagem é de amor e de paz: "Hannah, está me ouvindo? Onde quer que esteja, olhe para cima! Olhe para cima, Hannah! As nuvens estão subindo, o Sol está abrindo caminho! Estamos fora das trevas, indo em direção à luz! Estamos indo para um novo mundo; um mundo mais feliz, onde os homens vencerão a ganância, o ódio e a brutalidade. Olhe, Hannah!". 

O Estado de S.Paulo - 10/10/1959  


Através de sua arte, Chaplin conseguiu difundir uma das mensagens mais críticas ao isolacionismo americano. Mesmo diante das notícias sobre as atrocidades cometidas por Hitler, os Estados Unidos só entraram na Segunda Guerra Mundial em 1941, após o ataque japonês à base naval americana de  Pearl Harbor, no Havaí.

Luar sob Parador (1987). Em 1987, foi a vez do diretor Paul Mazursky se aventurar nesse gênero de comédia. Luar sob Parador, que retratava um tirano latino americano, trazia Richard Dreifuss nos papéis de Alphonse Simms, ditador da fictícia nação latino americana de Parador, e de  Jack Noah, um ator convidado a interpretar o ditador após sua morte. Simms tinha pitadas do  ditador dominicano Rafael Trujillo e era uma mistura que revelava como os americanos viam os ditadores latinos. O filme foi rodado em locações em Ouro Preto e Salvador e contou com Raul Julia, Sônia Braga e Milton Gonçalves no elenco


O Estado de S.Paulo - 18/9/1987



O Ditador (2012). Na abertura, antes mesmo da primeira cena, já começa a sátira de O Ditador, filme que tem Sacha Baron Cohen como protagonista. Antes da primeira cena do filme uma dedicatória sobe na tela e o espectador pode ler:“Em memória de Kim Jon il”. Na comédia, Cohen vive o general- almirante Aladeen, líder e supremo e governador vitalício da fictícia Wadya. Cohen retrata com seu estilo humorístico particular, com muita acidez e com piadas politicamente incorretas, um tirano inspirado nos ditadores do Norte da África e do Oriente Médio. O comediante não escondeu que Muamar Kadafi estava entre as figuras que inspiraram o personagem.


O Estado de S.Paulo - 12/08/2012


Quentin Tarantino, com seu estilo inconfundível, também matou um tirano. Em Bastardos Inglórios, filme de 2009, a trama termina com  Hitler sendo fuzilado enquanto todos os maiores líderes do Terceiro Reich queimam vivos no cinema.





 

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