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IPCC aponta mudanças no clima desde 1990

Relatórios, fundamentados em diversas pesquisas, revelam impacto do homem no meio ambiente

24 de março de 2014 | 10h 47
Liz Batista

Criado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), em 1988, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC (na sigla em inglês), tem promovido uma ampla conscientização ambiental em esferas diplomáticas internacionais e na sociedade civil. No entanto, o que foi expresso em seus relatórios ainda não se traduziram em acordos com metas substancias para a redução de gases causadores do efeito estufa.

O relatório elaborado pelo IPCC é uma análise de diversas pesquisas científicas, análises técnicas e estudos socioeconômicos sobre os impactos da ação do homem no meio ambiente e sobre o clima. Depois, organiza as informações em relatórios onde aponta as principais alterações do clima no mundo e expõe o panorama do aquecimento global. 


O Estado de S.Paulo - 28/9/2013



O documento. Os relatórios do IPCC são desenvolvidos por três frentes de trabalhos. A primeira, usa as mais recentes pesquisas científicas para entender quais fatores estão ligadas às mudanças climáticas; a segunda analisa os impactos da mudança do clima no meio ambiente e na saúde do homem. Este também é o grupo encarregado de traças as projeções futuras a partir das análises. Por fim, a última frente explora meios para combater o aquecimento global e elabora propostas para o desenvolvimento de uma economia mais limpa, sustentável e menos nociva ao meio ambiente.

O documento se tornou referencia global entre os estudos sobre o clima e meio ambiente. Tem servido como base na elaboração de metas de redução de emissão de gases poluentes e políticas públicas de preservação. Também, tem ajudado a desenvolver alternativas econômicas mais sustentáveis.  

Daqui a uma semana, em Yokohama, Japão, será apresentada a segunda parte do 5º Relatório do IPCC. Em setembro de 2013, em Estocolmo, Suécia, foi apresentada a primeira parte. O aumento do nível do mar estava entre os problemas apontados. Segundo membros do painel, "desde o meio do século 19 o nível do mar cresceu mais do que durante os dois milênios anteriores". Outros dados indicaram um agravamento do derretimento do gelo nas regiões polares. Calcula-se que de 1979 até hoje o Ártico tenha pedido de 450 mil a 510 mil km² de gelo, uma área equivalente ao tamanho da Espanha.

Veja abaixo as principais conclusões dos relatórios anteriores do IPCC.


O Estado de S.Paulo - 28/9/2013




1990 - Ação global e controle da emissão de gases.
O primeiro relatório do IPCC estabeleceu a necessidade de um fórum internacional onde instâncias governamentais pudessem discutir as questões referentes ao clima e ao meio ambiente. Dele vieram as bases para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (em inglês, UNFCC). A convenção, que contou com a participação de 108 chefes de Estado, terminou com a assinatura de um tratado internacional e com a promessa de que os países trabalhariam para construir um novo modelo econômico, baseado na lógica do desenvolvimento sustentável.



O Estado de S.Paulo - 15/6/1992




O tratado foi firmado na Eco-92, realizada no Rio de Janeiro, em 1992. A convenção estabeleceu que as concentrações dos gases causadores do efeito estufa deveriam ser estabilizadas em níveis que permitissem a adaptação natural dos ecossistemas às mudanças do clima.

O Brasil foi signatário da convenção e se comprometeu a adotar programas de preservação ambiental. No entanto, o projeto de lei da Política Nacional de Combate às Mudanças Climáticas, que só chegou ao Congresso Nacional em junho de 2008, decepcionou ambientalistas pela ausência de medidas emergenciais e de programas setoriais mais precisos para o estabelecimento de normas relativas a questões como o uso da terra, desmatamento e energia renovável . Um ano e meio depois, em dezembro de 2009, a lei foi sancionada. 

1995 - Homem, a causa das mudanças climáticas. 'Mudança Climática 1995', o segundo relatório do IPCC, publicado em 1996, afirmava que era pouco provável que as mudanças de temperaturas observadas nos últimos 100 anos fossem resultados naturais. Dizia também que as pesquisas analisadas apontavam para a influência humana como principal causa para as mudanças no clima.


O Estado de S.Paulo - 19/9/1995




Dois anos depois, essas questões embasaram as discussões da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima de 1997, e a formulação das  metas de redução de emissão dos gases poluentes  para os países desenvolvidos, estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto. Em 2002, o Brasil ratificou o documento.



O Estado de S.Paulo - 11/12/1997




2001 - Aumento do aquecimento. Divulgado pelo PNUMA, em janeiro de 2001, em Xangai, China, o terceiro relatório do IPCC contou com a colaboração de 150 delegados de 100 países. O documento contém cerca de mil páginas e foi assinado por  516 especialistas. Segundo eles, o aquecimento global deste século seria maior do que o previsto. As novas projeções indicavam que a temperatura no globo aumentaria entre 1,4ºC e 5,8ºC, enquanto, as estimativas anteriores ficavam entre 1ºC e 3,5ºC.


O Estado de S.Paulo - 23/01/2001





No mesmo ano o fórum da ONU sobre o clima reuniu 178 países em Bonn, na Alemanha. A expectativa era que as nações mais industrializadas assinassem o tratado, comprometendo-se a reduzir suas emissões de dióxido de carbono em 5,2% até o ano de 2010. Porém, a recusa do então presidente americano George W. Bush aderir ao acordo comprometeu os esforços da ONU. Em Bonn, o Brasil defendeu a modificação de critérios no Protocolo de Kyoto.

Cientistas brasileiros defenderam a posição de que as metas de redução de emissão de gases poluentes deveria ser diferente para países ricos e pobres. As metas deveriam ser calculadas considerando o consumo de combustíveis fósseis ao longo do século e não apenas as taxas atuais de emissão de gases ou de desmatamento, contabilizando, assim, a responsabilidade de cada nação sobre o efeito estufa. Após intensas negociações, 180 países, o Brasil incluído, homologaram um acordo de última hora.


O Estado de S.Paulo - 04/7/2001



2007 - Cenário catastrófico.
Em 02 de fevereiro de 2007 o quarto relatório do IPCC sobre o clima foi apresentado em Paris. O documento traçava o cenário mais sombrio já projetado pelo grupo. Entre as previsões estavam o aumento da fome e das doenças no mundo; sérias ameaças à biodiversidade, com a previsão da extinção de um terço das espécies conhecidas e elevação do nível dos oceanos ameaçando populações costeiras inteira.


O Estado de S.Paulo- 03/02/2007



Nas conclusões estavam expressas as convicções de 2,5 mil cientistas de 130 países de que o aquecimento global e as mudanças climáticas chegaram a uma velocidade e uma intensidade nunca prevista. Segundo eles, bastaria uma variação fracionária na temperatura  para desencadear eventos climáticos extremos, como tempestades, furações, inundações e secas.


O Estado de S.Paulo - 07/4/2007



Os cientistas também afirmaram que o aquecimento atual não é parte de um ciclo natural, mas resultado da utilização de combustíveis fósseis e do desmatamento em larga escala.


O Estado de S.Paulo - 05/5/2007



O IPCC desenvolveu durante todo o ano de 2007 ações de conscientização e mobilizou a opinião pública a pressionar pela adoção do Protocolo de Kyoto por todas as nações na próxima Conferência do Clima. Por seu trabalho, foi premiado com o Nobel da Paz daquele ano.

Mas, em 2009 a Conferência do Clima de Copenhague terminou sem nenhum compromisso concreto de redução de emissões por parte dos países ricos nem garantias de verbas para os pobres. A principal crítica ao documento proposto era que o texto estaria “desequilibrado”, pendendo demais para o lado dos países industrializados. A 15ª Conferência das Nações Unidas terminou sem um texto final após o plenário recusar o acordo que havia sido costurado na noite anterior entre Estados Unidos, Brasil, China, Índia e África do Sul. 

O Estado de S.Paulo - 20/12/2009




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