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Jardins: antes das mansões havia o brejo

Companhia City transformou área alagada em bairro nobre de São Paulo

08 de março de 2015 | 1h 03
Liz Batista

O Estado de S.Paulo - 01/9/1929
Anúncio chama atenção para a área verde à disposição dos moradores do Jardim América

Os debates em torno da nova Lei de Zoneamento retomam a questão das Zonas Exclusivamente Residenciais (ZER), que originalmente tinham um propósito exclusivamente residencial, mas que, com o passar dos anos, passaram a abrigar atividades e imóveis comerciais. Esse é o caso da região dos Jardins, com bairros nascidos com o propósito de serem locais residências. É difícil de imaginar que algumas das largas e arborizadas ruas que, hoje, fazem parte da nobre região conhecida como Jardins eram no passado um lugar inóspito e alagado, o caminho pantanoso e cercado por brejos usados por lavadeiras e pescadores que se dirigiam ao rio Pinheiros. Os Jardins surgiram à partir de um revolucionário projeto urbanístico e arquitetônico de moradia da City of São Paulo Improvements and Freehold Land Company Limited, ou Companhia City como é conhecida a mais antiga empresa urbanística em funcionamento em São Paulo. O conceito de bairros-jardins com casas ajardinadas, desenvolvido para os subúrbios da Inglaterra, se tornou sucesso na Europa no início do século 20, e em 1913 começou a ser trazido para o País pela City

O Estado de S.Paulo - 22/4/1928
 Publicidade da City mostrando o logo da empresa: "O símbolo da confiança" 

Os terrenos da várzea do Caaguaçu, Villa América e Freguesia do Espírito Santo da Boa Vista, na Vertente do Pinheiros, pertencentes aos coronéis Joaquim e Martinho Ferreira foram arrendados pela companhia, que ali ergueu o primeiro bairro planejado de São Paulo e a primeira City Garden da América do Sul, o bairro do Jardim América. Antes da divisão dos lotes, a área teve ser drenada e aterrada em 50 centímetros acima do nível original, para o escoamento das águas pluviais, que em dias de chuva tornavam intransitável toda a região até onde hoje fica a avenida Rebouças. Os lotes paulistanos, que em nada lembravam as dimensões dos  destinados aos operários ingleses, foram pensados para servir à nova burguesia de São Paulo, que começava a procurar terrenos além do Espigão Central da região da Avenida Paulista.O Jardim Europa, Paulista e Paulistano vieram depois, seguindo o sucesso da primeira empreitada.



Mapa do Jardim América mostra quarteirões com jardins internos do primeiro bairro planejado da cidade

A formação dos Jardins remonta a história social e econômica de São Paulo e reflete as transformações experimentadas nas décadas de 1920 e 1930.Os casarões dos barões do café na avenida Paulista deixavam de ser a imagem da prosperidade econômica do Estado e passavam a ser as mansões dos grandes industriais nos Jardins.

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