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Macunaíma lia o Estadão

Personagem do livro de Mario de Andrade lia o jornal em busca de anúncios de remédio

07 de fevereiro de 2020 | 16h 08
Cristal da Rocha - Acervo Estadão

Um dos livros considerados impróprios numa lista do governo de Rondônia, o clássico 'Macunaíma, o herói sem nenhum caráter', de Mário de Andrade - apresenta um trecho em que o personagem principal ocupa seu tempo lendo as páginas do Estadão com anúncios de remédio para a doença que havia contraído, erisipela.

"No outro dia por causa da machucadura Macunaíma amanheceu com uma grosseira pelo corpo todo. Foram ver e era a erisipa, doença comprida. Os manos trataram dele bem e traziam diariamente para casa todos esses remédios para erisipela que os vizinhos e conhecidos, todos esses brasileiros aconselhavam. O herói passou uma semana de cama. De-noite sonhava sempre com embarcações e a dona da pensão quando vinha de-manhã por amor de saber como ia o herói dizia sempre que embarcação significava na certa viagem por mar. Depois saía deixando sobre a cama do enfermo o Estado de São Paulo. E o Estado de São Paulo era um jornal. Então Macunaíma gastava o dia lendo todos esses anúncios de remédios pra erisipa. E eram muitos anúncios!"

Típica página com anúncios de remédios nos anos 1920

Página com anúncios de medicamentos na década de 1920.

Macunaíma no jornal de 18 de julho de 1998.

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