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Marco Zero de São Paulo completa 80 anos

Monumento da praça da Sé determina o centro oficial da cidade e o ponto inicial das rodovias

17 de setembro de 2014 | 16h 16
Rose Saconi

 

Às 14 horas do dia 18 de setembro de 1934, o prefeito de São Paulo, Fábio da Silva Prado, participou de um compromisso oficial: a inauguração do Marco Zero da cidade, na praça da Sé. Além do prefeito, estavam presentes vários secretários de Estado e muitas outras autoridades. "Foi uma cerimônia simples, mas significativa", dizia o Estadão em sua edição do dia seguinte, "o monumento constitue a partir de agora o centro official da cidade e do Estado de São Paulo", informava o jornal. A localização do Marco Zero na praça da Sé foi escolhida para fixar o ponto central de partida da quilometragem das rodovias e ferrovias, da numeração das ruas e das linhas telefônicas, além de marcar definitivamente o centro oficial da capital paulista.

O Estado de S. Paulo - 19/9/1934



Ideia. Embora muito mais antiga, a ideia do Marco Zero só se tornou real em 1934. Até então, as estradas-troncos tinham seus marcos iniciais localizados em diferentes pontos da capital, o que gerava enorme confusão. O da estrada SP-Rio, por exemplo, situava-se na Penha; o da SP-Santos, no Sacomã; o marco da rodovia SP-Goiás ficava no bairro de Perdizes; o da SP-Minas, na Ponte Grande; e os marcos das vias São Paulo-Paraná ficavam em Pinheiros.

Marcos tombados. Três outros blocos de concreto, que foram construídos em 1916 para marcar o início das estradas de acesso a outros municípios, foram tombados pelo Conpresp no ano passado.Um fica na altura do número 5.135 da Avenida Francisco Morato, no Butantã; outro na Rua França Pinto, na esquina com a Rua Domingos de Morais, na Vila Mariana; e o terceiro, na frente do número 375 da Rua Silva Bueno, no Ipiranga.

O Estado de S. Paulo - 5/4/1934

Antes do Marco Zero a marcação das distâncias das estradas estavam espalhadas pela cidade e gerava confusão

O marco. Treze anos antes da inauguração, a necessidade da implantação de um marco inicial em São Paulo já era reclamada pelo seu idealizador, o jornalista Américo Netto, que lançou a ideia no Estadão, onde escrevia como colaborador, e na revista Boas Estradas, da qual era redator-chefe. Mas apenas em 1934 conseguiu realizar seu projeto, com a colaboração do artista Jean Gabriel Villin.

Símbolos. O Marco Zero constituiu-se num bloco hexagonal de mármore extraído de uma jazida do município de Cachoeira Paulista, implantado numa plataforma com dois degraus de granito, com uma placa sem bronze mostrando as saídas de São Paulo. As faces mostram símbolos alusivos a seis localidades brasileiras para as quais o marco está voltado. Em relação ao Paraná, o símbolo é o pinheiro; ao Rio de Janeiro, o Pão de Açúcar e a bananeira; a Minas Gerais, o material de mineração; a Goiás, a baleia; a Mato Grosso, os atributos do bandeirante, e a Santos o navio.



Cada uma das seis faces do Marco Zero fica voltado para a direção dos Estados. Foto Eduardo Nicolau/Estadão

 

Praça da Sé. O local escolhido para a implantação do marco na praça da Sé foi considerado como ideal baseado em uma tradição histórica. Na era colonial, os paulistas se orientavam na indicação de distâncias pela porta do templo que havia no então "largo da Sé", antes da construção da catedral. 

Pouco tempo depois, o exemplo do marco zero de São Paulo começou a ser seguido por outros Estados. No Paraná, por exemplo, o marco foi instalado três anos depois de São Paulo.


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