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Massacre marcou o dia da Independência na Argélia

Centenas de europeus foram mortos durante os festejos da Independência, em 1962

05 de julho de 2012 | 17h 11
Liz Batista

Comemoração da Independência em Argel, capital da Argélia, 05/7/1962. Foto AP

Em 5 de julho de 1962, ocasião definida para marcar a Independência da Argélia, data escolhida por ser o aniversário de 132 anos da conquista francesa do país, milhares de pessoas saíram às ruas para celebrar a libertação argelina.

Mas a tônica do revanchismo e o terror sobressaíram em meio à onda de orgulho nacionalista que dominava o país naquele momento. Mesmo após o cessar fogo com a França, a assinatura dos Acordos de Evian, os vitoriosos plebiscitos e o reconhecimento da independência pela França, a paz não se mostrou tangível.

O Estado de S. Paulo, 6/7/1962






Entre os pontos firmados em Evian, a França exigiu do novo governo argelino a preservação da segurança dos franco argelinos, espano argelinos, e outros europeus residentes no país. Mas o massacre de Orã mostrou que essa não era uma preocupação do novo governo e que sua política omissora só viria a legitimar o êxodo forçado dos pieds -noirs - termo que designava os europeus argelinos, em referência às botas negras dos soldados franceses em contraponto aos pés descalços dos rebeldes argelinos.

O Massacre de Orã
. Na manhã dos festejos pela Independência, centenas de pessoas armadas entraram nos setores europeus das cidades, antes guarnecidos pela política e pelo exército francês, agora sobre os cuidados do novo governo em Argel. Em Orã, cidade litorânea com a maior concentração de descendentes europeus no país, civis foram mortos e torturados. Casas foram invadidas, pessoas atiravam em civis pelas ruas, muitos foram esfaqueados até a morte. O número de vítimas não é certo, varia entre 95 - número oficial, apresentado pelo governo da FNL - e 3.500 o número de mortos e desaparecidos. Centenas de pessoas de ascendência francesa, espanhola e de judeus foram listados no website que é um memorial do massacre.

A impassibilidade das forças de manutenção da ordem pública do novo governo e a inação das forças francesas, ainda em território argelino, traçaram o destino dos europeus no país. Forçados ao êxodo pelos radicais e pela nova e intolerante sociedade argelina que lhes ofereciam a opção
La valise ou le cercueil, as malas ou o caixão.

Cartaz pedindo a paz na Argélia, 1962.

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