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Morte de Che Guevara completa 50 anos

'Era o fim de uma lenda'; veja como 'Estado' noticiou morte do revolucionário que se tornou um mito

07 de outubro de 2017 | 21h 28
Liz Batista

O Estado de S.Paulo - 11/10/1968

Bolívia anuncia morte de 'Che'”, assim a manchete do Estado de 10 de outubro de 1967 anunciava a morte de Ernesto “Che” Guevara, uma das figuras mais emblemáticas do século 20. O jornal  informava que Guevara havia sido morto há dois dias, durante um combate travado entre o exército boliviano e guerrilheiros nas proximidades da aldeia de Higuera, na Bolívia, em 8 de outubro. 

Um mártir revolucionário que lutava contra a injustiça social, ícone dos sonhos rebeldes dos anos de 1960; ou um caudilho autoritário responsável por julgamentos sumários em nome da revolução. Cheia de nuances, a imagem do guerrilheiro socialista transita entre os polos sem ser questionada em sua relevância. É fato que Che Guevara escreveu importante capítulo da história contemporânea. A cobertura da sua morte buscou estar à altura do acontecimento. 

O Estado de S.Paulo - 10/10/1968

Em La Paz, as autoridades mostram-se mais reservadas.O Coronel Marcos Vasques, chefe do Estado-Maior do Exército, interrogado pelos jornalistas, declarou que, realmente, um dos guerrilheiros mortos no domingo era 'Ramon' (codinome de Guevara)”, dizia o texto da capa do jornal .

O cuidado em divulgar a morte de Che Guevara era reflexo das informações desencontradas veiculadas sobre ele. Desde de que deixara Cuba em 1965, o revolucionário tornara-se um fantasma. Seu paradeiro era incerto e histórias sobre sua suposta morte, com alegadas testemunhas, chegavam com frequência ao noticiário. Relatos sobre arrojadas ações à frente de diferentes grupos de esquerda também fizeram parte da nuvem de mistério que envolveu o guerrilheiro em seus últimos anos de vida. 

O Estado de S.Paulo - 11/10/1968 

“Era “Che” Guevara. Era o fim de uma legenda”. A edição de 11 de outubro de 1968 trazia a confirmação da morte. O texto publicado na capa do jornal é  do  repórter, enviado especial, José Stacchini. As fotos do guerrilheiro morto também são creditadas a Stacchini. Com riqueza de detalhes, suas palavras são um testemunho de quem se deparava com o corpo morto de Ernesto Che Guevara.“ O ar, agitado pelos rotores do helicóptero, fazia esvoaçar os amplos cabelos castanhos e os pêlos da barba daquele homem morto. Deixara de existir havia poucas horas apenas, e, então, estava quase no estado natural a tez da pele, de um morno acentuado(...) Despertou-nos mais a atenção, porém, nos primeiros momentos, aquela que era considerada a característica principal de “Che” Guevara: as sobrancelhas. Relativamente finas junto aos olhos, mas alargando-se abundantemente, à medida que se afastavam em direção aos parietais. E mais: a saliência, forte, dos ossos que ficam sob a sobrancelha, coisa pouco comum entre homens e mulheres (...)”, as linhas seguem até a constatação:“Era “Che” Guevara. Era o fim de uma legenda.” 

A cobertura segue trazendo informações sobre o combate travado entre a guerrilha e o exército boliviano, os procedimentos executados para identificação do corpo de Guevara e a repercussão mundial da sua morte.   

Cobertura da morte de Che Guevara no Jorna da Tarde, 10 e 11/10/1967
      



 

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