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Nelson Rodrigues estreou com discrição

'Lógica irracional' de 'Vestido de Noiva' causou estranhamento nos paulistanos em 1944

21 de agosto de 2012 | 12h 17
Carlos Eduardo Entini

Nelson Rodrigues estreou nos palcos de São Paulo em 1944. A estreia foi discreta, mas seu teatro deixou marcas nos espectadores. Dia 23 de agosto comemora-se o centenário de nascimento do autor.

A peça “Vestido de Noiva” chegou à cidade em junho, seis meses depois de estrear no Rio de Janeiro. A expectativa girava em torno do sucesso da companhia teatral “Os Comediantes”, conforme anunciou o Estado em 29 de fevereiro daquele ano. A peça de Nelson Rodrigues nem era citada. O grupo “que realizava uma série de êxitos realmente fora do comum” nos palcos do Rio de Janeiro foi contratado para fazer uma temporada no Teatro Municipal paulistano.

O Estado de S. Paulo - 29/2/1944


A peça “Vestido de Noiva” não tinha destaque no repertório do grupo dirigido por Zbigniew Ziembinsky. Antes dela seriam encenadas, “Caprichos” de Musset, “Escola de Maridos”, de Molière e  “Peleas e Melisandra” de Maurice Maeterlinck.


O Estado de S. Paulo - 25/6/1944

“Vestido de Noiva” estreou em 22 de junho, com direito a repetição cinco dias depois, devido ao “excepcional êxito alcançado".

O primeiro a notar originalidade de Nelson Rodrigues foi o professor de sociologia Roger Bastide, em setembro de 1944. “Vestido de Noiva” agradou  por ter uma “lógica irracional”, uma lógica, segundo ele, “no mundo da memória ou nos dos complexos que remontam o inconsciente”. O mérito do autor, continua Bastide, é “ter descoberto a arte de deixar suficientemente irregular o desenrolar das imagens com interrupções e digressões”.

O Estado de S. Paulo - 9/9/1944

A peça retornou em 1947 como o destaque da companhia. No novo elenco de '“Os Comediantes” estavam Cacilda Becker, Maria Della Costa e Jardel Filho.

O Estado de S. Paulo - 24/4/1947

Junto com a peça veio o autor. A convite da Associação Brasileira de Escritores, Nelson Rodrigues participou de um debate. A "lógica irracional" da obra, apontada por Roger Bastide, também foi o que marcou a conversa.

As digressões, a não linearidade da narrativa e o jogo entre real e irreal no texto, causaram estranhamento no público paulistano. Nelson Rodrigues esclareceu que a peça tinha três planos, da realidade, da memória e da alucinação. Para essa técnica o jornal chamou de "a filosofia de vida Nelson Rodrigues".

O Estado de S. Paulo - 27/4/1947


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