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O casamento do presidente com a cartunista

Há um século, Hermes da Fonseca e Nair de Teffé, primeira cartunista do Brasil, se casavam

08 de dezembro de 2013 | 13h 33
Carlos Eduardo Entini

Há 100 anos, o marechal Hermes da Fonseca, presidente da República se casava com Nair de Teffé, a primeira cartunista mulher do Brasil. Além da data redonda a união carrega diversas curiosidades. Para começar, foi a primeira e, até agora, a única vez que um presidente brasileiro se casou durante o exercício do mandato.

Hermes da Fonseca ficou viúvo também durante o exercício do cargo aos 57 anos. Sua primeira esposa, Orsina da Fonseca, morreu no dia 30 de janeiro de 1912.


O Estado de S. Paulo - 01/12/1912


No início do ano seguinte o marechal conheceria sua futura esposa, Nair de Teffé, então com 26 anos. O pedido de casamento veio numa inusitada queda de cavalo durante um passeio entre eles acompanhado pelo pai de Nair, o barão de Teffé.

Quem narra o episódio é a própria Nair, "sofri uma queda do cavalo e o marechal veio me socorrer, dizendo 'Há muito eu esperava por esta oportunidade. Quero que se case comigo'. Respondi que não podia aceitar de imediato e pedi seis meses para pensar" (Jornal da Tarde, 11/6/1981).


Porém a resposta veio depois de oito dias, "telefonei para o marechal e aceitei a proposta'. O anúncio oficial foi dado em almoço no dia 17 de setembro, ainda no período de luto. O casamento foi realizado no Palácio Rio Negro em Petrópolis, Rio de Janeiro. "Nenhum filho do marechal Hermes da Fonseca compareceu ao casamento", registrou o Estado o telegrama recebido sobre a celebração. Indício que a atitude do pai de não respeitar o luto não foi aceita pelos filhos.

Rian. Nascida no Brasil, mas criada e educada na França, Nair de Teffé trouxe para o País as modas e o espírito da belle epoque. Foi para lá com nove anos e voltou com dezessete. A primeira caricatura que fez foi da baronesa de Carrière que visitava o convento 'Saint Ursule', em Nice, sul da França, onde estudou. Começou a publicar suas caricaturas nas revistas Fon Fon, O Malho, entre outras, assinado 'Rian', o seu nome ao contrário. Seus desenhos retratavam e ironizavam a sociedade e seus personagens.

O Estado de S. Paulo - 11/6/1981


Também trouxe para o País a moda de mulheres usarem calças compridas. Quando era primeira dama, escandalizou as figuras palacianas que frequentavam os salões do Palácio do Catete, antiga sede da Presidência da República.Nair organizou concertos com o ritmo maxixe, considerado chulo, onde só era executada música clássica. Foi lá que Chiquinha Gonzaga apresentou a composição 'Corta-Jaca', em 1914. Nair de Teffé morreu um dia após completar 95 anos, em 1981.

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