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O naufrágio do Príncipe das Astúrias

O maior acidente na costa do Brasil aconteceu em 1916; 477 é o número oficial de mortos

02 de março de 2016 | 16h 51
Liz Batista


Desenho retrata o naufrágio do Príncipe das Astúrias, 1916. Reprodução 


Uma trágica notícia interrompeu a alegria do carnaval de 1916. Na madrugada de 5 de março daquele ano, o transatlântico espanhol Príncipe das Astúrias, vindo de Barcelona com destino final a Buenos Aires, foi a pique no local conhecido como Ponta de Pirabura, em Ilhabela, litoral norte de São Paulo. O Estado cobriu o acidente que é o maior naufrágio de uma embarcação de passageiros já registrado na costa brasileira. Oficialmente foram 477 mortos. 

A cobertura, intitulada “Tragédia no Mar”, publicada em 7 de março de 1916 no Estado contou os detalhes do acidente: “Às 4 horas e quinze minutos de ante-hontem, passava elle em frente de São Sebastião, mas um violento temporal , agravado com uma enorme cerração, atirou-o contra um recife, junto à ilha, quebrando a quilha do barco desde a proa até a popa. Descrever o pânico que o terrível sinistro provocou a bordo é tentar o impossível, se dissermos que, num instante, todos os porões se encheram de água, afundando-se o paquete em menos de cinco minutos, sem que se pudesse lançar mão de telegraphia sem fios para pedir soccorro.” O desastre chocou e comoveu o mundo, pois o Príncipe das Astúrias com mais de 16 mil toneladas e robusta engenharia de navegação, era considerado imbatível, assim como o Titanic, naufragado em 1912.


O Estado de S.Paulo- 09/3/1916 

O Estado descreveu em suas matérias as péssimas condições de navegação encontradas pelo navio. A chuva forte e o nevoeiro enfrentados pela embarcação quando ela cruzava a Ponta do Boi, um local com uma formação formação rochosa traiçoeira na Laje de Pirabura. O texto lembrava que os vapores Attilio, Erton e Velasquez já haviam naufragado naqueles recifes. Nas edições seguintes, o jornal publicou a lista completa de passageiro e, ao longo dos dias, atualizações sobre o número de vítimas fatais. A cobertura também trouxe entrevistas com alguns dos sobreviventes. Seus relatos descrevem o desespero dos passageiros. Enquanto alguns “atiraram-se à água, num rasgo de desespero, ficando durante horas à mercê das ondas”, outros que estavam dormindo não tiveram tempo de escapar, pois o navio afundou rapidamente, em cerca de cinco minutos.

O navio francês Vega ajudou a resgatar cerca de 55 dos 144 sobreviventes. Oficialmente o transatlântico levava 621 pessoas, entre passageiros e tripulantes. Mas, estudiosos do naufrágio acreditam que o número real de pessoas a bordo era maior. Na época, a Europa vivia a Primeira Guerra Mundial e muitas famílias, em fuga, viajavam ilegalmente para países americanos em busca de melhores condições.

O Estado de S.Paulo- 03/12/2006
 


Mistérios e tesouros. O naufrágio do Príncipe das Astúrias guarda até hoje mistérios. Teorias sobre os motivos do seu acidente e sobre tesouros submersos povoam sua história. Há quem diga que o acidente possa ter sido causado por algum torpedo, afinal eram tempos de guerra. Outros dizem que não houve nada de acidental no occorido, que o naufrágio foi premeditado para esconder o roubo de uma carga de moedas de ouro que tinha como destino Buenos Aires. Algumas histórias falam de riquezas ocultas no fundo do mar. As expedições conduzidas onde estão os destroços do navio não encontraram nenhum baú cheio de ouro e jóias, mas recuperam estátuas de bronze, presentes da Espanha em homenagem à independência da Argentina. O local tornou-se um dos mais conhecidos pontos de mergulho do Brasil.

Tags: Naufrágio

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