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O teste da minissaia

Há 50 anos reportagem do Jornal da Tarde mostrou as reações à nova moda

27 de janeiro de 2016 | 17h 20
Liz Batista

A jovem Lina passeia por São Paulo com sua minissaia,28/01/ 1966. Acervo/ Estadão 

Em 28 de janeiro de 1966 o Jornal da Tarde saiu às ruas de São Paulo com a missão de avaliar a reação das pessoas diante de um minissaia. A moda criada e popularizada pelo estilista francês André Caourrèges e pela inglesa Mary Quant no início dos anos 1960 levou a saia para cima do joelho.

Gradualmente a peça foi ganhando as passarelas e as e as ruas. Em 1966, a minissaia apareceu com força na coleção do estilista Jacques Esterel - até os homens ganharam uma versão da roupa. Não demorou muito para a peça debutar por aqui.


Jornal da Tarde - 28/01/1966
 

Com apenas 12 cm a menos, e não 24 como as das passarelas, a vestimenta já causou impacto. A matéria contou com a colaboração de uma jovem, a bela Lina, que encurtou a saia de seu vestido e saiu para um passeio. O JT descreveu o resultado da experiência “nunca como hoje tantos viraram a cabeça para vê-la passar”. As mulheres entrevistadas avaliaram que a moda não pegaria em São Paulo.  

 

JT mostrou as reações à minissaia, 28/1/1966. Acervo/Estadão

Indecente, demoníaca e até comunista. Não houve quem ficasse indiferente à minissaia. Ela chocou, dividiu opiniões e caiu no gosto das jovens. Uma rápida pesquisa no Estadão Acervo na década de 1960 mostra as diferentes reações à moda.  

O Estado de S.Paulo - 13/8/1967
 

Por exemplo, no ano de em 1966, um cardeal do México declarou que a peça “ajudava o demônio”. Em 1967 as funcionárias da Polícia Federal foram proibidas de usar o traje no trabalho e o Juizado de Menores de Porto Alegre declarou que deteria a moças que usassem saias que ultrapassassem a “média do decoro”. No mesmo ano, a Grécia baniu a minissaia e a barba longa, modas consideradas comunistas. Em 1968, elas fizeram a cabeça das jovens cubanas.

O Estado de S.Paulo - 22/02/1968

Longe da problemática do comprimento do traje, o debate também corria em outro âmbito. Para os literatos franceses não se tratava de um  problema de falta de pudor, mas de linguística. As críticas eram contra o prefixo “mini”.

Mais que uma tendência, a peça se tornou um dos símbolos da contestação de valores e da liberação feminina que marcaram os anos 1960.  

Tag: Moda, MinissaiaFeminismo 

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