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Os 30 anos do E.T.

Em 1982, um personagem de outro planeta conquistava os terráqueos

11 de junho de 2012 | 17h 54
Luiz Rangel

Com apenas dezesseis anos Steven Spielberg realizou seu primeiro filme de ficção científica, "Firelight", rodado em 8 mm ao custo de 500 dólares. Aos vinte conquistou prêmios nos festivais de Veneza e Atlanta com o curta-metragem "Amblin".

Transitando entre um gênero e outro, o jovem diretor foi aprendendo tudo o que precisava para dominar a arte de enfeitiçar plateias. Com o passar dos anos vieram "Tubarão", "Contatos Imediatos do Terceiro Grau", "Poltergeist", "Os Caçadores da Arca Perdida", cada qual deixou sua marca no mercado e na história.

O Estado de S. Paulo - 12/12/1982

 

Foi em 1982 que  Spielberg  colocou toda essa experiência em prática. Misturando ação, suspense e humor construiu uma história infantil com roupagem de ficção científica. fez um filme de censura livre que agradou o público de todas as idades. Exibido no Festival de Cannes, em 26 de março de 1982, o filme teve sua  estréia para o grande público em 11 de junho daquele ano, nos Estados Unidos. Chegou ao Brasil no Natal.

Com o mesmo apelo de "Contatos Imediatos", Spielberg retomou a ideia de que não estamos sozinhos no universo e manteve a sua particular recusa em retratar extraterrestres como inimigos da humanidade.

"E.T. - O Extraterrestre"é uma espécie de contos de fadas da ficção científica. O filme marca uma ruptura  no tradicional roteiro do cinema norte-americano que até então retratava alienígenas como uma ameaça. Impregnados de vícios da Guerra Fria, filmes como  "Guerra dos Mundos", "Vampiros de Almas" e outros clássicos dos anos cinquenta, frutos da paranoia macartista, não conseguiam desvencilhar a ameaça extraterrestre da ameaça comunista.

Revolucionário e inovador na sua proposta," E.T." deixou sua marca em toda uma geração, que vê uma bicicleta cruzar a Lua sempre que ela brilha cheia no céu.

Elliot e E.T. cruzando o céu Foto: reprodução

Seu monstrinho do espaço, muitas vezes descrito como uma repulsiva tartaruga sem casco, fez a pequena Drew Barrymore gritar de susto, mas é inocente como uma criança, fica horrorizado ao ver cenas em que Tom e Jerry  se agridem violentamente. É sábio e feioso como um mestre Yoda do "Guerra nas Estrelas". Muito desastrado, bebe cerveja achando que é refrigerante, se veste de mulher e se fantasia para o Halloween. Realiza curas milagrosas, atiça a comunidade científica e a CIA, que quer capturá-lo a qualquer custo.

Embora o filme tenha sido vetado para crianças em países como Suécia, Dinamarca, Noruega e a primeira aparição para seu amigo terráqueo, Elliot, tenha sido uma cena em clima de suspense, ele está muito longe das intenções hostis dos aliens e marcianos que o antecederam no cinema. Seu único desejo era voltar para casa. Os verdadeiros vilões são os humanos adultos que tentam impedir que isso aconteça.

 

Eliot e seu amigo que veio de muito longe. Foto:Reprodução


Sucesso de bilheteria

Com pouco mais de U$10 milhões, o diretor substituiu grandes estrelas por uma extensa equipe de especialistas em efeitos especiais e se livrou dos executivos da Universal para contar a história de seu Pinóquio extraterrestre, como definiu a matéria do JT de 25 de dezembro de 1982, sem intervenções indesejadas.

Até o planejamento das cenas em storyboard fora dispensado. Seguindo os passos de "Guerra nas Estrelas", que descobriu que o potencial de lucrar com cinema podia ir muito além das salas de exibição, E.T. chegou amparado num projeto comercial minuciosamente planejado, que elevou as taxas de licenciamento de merchandising de habituais 6 a 10% para um novo patamar que podia chegar aos 15%.

Além de beber coca-cola, a criaturinha estampou camisetas, pijamas, agendas, pôsteres, cadernos, máscaras, bonecos, livros e mais tarde vieram videogames, amplas instalações no parque da Universal Estúdios e mais bonecos. Como resultado, além de cinco estatuetas dentre as nove indicações que recebeu ao Oscar, foi o primeiro filme a bater a marca de U$700 milhões e manteve o recorde de bilheteria por onze anos, até o lançamento de Jurassic Park, do próprio Spielberg. Por fim, uma versão reeditada, remasterizada e acrescida de novas cenas e efeitos digitais para comemorar seus vinte anos de sucesso, trouxe Elliot e seu amigo de volta aos cinemas em 2002.

Agora, ao completar três décadas, os olhos de seu criador se voltaram para outro personagem. Quando anunciava o primeiro lançamento de E.T. a matéria do JT de 7 de dezembro de 1982 não deixou de comentar a pilha de livros de um certo herói sem super-poderes, esparramados sobre a mesa de trabalho de Spielberg. Talvez ele já estivesse pensando numa forma de transportar as aventuras de Tintin dos quadrinhos para a telona numa época em que as animações em 3D ainda eram um sonho distante, mesmo para alguém tão habituado a misturar fantasia e realidade.

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Foto: Ywane Yamazaki/Estadão

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