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Os presentes que São Paulo ganhou de aniversário

Todo ano a cidade tem festa e recebe presentes. Alguns inesquecíveis, outros nem tanto

24 de janeiro de 2013 | 20h 26
Liz Batista e Carlos Eduardo Entini

De certa forma São Paulo é como gente. Todo ano, no dia do aniversário, tem festa e recebe presentes. Alguns deles o paulistano tem orgulho de mostrar, como o Mercado Municipal, que completa 80 anos, e a Catedral da Sé. Outros não poderia mais viver sem, como a Ponte das Bandeiras e o Ceasa. E como não poderia deixar de ser, tem aquele presente que não se sabe o que fazer, se devolve, joga fora ou arranja um jeito de conviver. É o caso do Elevado Costa e Silva, o Minhocão. O elevado foi criado para liberar o trânsito e ficou congestionado logo no dia da inauguração.


Interior do Mercado Municipal de São Paulo Foto: Maurilo Clareto/Estadão

O aniversário de São Paulo é comemorado oficialmente desde 1912, quando o prefeito Raymundo Duprat decretou lei nº 1482 que a partir daquele ano a data seria feriado em todas as repartições municipais e na Câmara dos Vereadores. As comemorações ao longo desse século começaram com simples desfiles de escolares e militares em frente à a sede da Prefeitura, passaram a ser eventos políticos na década de 1930, com entrega de obras e monumentos em homenagem à cidade e chegaram a grandes eventos com a participação dos paulistanos, como foi a festa dos 450 anos. Hoje os presentes são mais singelos. Passou o tempo dos grandes monumentos e prédios. O último foi o Auditório do Parque do Ibirapuera na comemoração dos 450 anos, em 2003. De lá para cá a cidade tem ganho obras e prédios restaurados. Foi assim com a reforma da calçada da Avenida Paulista em 2003.


Congestionamento no dia da inauguração do Minhocão Foto: Arquivo/Estadão

Conheça alguns presentes que a cidade recebeu registradas no Estadão Acervo.


1933 - MERCADO MUNICIPAL

Localizado às margens do Rio Tamanduateí, o Mercado Municipal de São Paulo, popular Mercadão, foi projetado pelo escritório do arquiteto Francisco Ramos de Azevedo, começou a ser construído em 14 de abril de 1926.


O Estado de S.Paulo, 25/01/1933



 

Após a morte de Ramos de Azevedo quem continuou a obra foi o escritório Severo & Villares. A demora se deu às dificuldades financeiras e políticas, sendo que o canteiro de obras chegou a ser usado como acampamento militar. Os 32 painéis subdivididos em 72 vitrais, uma das atrações do Mercadão, foram feitos pelo artista russo Conrado Sorgenicht Filho, que também trabalhou na Catedral da Sé.

O mercado faz parte do roteiro gastronômico da cidade. Dentro dele é possível encontrar carnes, peixes, legumes, verduras, frutas e especiarias, além de provar dois famosos quitutes de São Paulo, o sanduíche de mortadela e o pastel de bacalhau. Ao todo são 290 boxes que movimentam 350 toneladas de alimentos diariamente.


1934 - MONUMENTO A RAMOS DE AZEVEDO


 O Estado de S.Paulo - 26/1/1934



1941 - JOCKEY CLUB

Fundado em 14 de março de 1875, sob a denominação "Club de Corridas Paulistano" teve a primeira praça de corridas no bairro da Moóca, na zona leste de São Paulo.A ideia de construir o atual espaço para o turfe veio em 1925, tanto pela necessidade da capital ganhar um espaço maior para o esporte, quando pela rivalidade com o Rio de Janeiro, que havia inaugurado o Hipódromo da Gávea.

A construção do atual Hipódromo Cidade Jardim, só teve início em 1936, na gestão do prefeito Fábio Prado e se deu a partir de um terreno doado pela Cia. City, empresa de loteamentos.



O Estado de S.Paulo- 25/ 1/1941


1942 - PONTE DAS BANDEIRAS - PALÁCIO DA JUSTIÇA - BIBLIOTECA MUNICIPAL

O prédio da biblioteca municipal na Rua da Consolação foi construído e inaugurado pelo Prefeito Prestes Maia sendo considerado um marco do estilo Art Déco na capital paulista. O edifício foi tombado em 1992 pelo município. Em 1960 que recebeu o nome de Biblioteca Mário de Andrade, em homenagem ao famoso escritor que criou em 1935 o Departamento Municipal de Cultura de São Paulo. Em 2007 passou por uma grande reforma. Foi reaberta ao público em janeiro de 2011. Em uma biblioteca que ocupa 22 andares está um acervo de 327 mil livros, dos quais 51 mil são considerados raros.

O Estado de S.Paulo, 25/01/1942

1954 - CATEDRAL DA SÉ

A Catedral Metropolitana de São Paulo ou Catedral da Sé, localiza-se na praça de mesmo nome, no marco zero da cidade de São Paulo. Sua construção teve início em 1919 mediante um projeto do professor de Arquitetura da Escola Politécnica, Maximilian Emil Hehl, a pedido do então Arcebispo Dom Duarte Leopoldo e Silva.  Considerada hoje uma das maiores catedrais em estilo neogótico do mundo teve sua inauguração durante as comemorações do IV Centenário da cidade de São Paulo.

O Estado de S. Paulo - 26/1/1954

O primeiro templo construído no local, entretanto, é bem mais antigo. Oficialmente data de 1612 como Igreja da Matriz, da então Vila de São Paulo. A sede do poder eclesiástico na capital foi demolida no século XVIII para dar lugar a uma obra maior, já que a vila havia sido elevada à cidade.

No começo do século XXI, a Catedral passou por uma grande reforma para preservação e ficou fechada por três anos. Em horários específicos é possível fazer uma visita guiada e conhecer a cripta, localizada no subsolo, sob o altar-mor.

1957 - PLANETÁRIO

O Estado de S. Paulo - 2/2/1957

1957 - GINÁSIO DO IBIRAPUERA

O Estado de S. Paulo - 22/1/1957

1961 - RODOVIÁRIA DA LUZ

O Estado de S. Paulo - 26/1/1961

1966 - CEASA

O Estado de S. Paulo - 9/2/1966

1969 - PALÁCIO ANCHIETA

O Estado de S. Paulo - 26/1/1969

1970 - PRAÇA ROOSEVELT - ESTÁDIO DO MORUMBI

Tanto a praça como o estádio foram inaugurados oficialmente em 25 de janeiro de 1970 pelo então presidente da República, Emílio Garrastazu Medici. A praça Roosevelr era conhecida como Praça do Café ou da Consolação. O local ganhou a atual nome em outubro de 1945, em homenagem ao presidente americano que havia falecido.

 

O Estado de S. Paulo - 24/1/1970

O projeto da praça começou a ser feito em 1960, com Faria Lima na prefeitura. Muito criticado, a obra era considerada elitista e pouco parecida com o que uma praça deveria ser. Degradada nos anos seguintes tornou-se um abrigo a céu aberto para usuários de drogas, até a chegada de diversos grupos de teatro ao local. Depois de dois anos de reforma a Praça Roosevelt foi entregue à cidade em setembro de 2009.

O Estádio Cícero Pompeu de Toledo, ou como é popularmente conhecido, Morumbi, levou 18 anos para ser concluído. Suas obras começaram em 1952, com a criação da Comissão Pró-Estádio e o lançamento da pedra fundamental. Parte do terreno havia sido doada por uma imobiliária, e a outra comprada pelo São Paulo Futebol Clube.

O Estado de S. Paulo - 25/1/1970

O time arrecadou dinheiro inicialmente com a venda de cadeiras cativas (20 mil Cruzeiros cada uma) e conseguiu inaugurar uma etapa do estádio, em 1960, no dia 2 de outubro, em amistoso contra o Sporting de Lisboa. Naquele tempo, metade do Morumbi era suficiente para receber as 60 mil pessoas que viram o tricolor vencer o time português por 1 a 0. Ele foi definitivamente inaugurado em 1970, com capacidade para 140 mil pessoas.

1971 - MINHOCÃO

  O Elevado Costa e Silva, conhecido popularmente como Minhocão, foi inaugurado em janeiro de 1971 também com a presença do presidente Medici. Foi entregue  após um tempo de construção recorde para uma obra tão grande: um ano e dois meses. Ligando a Praça Roosevelt no centro à região de Perdizes, na zona oeste da cidade, teve o projeto idealizado por Faria Lima e concretizado no mandato de Paulo Maluf, na prefeitura.  

O Estado de S. Paulo - 26/1/1971

O Minhocão desde o início sempre foi bastante criticado, tanto por ter causado uma grande desvalorização da região, quanto por não ser uma solução para o trânsito de São Paulo, ligando “um congestionamento a outro”. No primeiro dia aberto, já teve um grande engarrafamento, fato que acontece até hoje.

No ano de 1976 o Minhocão passou a ser interditado à noite, medida adotada para evitar os acidentes noturnos, que se tornavam rotina, e para a diminuição do barulho na região. Em novembro de 1989, a então prefeita Luiza Erundina determinou que o elevado fosse interditado das 21h30 às 6h30. Aos domingos e feriados quando está fechado para o trânsito, o elevado é ocupado pelo paulistanos como área de lazer.

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