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PC Farias, o homem forte do governo Collor

Ex-tesoureiro e amigo íntimo de Collor saiu da sombra depois de forçar empréstimo na Petrobras

06 de maio de 2013 | 18h 18
Carlos Eduardo Entini

Ele não tinha cargo no governo Collor. Não falava publicamente. Suas poucas falas eram pinçadas em festas. “Nesse governo eu só quero indicar os titulares de dois cargos, o ministro do Exército e o secretário da Receita Federal”, disse PC Farias na festa de comemoração da eleição de Collor em 1989. Era reconhecido como o tesoureiro de campanha - e responsável por arrecadar verbas - ou amigo íntimo do ex-presidente. Daí vinha o poder do homem mais poderoso governo Collor.

O Estado de S. Paulo - 25/6/1996


Viveu nos bastidores até outubro de 1990 quando foi acusado de usar todos seus poderes para pressionar a BR Distribuidora a ceder um empréstimo de US$ 40 milhões para a Vasp. A denúncia resultou na demissão presidente da Petrobras, Luiz Octávio da Motta Veiga, que qualificou as condições do empréstimo como “inaceitáveis”. Motta tirou PC Farias das sombras em que vivia, e mostrou que ele usava seu poder em articulações nada transparentes.


O Estado de S. Paulo - 24/6/1996

Depois da denúncia, PC Farias nunca mais voltou para os bastidores, mas seus negócios nunca foram esclarecidos. A áurea de mistério do empresário alagoano, que enriqueceu com a revenda de carros usados, não desapareceu com sua morte, ainda repleta de mistérios. 16 anos após sua morte, quatro policiais estão sendo julgados por suspeita de envolvimento no crime. Na época o laudo da polícia de Alagoas considerou as mortes como crime passional. Suzane Marcolino teria matado PC por ciúmes e depois se suicidado. Dois dias depois do crime, a polícia alagoana já sustentava essa tese, como foi publicado no Estado em 25 de junho de 1996. A promotoria contesta a versão e defende a tese de queima de arquivo.  


O Estado de S. Paulo - 2/10/1990


Luiz Otávio da Motta Veiga, o ex-presidente da Petrobrás entrou em rota de colisão com PC Farias ao denunciar um pedido de empréstimos e foi demitido do cargo depois de negá-lo. Foi acusado de ter se aliado ao corporativismo da estatal. Veiga resistiu sempre resistiu às pressões de PC. Fazia questão que as visitas de PC Farias fossem registradas na portaria da Petrobras e anotou em sua agenda diversas conversas com ele.

O Estado de S. Paulo - 21/10/1990

Renan Calheiros, atual presidente do Senado, le na época líder do PRN, partido de Collor, e que ao longo dos anos teve uma relação de idas e vindas com o político alagoano, chegou a chamar PC Farias de "um gângster, um Al Capone da política alagoana" e o acusou de fraudar eleições em Alagoas.

O Estado de S. Paulo - 11/12/1990

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