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Por voto, feminista morre em Derby

Há 100 anos, morte de sufragista levou milhares de mulheres às ruas de Londres

14 de junho de 2013 | 12h 21
Liz Batista

Há um século, a morte da feminista Emily Wilding Davison, atropelada pelo cavalo do rei da Inglaterra, levou seis mil mulheres a marchar pelas ruas de Londres pedindo o direito de votar.

Martírio ou suicídio? A questão por trás da morte da sufragista que invadiua pista durante o Derby de Epsom e foi atropelada pelo cavalo do rei da George V  perdura até hoje como uma incógnita.

Mesmo sem um veredicto, o acontecimento escreveu na história do movimento feminista pelo direto ao voto um dos seus capítulos mais heroicos e também mais trágicos. Mas resultou à causa sufragista a primeira grande passeata pelo voto feminino da história, que completa um século. Milhares de inglesas saíram às ruas durante os funerais de Emily. As mais jovens, vestidas de branco, e as mais velha de preto, levavam faixas pedindo o direito de voto.  "Dê-nos liberdade ou a morte", dizia uma delas. 



O atropelamento. O evento que desencadeou a grande passeata que completa um século, acontecera dez dias antes, quando milhares de ingleses, junto com a família real, reuniram-se no Hipódromo de Epsom Downs para mais um tradicional e aguardado “Derby Day”.



Emily Davidson

Entre os espectadores da corrida estava Emily Davison, sufragista e militante da União Social e Política das Mulheres. O grupo, fundado e coordenado pela feminista Emmeline Pankhust, lutava pelo direito ao voto feminino na Inglaterra e nos meses anteriores havia intensificado sua campanha e suas ações. Assim como outras organizações políticas do período, as sufragistas também fizeram sua incursão pelo incipiente território do terrorismo no início do século 20. Bombas colocadas em lugares públicos foram creditadas às sufragistas, centenas de caixas de correio e correspondências foram destruídas pelas militantes, linhas de trens interrompidas, residências de figuras do governo foram vandalizadas, figuras públicas agredidas.  Winston Churchill foi agredido por uma ativista com “chicote em punho”.

Emily estava disposta a realizar um ato político grandioso, que certamente teria grande repercussão. Tentaria colocar um broche do movimento sufragista no cavalo do rei. Quando todos os olhos estavam voltados para a curva final, e os jóqueis disputavam as melhores posições próximos a linha de chegada, Emily saltou na pista, na frente do cavalo de George V. O animal a atropelou e atingiu gravemente sua cabeça. Desacordada, foi levada ao hospital, onde morreu quatro dias depois. 

O famoso jóquei, Herbert 'Diamond' Jones, que montava o puro-sangue Anmer,o cavalo no qual o rei apostara, foi derrubado. Sofreu contusões e precisou ter seu braço imobilizado.

O Estado de S.Paulo, 05/06/1913

Chocados com o evento da corrida, os ingleses se dividiam. Houve quem se compadecesse com a sufragista, mas a maioria a tratava como uma desequilibrada, daí a tese de suicídio. A rainha Mary comoveu-se, mas não com a militante. Escreveu ao jóquei desejando-lhe  melhoras e lamentando o “triste acidente causado pela conduta abominável de uma mulher lunática.”

Jornais publicavam perfis de Emily, falando sobre suas tendências suicidas e como sua militância radical haviam lhe rendido seis prisões. Um bilhete de trem de volta e um convite para o baile sufragista daquela noite foram encontrados no bolso de Emily, colocando em cheque a teoria do suicídio e levando a crer que seu  ato fora tão corajoso, quanto impensado e por isso mal logrado.

O Estado de S.Paulo, 17/06/1913

A cena foi capturada em filme e exibida nos noticiários de Cinematógrafos por toda a Europa. A imagem tornou-se um símbolo da luta das mulheres pelo direito ao voto e espalhou a mensagem de até onde as militantes iriam pela causa.


Imagens da passeata também foram registradas. Outras cenas e mensagens que também correrram o mundo.



Só em 1918, após a Primeira Guerra Mundial, as inglesas adquiriram o direito ao voto.


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