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Prédios de São Paulo: Superquadra Paulistana

Inspirado em Brasília, empreendimento prometia um parque 'dentro da civilização'

18 de setembro de 2014 | 16h 41
Liz Batista

Para ser romântico você não precisa fugir da civilização”, assim a Jamil Abo Arrage Empreendimentos Imobiliários Ltda, construtora da Superquadra Paulistana, solucionava a equação, oferecendo os apartamentos da “Primeira Superquadra Paulistana”. O projeto inspirado nas quadras de Brasília, que ocupa um quarteirão próximo à Avenida Sumaré, poderia ser “sua casa, seu parque, dentro da civilização”, afirmava o anúncio publicado no Estado de 20 de novembro de 1969.

O Estado de S.Paulo – 20/11/1969

Mudanças. Na época do anúncio eram cinco edifícios e dividiam a área de 6.500 metros², com um parque, piscinas, play-ground, quadras de esporte. Depois, a área verde foi reduzida para a construção de mais duas torres. Fora do projeto original, também foi construído um supermercado na área que dá para a rua Joaquim Ramalho. Hoje, as vigas em balanço, que ornam a fachada externa de três torres, estão desgastadas e serão retiradas.


A inovação da Superquadra Paulistana não era prerrogativa apenas da concepção urbanística, as ações de marketing também caprichavam na originalidade. Em 13 de novembro de 1969, a construtora Jamil Abo Arrage publicava no Estado um anúncio que imitava uma reportagem. No título a publicação logo propunha “já que você não pode ir morar em Brasília traga uma superquadra para sua família” e frisava a possibilidade de lazer combinado à segurança que o empreendimento oferecia: “superquadra, um conjunto residencial onde crianças não precisam atravessar ruas”. Em outra publicidade, o empreendimento era anunciado como o “lugar para sua família morar bem todos os dias”.

 
O Estado de S.Paulo – 13/11/1969 

A inspiração. Fundada em 21 de abril de 1960, a cidade de Brasília, projetada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer para ser a capital federal do País, foi a imagem arquitetônica que representou o futuro do urbanismo por décadas. Sua estrutura organizada em superquadras, uma tendência que inspirou  projetos imobiliários, refletiam a racionalização do complexo organismo de uma cidade. Em dezembro de 1965, o Estado publicou um artigo sobre a estrutura das superquadras. Baseado nos estudos do arquiteto Luciano Gomes Cardim sobre o desenvolvimento de superquadras no planejamento urbano na cidade, o texto discutia a transformação urbana que se daria através da chamada “operação superquadra”.

O artigo concordava como a “imprescindível necessidade, e inadiável  urgência de uma planificação mais ampla sob pena de assistirmos ao agravamento contínuo dos erros atuais e à inexorável deterioração de áreas inteiras da cidade.” E, lembrava que a concepção das superquadras ia além do “remanejamento do sistema viário”, se tratava de uma “unidade urbana autossuficiente”. 


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