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Privatizações começaram no governo Figueiredo

Mas foi nos anos 90, no governo Collor, que tiveram início os leilões de grandes estatais

22 de outubro de 2013 | 10h 59
Liz Batista

O Estado de S.Paulo, 28/10/1991




Debatidas desde o governo Geisel (1974 - 1979), o pontapé inicial das privatizações foi dado no governo Figueiredo (1979 -1985). Foi o decreto n.º 86.215 de 25 de julho de 1981, que estabeleceu as normas para a transferência de empresas estatais para a iniciativa privada.

As primeiras privatizações apresentadas pela Comissão Especial de Desestatização, criada no decreto, foram as da América Fabril, a Companhia Química do Recôncavo e a fábrica de papel e celulose Riocell. Durante os anos 80, o ritmo dos negócios foi tímido.

O Estado de S.Paulo -16/7/1981




Após a redemocratização, o governo Sarney tentou, mas não avançou nas privatizações. O desinteresse por parte de compradores foi o grande obstáculo à privatização das 47 empresas colocadas à venda. O dinheiro que seria obtido seria para aplacar o crescente déficit público.

No governo Collor (1990-1992), os ventos mudaram. E a dimensão das privatizações também. A ideia de desonerar o Estado vendendo grandes empresas estatais ganhou força e foi colocada em prática.

Aviação, açúcar e aço estão entre as primeiras grandes privatizações. A Viação Aérea São Paulo (Vasp) foi comprada por Wagner Canhedo em setembro de 1990 por US$ 45 milhões. No mês seguinte, a Companhia Usinas Nacionais, fabricante do Açúcar Pérola, vendeu uma de suas unidades de refino à Companhia Açucareira Fluminense por U$ 1 milhão.



O Estado de S.Paulo- 05/9/1990 e 26/3/1991




 

E, em 1991, foi a vez da Usiminas ser levada a leilão. Até a batida do martelo, o leilão da siderúrgica percorreu um turbulento caminho.

Uma guerra judicial sobre o negócio começou quando ações populares movidas por sindicalistas, economistas e políticos ligados ao PDT e ao PT receberam liminares barrando o processo sob alegação de leso ao patrimônio nacional.

Mas a privatização da Usiminas ocorreu mesmo diante de protestos, com a opinião pública dividida sobre o tema e depois de um ataque com uma bomba caseira à Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Após o Supremo Tribunal Federal ter decidido sobre a legalidade do leilão, as ações da siderúrgica foram arrematadas por U$ 1,170 bilhão em 24 de outubro de 1991. O controle da empresa ficou com o grupo liderado pelo banco Bozzano Simonsen. No dia seguinte à venda, os 81 feridos e 13 presos, entre os 400 manifestantes que tentaram impedir o leilão, foram a manchete do Estado em 25 de outubro de 1991.


O Estado de S.Paulo -04/10/1991



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