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Quando Lula e FHC dividiram um palanque

PSDB apoiou Lula no segundo turno de 1989 contra a eleição de Fernando Collor de Mello

23 de setembro de 2015 | 17h 57
Liz Batista

  Comício de Lula nas eleições presidenciais de 1989. Masao Goto Filho/ Estadão

Uma cena que pertence ao passado e hoje parece impensável, dado o antagonismo entre os personagens. A foto, tirada em 11 de dezembro de 1989, durante o segundo turno das eleições presidenciais daquele ano, mostra Fernando Henrique Cardoso no palanque de Luiz Inácio Lula da Silva, então candidato do PT à Presidência.

O comício também contou com a presença do senador tucano Mário Covas e do governador de Pernambuco, o peemedebista Miguel Arraes. Candidato derrotado no primeiro turno, Covas formalizou seu apoio durante o evento, que reuniu milhares de Pessoas na Praça Charles Müller, no Pacaembu. Há apenas 16 dias da primeira eleição presidencial pós-ditadura, o evento foi o  último realizado em São Paulo antes da votação.

Na época as pesquisas indicavam uma acirrada disputa entre o candidato petista e seu concorrente Fernando Collor de Melo do PRN, que acabou vencendo a disputa. Collor foi eleito em 17 de dezembro de 1989, com 53,03% dos votos


O Estado de S. Paulo - 12/12/1989

Pelas caixas de som, os presentes puderam ouvir um locutor divulgar o resultado da mais recente pesquisa de intenção de votos do Datafolha, “ 47% para Collor e 44% para Lula”.  

A aliança. No final de novembro de 1989, e já fora da corrida eleitoral pela Presidência, o PSDB  encontrava-se dividido. O fato se tornou evidente durante a reunião do diretório nacional, enquanto alguns membros defendiam a neutralidade no segundo turno, a ala esquerda pedia pela adesão imediata dos tucanos à campanha do petista.

A saída encontrada para manter a unidade do partido foi  declarar seu apoio à Lula, enquanto deixava claro suas divergências programáticas e continuava negociando os pontos do programa de governo da Frente Brasil Popular, coligação formada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PC do B) e Partido Socialista Brasileiro (PSB). 

O Estado de S. Paulo - 10/12/1989

Líder do PSDB no Senado e um dos principais interlocutores do partido, FHC era um dos membros a apontar as divergências, como mostrou a matéria publicada no Estado de 10 de dezembro de 1989. “O PT age como o partido comunista depois da guerra (…) Quer ser uma grande frente para acabar com o imperialismo e o latifúndio. Isso é pré-perestroika”, criticava.

Ao tratar sobre a resistência do PSDB paulista em apoiar o PT,  não escondia o  ressentimento pela falta de apoio petista nas últimas eleições em São Paulo, “em 85, Eduardo Suplicy atacava a mim e não ao ex-presidente Jânio Quadros na disputa pela Prefeitura de São Paulo”. Apesar das diferenças, FHC admitia subir ao palanque de Lula, “em 78 ele vestiu minha camisa quando disputei pela primeira vez o Senado”.

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Tags: Lula, Fernando Henrique Cardoso

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