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Santos Dumont quis participar da 1ª Guerra

Aviador se ofereceu para se juntar ao exército francês; para ele aviação serviria como proteção

07 de agosto de 2014 | 10h 36
Carlos Eduardo Entini, Liz Batista e Rose Saconi

Um dia depois de Alemanha e França entrarem em guerra, em 4 de agosto de 1914, o aviador Santos Dumont se colocou à disposição dos franceses. Uma nota republicada pelo Estadão em 7 de agosto de 1914 revelou o desejo do aviador de participar ativamente na 1º Guerra Mundial.

O Estado de S. Paulo - 7/8/1914

Santos Dumont, na época com 40 anos, e também cidadão francês, tinha longa ligação com as forças armadas francesas. A ideia dele era de que a aviação fosse usada como proteção, no patrulhamento da costa, principalmente para avistar os submarinos, e no reconhecimento de áreas. Mas não nos combates, explica Henrique Lins de Barros, autor de vários trabalhos sobre o aviador e autor da biografia 'Santos Dumont e a Invenção do Voo', de 2003.

O desejo de que a aviação fosse usada militarmente vem bem antes do conflito. Em 1903, após suas experiências com o dirigível 'Nº 9', Dumont mandou carta ao Ministro da Guerra colocando à disposição da França sua 'flotilha' em caso de guerra, mas não poderia ser “com um país que não fosse das duas Américas”, frisou o aviador. Em resposta, recebeu das autoridades francesas sinal positivo para que sua 'flotilha', formada por três dirigíveis, fosse testada para uso militar.




Casa e carro na guerra. Dumont, acabou não participando diretamente da guerra, como era seu desejo. Mas, indiretamente. Dois dias depois de se colocar à disposição dos franceses, recebeu pedido do Ministério da Guerra para que cedesse sua casa em Berneville, na costa da Normandia, norte da França.

Em carta, o general Vayssière ressalta a importância do observatório astronômico instalado na casa tinha para a vigilância do litoral, e pede gentilmente a ele, “simpatizante do nosso país”, para que seja usada pelos militares francesas. Em compensação, a casa que poderia “estar exposta a atos de maldade por parte da população dos vilarejos vizinhos” ficaria protegida. Também por carta lhe foi requisitado o seu carro, um Alda, ano 1914.

A notícia de que Santos Dumont cedera seu observatório foi destaque em várias jornais (veja a galeria acima). No final da guerra, a casa foi devolvida e o governo francês pediu desculpa pelo transtorno. Dumont fazia parte da elite francesa da época, explica Lins de Barros, por isso o tratamento distinto.

Recompensa. Santos Dumont também estimulou a coragem dos soldados oferecendo a recompensa de 5 mil francos para o primeiro que trouxesse uma bandeira alemã do front. O jornal espanhol, Correo de La Mañana, na edição de 18 de agosto de 1914, informou que o prêmio fora entregue a um soldado que capturou a bandeira alemã na cidade de Diest, na Bélgica.


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Atualizado às 16h52.


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