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Uma torre para guardar a memória de São Paulo

Antiga moradia de estudantes da Poli foi adaptada para receber material do Arquivo Histórico

16 de julho de 2015 | 17h 03
Carlos Eduardo Entini


A previsão é que a nova instalação abrigue documentos da Prefeitura até 1970. Sylvia Masini/Prefeitura de SP

O Arquivo Histórico de São Paulo ganhou mais espaço de armazenamento de documentos com a inauguração da Torre da Memória nessa quarta-feira, 15. Com o novo prédio, localizado ao lado do arquivo, a instituição dobrou o número de documentos recolhidos e arquivados. A Torre da Memória permitirá que a documentação produzida pela Prefeitura até 1970 possa ser abrigada no Arquivo Histórico Municipal.

Na torre já estão arquivados documentos de 1553 até 1922. Outros que vão até 1935 estão em fase de tratamento, e assim que for finalizado seguirão para o novo local. Mais documentos, de 1936 a 1938, estão a caminho do acervo municipal, explica Afonso Luz, diretor do Arquivo Histórico. O restante da documentação está em galpões no Arquivo Geral da Prefeitura, no bairro do Piqueri. 

Documentos empilhados. Apesar da ampliação das novas instalações do Arquivo Histórico Municipal, o secretário Municipal da Cultura, Nabil Bonduki, vê com preocupação a situação da documentação da cidade armazenada no Piqueri, “o Arquivo Geral da Prefeitura é um arquivo numa condição muito difícil”, com “documentos empilhados”. Mas Bonduki, em entrevista durante o evento, vê algumas saídas para abrir mais espaços. A longo prazo ele citou a possibilidade de “transformar aqueles galpões do Piqueri em um edifício que possa receber a documentação”, e a curto prazo antecipar “um pouco a própria seleção dos documentos, para que se possa reduzir um pouco o volume”. Antes de serem arquivados, os documentos passam por uma comissão de historiadores que determinam quais têm valor histórico.

O Estado de S. Paulo - 03/06/1950



Cadopô. A Torre da Memória ocupa o prédio que foi a Casa do Politécnico, mais conhecida como 'Cadopô'. Construído a partir de 1950 e inaugurado em 1957, o edifício serviu de moradia para os estudantes da Escola Politécnica que funcionava na mesma região. Quando ela se mudou para a Cidade Universitária em 1972, o prédio foi gradativamente sendo abandonado. Em 2006, a Prefeitura começou negociação para adquiri-lo com o Grêmio Politécnico, dono do imóvel. Ele foi arrematado em troca da dívida do IPTU, explica Bonduki.

A reforma do prédio de oito andares durou dois anos. O prédio foi praticamente refeito para abrigar o acervo. Dele foi mantido apenas a 'caixa', explicam Adelcke Rossetto, arquiteto responsável pela obra e Gabriel Proença Meireles, engenheiro da Secretaria da Cultura. Do quarto ao oitavo andar onde está a reserva técnica, foram retiradas as janelas para criar um ambiente com umidade e temperatura controladas, específico para a guarda de documentos. A retirada das janelas dá ao prédio o aspecto de torre. 


Instituição de Estado. Nos discursos de inauguração, o secretário de Cultura da cidade ressaltou que a Torre da Memória é um exemplo de instituição de Estado. O projeto começou na gestão Kassab, com o secretário Carlos Augusto Kalil na pasta. Para ele, a continuidade entre uma administração e outra significa a criação de instituições permanentes. O prefeito Fernando Haddad destacou que não é só uma questão de Estado, é “uma obrigação do gestor investir na história da cidade”. A documentação da cidade não deve ser apenas estocada, continuou o prefeito, ela deve ser arquivada para as gerações futuras “verificar acertos e erros para que possamos nos conhecer melhor”. “Aqueles que rejeitam a história acabam inevitavelmente reproduzindo os erros, os mesmo equívocos do passado”, concluiu Haddad.

Tags: Secretaria da Cultura, arquivo

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