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Vaiar políticos: outra paixão dos torcedores brasileiros

Paulo Maluf foi vaiado por 100 mil em amistoso da seleção no Morumbi em 1970

15 de junho de 2013 | 16h 39
Edmundo Leite, Liz Batista e Carlos Eduardo Entini

O gosto amargo da vaia que Dilma experimentou na abertura da Copa das Confederações, em Brasília, já foi sentido por outros políticos em eventos públicos. Sem preferência partidária, a vaia costuma ser democrática e já virou um clássico do descontentamento popular contra a administração pública. 

Antecessor de Dilma, Lula não desconfiava que seus altos índices de popularidade não valiam em estádio. Na abertura dos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007, o presidente foi vaiado pelo menos cinco vezes no estádio do Maracanã. Um microfone estava preparado para ele falar, mas a ideia foi abandonada. Dias depois, o presidente disse que ficou triste. "É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo, chegasse lá e encontrasse um grupo de pessoas que não queria minha presença." O então ministro do Esporte Orlando Silva tentou consolar o chefe citando aquele que talvez seja o maior conhecedor da alma do Maracanã: "Como dizia o grande Nelson Rodrigues, no Maracanã se vaia até minuto de silêncio". 

Fernando Henrique Cardoso, que passou a faixa para Lula, não era tão chegado em estádios como o seu sucessor, mas nem por isso deixou de passar maus bocados. Num concerto da Orquestra Sinfônica de São Paulo no estacionamento do Palácio do Planalto, em 1995, o presidente foi vaiado três vezes

Nenhuma delas, no entanto, se compara à monumental vaia tomada por Paulo Maluf quando era prefeito biônico de São Paulo e foi a um amistoso da seleção brasileira que seria tricampeã no México meses depois. Num Morumbi tomado por 100 mil pessoas para ver Pelé e cia jogar contra o Chile, Maluf foi vaiado do momento em que saiu do túnel até chegar ao local onde as bandeiras seriam hasteadas. O governador Abreu Sodré tentou driblar as vaias tomadas por Maluf e resolveu só entrar em campo depois da seleção. O truque não deu certo e, para piorar a situação, Sodré tropeçou na escada, caiando de joelho no chão e braços esticados, elevando o mico a décima potência.

O Estado de S.Paulo – 24/3/1970

O Estado de S.Paulo – 26/3/1970

#  Protestos: pedra no sapato dos prefeitos paulistanos

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